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As notícias com Ricardo Lopes.

Começamos com uma notícia avançada pelo Observador. Uma auditoria do Tribunal de Contas perdoou a Luís Neves algumas infrações financeiras enquanto era diretor nacional da Polícia Judiciária. Os juízes conselheiros apontam também situações irregulares no uso de cartão de crédito. O Tribunal de Contas auditou as contas da Polícia Judiciária relativas ao ano 2023. O Observador teve acesso ao relatório. Essa auditoria foi apenas concluída em dezembro do ano passado, devido à morosidade na entrega de todos os dados necessários para o escrutínio. O Tribunal de Contas considera que dois contratos, um deles celebrado com a Petrogal para aquisição de combustível e um outro com uma agência de viagens, não respeitaram as regras de contratação pública. Ambos os contratos foram, na altura, autorizados por Luís Neves. Foram também levantadas dúvidas em relação a situações irregulares na utilização do cartão de crédito para a compra de bens e serviços e ainda para a atribuição de telemóveis. Segundo o relatório da auditoria consultada pelo Observador, o veredito sobre as contas da PJ naquele ano de 2023 foi favorável, com reservas. Foram identificados 11 aspectos que merecem reservas na conduta da gestão financeira da Judiciária. Entre eles, está, por exemplo, o facto das intervenções efetuadas nos imóveis afetos à PJ não terem sido devidamente registradas e avaliadas nas contas. Aqui estão incluídas as verbas pagas também à Constrobarcelos, do empreiteiro amigo de Luís Neves, que fez várias obras em edifícios da Polícia Judiciária. O Tribunal de Contas formalizou também cerca de duas dezenas de recomendações, sugere uma revisão das normas e procedimentos internos. Esta é a manchete a esta hora no site do Observador, um artigo assinado pelo jornalista João Paulo Gudin. André Ventura acusa Luís Montenegro de cobardia política na reação à crise migratória em Ceuta. O líder do Chega diz que tanto a União Europeia como o primeiro-ministro não lidaram bem com a situação e acusa Luís Montenegro de querer agradar a Pedro Sánchez.

Acho que a Europa esteve muito mal e acho que o nosso primeiro-ministro esteve muito mal, francamente. Mais uma vez, por cobardia política, mostra-se que não é um primeiro-ministro com força, com capacidade de decisão. Para agradar aos espanhóis, vem dizer: "Não, isso não se justifica ainda, etc." Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni, que não faz fronteira com Espanha, veio imediatamente dizer que quem trata assim as fronteiras não merece estar no Espaço Schengen e que Itália não se vai sujeitar a isto. Devido à Espanha.

As críticas de André Ventura a Luís Montenegro sobre a crise migratória de Ceuta, em entrevista esta noite ao canal Now. Numa altura em que em Ceuta foi revisto em alta o número de mortos na sequência da crise migratória, no total são já 79 as vítimas mortais. O Instituto de Medicina Legal de Ceuta recebeu os corpos de 79 pessoas que morreram ao tentar atravessar a fronteira para Espanha. Com este fluxo migratório vivido nos últimos dias em Ceuta, o PSD lembra o legado do PS em política de imigração. O governo português recusou atacar Pedro Sánchez num primeiro momento mais crítico e rejeitou também assinar a carta de 22 líderes europeus a pressionar o chefe do governo espanhol. Mas depois de ultrapassado este momento mais agudo desta crise migratória, o PSD tem vindo a criticar as políticas corporizadas por Pedro Sánchez e o legado do PS durante os governos de António Costa. Num vídeo publicado nas redes sociais do PSD, Hugo Soares critica os socialistas, diz que durante a governação PS entraram em Portugal mais de um milhão de pessoas sem regras e garante que o Executivo da AD está agora a regular a imigração com responsabilidade.

Provoca-nos a reflexão de como andou bem o nosso governo em regular a sério, com responsabilidade, a imigração em Portugal. Durante oito anos, o governo do Partido Socialista fechou os olhos a uma grave crise migratória que estava a acontecer em Portugal. Nós sentimos isso na pressão que houve na habitação, no Serviço Nacional de Saúde, na educação. Hoje está demonstrado que foi cerca de mais de um milhão e meio de pessoas que entraram em Portugal sem regra. Isso não pode voltar a acontecer. Este legado do Partido Socialista, que nós voltamos a denunciar e que condenamos, efetivamente, foi por nós resolvido. Chama-se regular a imigração com responsabilidade, segurança e humanismo.

Hugo Soares, depois de já ao final da manhã de ontem, Luís Montenegro, sem nomear diretamente Pedro Sánchez, ter criticado quem não consegue regular os fluxos migratórios. Também na sequência da situação vivida em Ceuta, o Livre defende que Marrocos deve ser afastado da organização do Mundial de Futebol de 2030. O esclarecimento foi dado pelo porta-voz do partido, Jorge Pinto. Portugal vai organizar com Espanha e Marrocos o Campeonato do Mundo daqui a quatro anos, mas Jorge Pinto quer a exclusão de Marrocos por considerar que, depois destes acontecimentos em Ceuta, o país não apresenta garantias políticas nem de segurança para a organização deste evento.

Nem Marrocos dá garantias de segurança ou de capacidade para organizar este tipo de eventos, como se provou com o que aconteceu em Ceuta, como também não dá qualquer tipo de garantias, politicamente falando, quando temos um regime que ocupa há mais de 50 anos o Sahara Ocidental e que não permite a realização do referendo de autodeterminação, tal como previsto pelas próprias Nações Unidas. Isto significa que seria o mesmo que Portugal coorganizar um Campeonato do Mundo de Futebol com a Indonésia quando esta ocupava Timor-Leste. É algo que é insustentável.

Declarações do porta-voz do Partido Livre, Jorge Pinto, ouvido na Rádio Observador. Na sequência destas declarações, a jornalista de desporto do Observador, Mariana Fernandes, explica que Portugal não tem força suficiente na organização para exigir mudança junto da FIFA.

Portugal não tem força neste momento em termos de candidatura e de organização para exigir nada, mantendo-se no jogo. Portugal só vai ter duas cidades neste Campeonato do Mundo: Lisboa e Porto. Vai ter três estádios neste Campeonato do Mundo: o Estádio de Alvalade, o Estádio da Luz e o Estádio do Dragão. Marrocos tem seis cidades, seis estádios. E esta importância e relevância não é que o nome de Portugal não esteja lá, não é que Portugal não vá organizar o Campeonato do Mundo. Claro que vai. Agora, a dimensão de Campeonato do Mundo em Portugal não será comparável à dimensão de Campeonato do Mundo em Marrocos.

Mariana Fernandes, jornalista de desporto do Observador, que acredita também que o que aconteceu em Ceuta não vai afetar a organização do evento, porém, se o fizer, Portugal poderá atuar como intermediário nas negociações entre Espanha e Marrocos. Mudamos de tema. Na saúde, a ministra admite cobrar uma taxa a quem recusar uma vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados. No entanto, há cerca de 3 mil pessoas à espera de uma vaga, um número que aumentou quase 60% face ao final do ano passado. O objetivo do Ministério da Saúde é evitar que doentes com alta clínica continuem internados no Serviço Nacional de Saúde, quando existe uma resposta alternativa disponível. A taxa poderá aplicar-se quando houver vaga na rede ou num lar a menos de 90 minutos de distância. Os representantes das Unidades de Cuidados Continuados e administradores hospitalares dizem que, por si só, a medida não resolve o problema. Defendem que é preciso criar mais vagas. Nos últimos dois anos, a capacidade de resposta tem vindo a aumentar. Ainda assim, não chega para responder à procura. Há utentes à espera de uma vaga durante largos meses. Na atualidade internacional, o Qatar diz que estão em vigor esforços para tentar reduzir as tensões entre os Estados Unidos da América e o Irão, que continuam neste momento à procura de um acordo para terminar as hostilidades no Médio Oriente. O emir do Qatar falou ao telefone com Donald Trump sobre os recentes acontecimentos regionais com o objetivo de colocar água na fervura. Durante a chamada, o presidente dos Estados Unidos terá elogiado este papel do Qatar em apoiar os esforços diplomáticos e facilitar o diálogo, mas não abordou a possibilidade de um entendimento ficar fechado esta quarta-feira. Na análise, o investigador de História Militar, Pedro Nascimento, diz que quer o Irão quer os Estados Unidos procuram um entendimento, mas nenhum dos dois pretende deixar passar a ideia de que está a ceder perante o adversário. Ouvido no Gabinete de Guerra da Rádio Observador, Pedro Nascimento diz que neste momento ambos os países têm uma clara noção de que um acordo de paz é o melhor para cada um dos envolvidos, mas não querem ser o país que dá o braço a torcer.

Eu creio que nenhum dos dois quer assumir uma negociação direta. E isto acontece porque na geopolítica a perceção é muitas vezes tão importante como a realidade. Ambos querem um entendimento para reduzir a tensão no estreito, mas nenhum quer transmitir a ideia de que foi obrigado a sentar-se à mesa pelo outro. Por isso, a diplomacia está a avançar, pelo que parece, mas a narrativa continua a ser uma arma de guerra.

A análise de Pedro Nascimento, ouvido no Gabinete de Guerra da Rádio Observador. Terminamos assim este jornal das 16h. A informação regressa às 17h em ponto com uma síntese informativa. Até lá.