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Horas. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite, 4 da manhã, tempo de atualizar a informação. Quase 90% dos ucranianos não confiam em Donald Trump. É o resultado de uma sondagem divulgada pelo Centro Nova Europa, com sede em Kiev. O estudo indica que 89% dos ucranianos inquiridos não confiam no presidente norte-americano, o que representa quase o dobro do valor registrado antes da tomada de posse. Nessa altura, apenas 47,2% dos inquiridos manifestavam desconfiança no novo líder norte-americano. Agora, apenas 77,4%, aliás, dos mil inquiridos responderam que confiam muito ou totalmente no líder da Casa Branca. O Centro Nova Europa analisa os números e diz que os mesmos representam o apelo para que os Estados Unidos possam rever a abordagem em relação à Ucrânia, por vezes mais alinhada com o lado russo do conflito. Falamos agora do apagão ibérico desta segunda-feira. A presidente da Comissão Europeia felicitou as populações de Portugal e Espanha pela responsabilidade coletiva e solidariedade num momento sem precedentes. Ursula von der Leyen elogiou a postura das populações face ao apagão ibérico desta segunda-feira e agradeceu ainda a todos os polícias, bombeiros e controladores de tráfego que trabalharam para manter a segurança de todos os cidadãos. Volodymyr Zelensky acredita que o apagão vivido na segunda-feira em Portugal deve ter uma resposta conjunta. Numa reunião de países da Europa de Leste, o presidente ucraniano revela que falou com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, sobre uma possível assistência. Zelensky acredita ainda que os especialistas ucranianos têm uma experiência única na proteção e restauração de fontes de energia, devido à situação de guerra no país. E o antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, reconhece que o governo podia ter comunicado melhor com os portugueses, mas recusa a ideia de uma crise mal gerida por parte do Executivo. Depois de Pedro Nuno Santos ter acusado o governo da AD de voltar a não conseguir lidar com o momento de crise, o antigo ministro socialista não concorda. Ouvido pela Rádio Observador, Adalberto Campos Fernandes refere ainda que o contexto político que se vive no país prejudica a forma como os partidos olham para o apagão desta segunda-feira.
O pior que pode acontecer a uma crise é acontecer em ambiente de pré-campanha eleitoral, porque os dirigentes políticos perdem um bocadinho aquilo a que deveriam estar mais obrigados, que são os nervos de aço. Aqui e ali, o governo podia ter feito uma comunicação mais regular, mais tranquilizadora, que podia ter pedido às operadoras que não suspendessem as comunicações aos dados móveis. Outra coisa é chegarmos ao extremo de dizer que foi tudo mal feito. Não foi, e felizmente.
Do outro lado, o deputado do PSD, Duarte Pacheco, reconhece que falta uma mensagem de tranquilidade para os portugueses. Ainda assim, levanta dúvidas quanto à capacidade de os cidadãos receberem a mensagem numa altura em que as operadoras estavam embaixo.
Todos nós estávamos numa situação de escuridão, precisamente no sentido mais amplo da palavra, com receio, sem perceber o que é que se estava a passar e precisávamos de uma mensagem de segurança, de uma mensagem que nos acalmasse, que tranquilizasse. Mas eu agora já vou ser muito franco. Eu não sei se essa mensagem acontecesse. Uma coisa é aquilo que eu estou a sentir como cidadão, mas se essa mensagem acontecesse, se ela chegava ao destinatário.
Adalberto Campos Fernandes e Duarte Pacheco em debate no Explicador, na tarde desta terça-feira, aqui na Rádio Observador. Os dois concordam que o presidente da República esteve bem na forma como se colocou à parte da situação. E o governo nega as acusações de má gestão da crise energética. Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, considera que o governo comunicou com o país no tempo certo. O ministro defende que o governo foi eficaz a restabelecer a energia e salienta que Portugal recuperou mais rapidamente do que Espanha.
Nós fizemos a reposição em 12 horas. Repito, Espanha não o conseguiu. Eu quero dizer aqui aos portugueses que Espanha não conseguiu, tendo apoio de França, que nós não tivemos, naturalmente, e apoio de Marrocos. Espanha teve o apoio de duas redes que serviram de redundância e Portugal não o teve. De forma autónoma, em menos de 12 horas, garantiu que o país estava novamente a funcionar. Respondemos melhor do que todos os outros e, portanto, houve um comando, um comando claro do seu primeiro-ministro e, portanto, as coisas aconteceram. E é isso que eu quero dizer aos portugueses hoje, em nome do governo, um profundo agradecimento por essa serenidade e por esse enorme espírito de cidadania que demonstraram.
Declarações de Miguel Pinto Luz esta noite em entrevista à TVI. O ministro deixou ainda críticas ao SIRESP, que diz que objetivamente não funciona. Já o ministro da Presidência reconhece que a comunicação do governo em momentos de crise tem de ser reavaliada para o futuro, mas garante que nunca houve silêncio. Em entrevista à SIC, António Leitão Amaro admite falhas na rapidez e eficácia na comunicação com o país durante o apagão de segunda-feira e aponta que existem aspetos a melhorar no futuro, nomeadamente no que diz respeito ao funcionamento do SIRESP. Ainda assim, assegura que o governo não ficou em silêncio durante o dia.
Começámos pela rádio, as televisões, as redes sociais e a Autoridade Nacional de Proteção Civil utilizou o SMS. Dir-me-á: nós temos que, para o futuro, avaliar a rapidez e a eficácia de todos estes meios? Sim. Agora, há uma coisa que eu também lhe digo. Se nós hoje, enquanto país, estamos sobretudo focados a discutir a dimensão da comunicação, é porque a dimensão da resposta operacional e da continuidade dos serviços foi assegurada. Isso, devo lhe dizer, eu acho que é uma resposta espantosa da parte do país, dos trabalhadores, do civismo da população, das forças de segurança, que nós tínhamos conseguido. Os hospitais continuassem a funcionar, todos os serviços críticos continuassem a funcionar.
S.