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Boa noite, eu sou o Martim Madeira e é tempo de atualizar toda a informação na Rádio Observador. Apesar do mau tempo que assola o país, começamos pelas presidenciais com um dos destaques da noite de terça-feira, o debate único entre António José Seguro e André Ventura, onde o António José Seguro promete dedicar o seu primeiro Conselho de Estado à defesa e à segurança, e André Ventura defende que deve ser o Ministério Público a escolher o procurador-geral da República. São alguns dos destaques deste debate, onde os dois candidatos à Presidência da República discordaram em quase tudo. No entanto, o único debate da segunda volta começou a discutir os apoios que se têm somado à candidatura de António José Seguro, apoios esses, João Gama, que surgiram principalmente à direita. André Ventura encontra contradições em apoios como o de Aníbal Cavaco Silva e, por isso, tira uma conclusão.

É este mesmo homem que diz que António José Seguro é medroso, sem capacidade de liderança, inseguro, apesar do nome, que diz que agora vai votar nele. Isto não é sobre António José Seguro, lamento dizer, é sobre cancelarem-me a mim.

António José Seguro promete ser um candidato independente e livre e diz que debate com André Ventura embaraçado.

Percebo que é um embaraço, porque o senhor deputado André Ventura apelou a que toda a direita se juntasse a si e eles responderam dizendo: "Preferimos o António José Seguro."

Diferenças do início ao fim, desde logo, na relação com o governo.

E serei um presidente que coopera lealmente com o governo e com o primeiro-ministro.

Não vai ser exigente, de forma nenhuma, com o governo. E por isso que querem um presidente que seja uma espécie de Rainha de Inglaterra.

Seguro diz que Ventura está a concorrer numas primárias de direita, o candidato apoiado pelo Chega desafia o adversário a ir além de generalidades.

O doutor António José Seguro conseguiu falar durante dois minutos e 36 sem dizer uma única coisa.

É muito simples. Eu percebo qual é a técnica do doutor André Ventura. É dizer que eu não digo nada. E depois diverge.

De resto, os dois candidatos concordaram em apenas um tema, a revisão da lei laboral, tal como está, será chumbada por qualquer um dos que seja eleito presidente da República, mas António José Seguro admite promulgá-la caso haja apenas acordo com o governo.

Sim, claro. A posição é muito clara. Se é a proposta inicial, votarei politicamente.

O senhor desafiou André Ventura a dizer se votava ou não contra esta reforma. Está esclarecido em relação a isso?

Não, absolutamente nada.

Mas eu já disse. Eu vou lhe dizer aqui com clareza. Se chegar assim, não passará.

Quanto à escolha do próximo procurador-geral da República, Ventura quer que seja feita dentro do Ministério Público e não por proposta do primeiro-ministro. Para Seguro, é sinal de falta de preparação.

Qual é a alternativa para a nomeação do procurador-geral da República?

Podia ser, por exemplo, dentro da corporação do Ministério Público, ser escolhido por eles.

Uma corporação escolhia. Pergunto-lhe, uma nomeação corporativa do procurador-geral da República, a quem é que ele responde?

A quem responde? Responde, se calhar, mais facilmente do que ao governo.

O tom voltou a subir quando o tema passou a ser a imigração. Ventura insiste que Portugal não tem condições para acolher mais imigrantes e traz a debate a teoria da substituição.

Exigência brutal de mão de obra, mas a exigência de mão de obra não pode significar uma substituição populacional. Eu não quero fechar Portugal. Eu quero é que quem venha para Portugal, um, tenha que cumprir regras.

Seguro respondeu com uma pergunta.

Não, é só para dizer que esta política do empadão, quer dizer, começa-se uma coisa, mistura-se tudo, eu discordo completamente. Segundo, como é que resolvia o problema da economia? Ela para?

O debate fechou com uma discussão sobre a relação entre Portugal e os Estados Unidos. André Ventura, apoiante de Donald Trump, diz que o Presidente da República deve ser firme na defesa do país, esteja quem estiver na Casa Branca. António José Seguro revela que vai dedicar o primeiro Conselho de Estado à defesa e à segurança, precisamente por pessoas como Donald Trump, para quem, diz o socialista, o direito internacional vale muito pouco. O debate de ontem entre André Ventura e António José Seguro, aqui resumido pelo jornalista João Gama. A Rádio Observador esteve a acompanhar o último debate com um apoiante de cada candidato e, à semelhança dos dois nomes que vão a votos no dia 8 de fevereiro, também estes simpatizantes discordam em quase todas as matérias. O antigo ministro social-democrata Rui Gomes da Silva apoia André Ventura. Já o antigo secretário de Estado socialista Vitalino Canas está com António José Seguro. Os dois juntaram-se para seguir o derradeiro debate nas televisões e aproveitaram as deixas dos candidatos para também eles trocarem de ideias. Vasco Maldonado Correia.

De um lado, Rui Gomes da Silva, apoiante de André Ventura, do outro, Vitalino Canas, apoiante de António José Seguro. Juntos, acompanharam o frente a frente entre os dois candidatos e foram precisos poucos minutos para o socialista deixar uma primeira previsão.

A campanha do António José Seguro é muito fácil, porque ele, no fundo, pode repetir na segunda volta exatamente aquilo que já dizia na primeira volta.

O tema do apoio de várias figuras à direita a António José Seguro foi um dos primeiros a surgir. E logo aí, o primeiro desentendimento entre os dois apoiantes.

São apoios, são presentes envenenados, porque não acrescentam nada. Porque se tivessem acrescentado, Marques Mendes teria estado na segunda volta.

Eu acho que se esta linha de intervenção é a linha de intervenção do André Ventura, o António José Seguro ficará muito tranquilo, porque, na verdade, o que o André Ventura está a atacar é o Paulo Portas e o Cavaco Silva.

E quando o líder do Chega desvalorizou o currículo do socialista, nova troca de ideias entre apoiantes.

Liderou a JS.

Foi líder das juventudes socialistas.

Sim Foi líder do Conselho Nacional de Juventude. Estamos a falar de política séria. Exato, tem um currículo um bocadinho melhor que o do André Ventura, que só liderou o Chega.

António José Seguro quis mostrar ser garante de estabilidade, palavras vazias para Rui Gomes da Silva.

Quando a estabilidade não defende as condições de vida. Eu a falar e ele está: "Isto são três ou quatro coisas", e volta sempre à mesma coisa. Estabilidade, garantia, Constituição. E as pessoas querem estabilidade? Não querem nada, as pessoas querem é viver bem, querem lá saber da estabilidade. Eu a falar e ele aqui.

No final, Rui Gomes da Silva encontra numa frase de André Ventura a chave para resumir o debate.

Se é para não fazer nada, votem no António José Seguro. Eu acho que os portugueses têm que perceber isso.

Já Vitalino Canas considera que o debate chega para marcar diferenças e sublinha que apenas um dos candidatos tem perfil para ser chefe de Estado.

António José Seguro está a candidatar-se a Presidente da República, enquanto que André Ventura está a candidatar-se a primeiro-ministro ou eventualmente, no futuro, a um cargo executivo.

Vitalino Canas e Rui Gomes da Silva, colados à televisão, a acompanhar o debate entre António José Seguro e André Ventura, tal como os candidatos que apoiam, discordam em quase tudo. Um trabalho do jornalista Vasco Maldonado Correia, que assistiu ao último debate presidencial com Rui Gomes da Silva e Vitalino Canas. Pode ouvir o trabalho completo nas plataformas de podcast. Passamos ao mau tempo. Depois da depressão Joseph, é a vez da depressão Christine. A Proteção Civil fez um balanço das consequências do mau tempo em Portugal. Contactada pela Rádio Observador, diz que apesar dos ventos fortes, não há ocorrências significativas a reportar. No entanto, até às 10 da noite de terça-feira, foram registadas mais de 1500 ocorrências. Há seis distritos em alerta máximo: Aveiro, Braga, Coimbra, Guarda, Porto, Viseu. O comandante Paulo Santos sublinha que a Proteção Civil está preparada para os ventos que podem atingir os 140 km/h e apela às pessoas para que tenham cautela.

O norte do país está todo em prevenção. Existe pré-posicionamento de meios nos serviços municipais de proteção civil, com veículos de remoção de destroços. Estamos todos preparados. Esperamos que os portugueses também façam a parte deles, que é de seguir os conselhos das autoridades, não se aproximar das zonas costeiras e evitar deslocações desnecessárias.

Não há registo de vítimas na consequência das depressões que estão a afetar Portugal continental. A tempestade Christine vai dirigir-se do litoral para o interior, chegando a Espanha já com menor intensidade. Esta ciclogénese explosiva, que é o nome técnico dado, pode apresentar ventos de até 160 km/h até ao nascer do dia. Escolas encerradas, transportes cancelados e estradas cortadas são algumas das consequências desta depressão que passa por Portugal e que vai afetar principalmente o litoral centro e o norte do país, que até há pouco tempo, o epicentro desta depressão estava em Lamego. Por todo o território continental, pelo menos 14 estradas nacionais estavam cortadas até às 9 da noite, devido ao mau tempo. Na margem sul, diversas vias em Amora, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, no concelho de Seixal, vão estar encerradas. Também todas as escolas no concelho de Torres Vedras e da aldeia de Izeda, em Bragança, vão estar encerradas esta quarta-feira. No desporto, morreu Fernando Mamede, uma das maiores figuras do atletismo português. Tinha 74 anos e faleceu na sequência de complicações cardíacas. Bateu recordes mundiais, foi detentor durante mais de uma década do recorde mundial dos 10 mil metros, marcou também presença em três Jogos Olímpicos. Em comunicado, o Sporting Clube que representou manifesta um profundo pesar e lembra o que diz ser um dos maiores nomes da história do desporto português e do emblema de Alvalade. Também o presidente da República deixa uma nota de pesar e lembra o ex-atleta como uma figura importante e incontornável no desporto. Esta quarta-feira também é noite de Liga dos Campeões. Benfica e Sporting entram em campo. As Águias vão defrontar o Real Madrid no Estádio da Luz. José Mourinho quer o foco total na vitória. Os três pontos podem não chegar, mas as Águias têm de esperar por outros resultados para conhecer o futuro na competição. José Mourinho diz que quer a equipa a dar tudo.

Não temos que pensar nos outros resultados. Se não ganharmos, não há resultados que nos possam qualificar. Só ganhando é que podemos depois, no final do jogo, constatar se os resultados foram favoráveis ou desfavoráveis. Portanto, o objetivo é só um, que é tentar tudo para ganhar o jogo, mesmo sabendo quem está do outro lado.

Esta partida é no Estádio da Luz, começa às 8 da noite e tem relato em direto aqui na antena da Rádio Observador. Ao mesmo tempo, joga o Sporting nesta última jornada da fase de liga contra o Athletic Club Bilbao, em Espanha, em Bilbao. Rui Borges diz que nada apaga a trajetória do Sporting nesta competição e pede humildade rumo à vitória.

Sabemos todas as dificuldades, sabemos que será um jogo difícil, mas vamos, tal como fomos nos outros jogos, com muita ambição, com muita vontade, iguais a nós mesmos, tentar fazer o nosso melhor e chegar ao fim e ver qual é a consequência do nosso melhor. Se for ficar nos oito primeiros, muito bom. Se não for, bom na mesma, nada apagará aquilo que tem sido o trajeto fantástico da equipa.

Para se manter na competição, o Athletic de Bilbao tem de vencer o Sporting. O Sporting, no entanto, já está na zona de playoff, mas ambiciona mais, ambiciona o top oito. Com uma vitória, o clube leonino pode mesmo conseguir esse objetivo. Jogo também marcado para às 8 da noite, ao mesmo tempo que o Benfica, pode acompanhar na emissão de especial de desporto aqui na Rádio Observador. Fim deste jornal das 04:00. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese das 05:00. Até lá, fique com a primeira parte do Contracorrente desta terça-feira.