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Seis horas. As notícias com Ana Cláudia Silva. Bom dia, começamos com a atualidade nacional. O governo liderado por Luís Montenegro vai hoje enfrentar a primeira moção de censura, menos de um ano depois de tomar posse. O documento foi apresentado pelo Chega e está relacionado com a situação da empresa da qual Luís Montenegro foi sócio até junho de 2022 e que agora pertence à mulher e aos filhos. Apesar de ir a debate, a moção de censura vai contar com a rejeição dos partidos da oposição, que já anunciaram o sentido de voto ao documento. Ontem, André Ventura disse que mantinha a possibilidade de retirar a moção de censura ao governo, caso o premiê preste esclarecimentos com documentos, e não com conversa, passo a citar André Ventura: "Até ao arranque do debate". Este debate que está marcado para às 15h, no Parlamento. Ainda sem apresentar uma candidatura a Belém, o almirante Gouveia e Melo afirma que o país deve ter um presidente da República isento e independente de lealdades partidárias. Revela também que, em termos políticos, diz estar entre o socialismo e a social-democracia, uma posição vincada num artigo de opinião publicada pelo "Expresso". Num texto em que se assemelha a um manifesto eleitoral, o almirante desvenda algumas das opiniões que tem quanto aos desafios do país e ao cargo de presidente da República. Gouveia e Melo faz pela primeira vez algumas revelações importantes. Mailine Silva.

Henrique Gouveia e Melo começa por definir que se situa politicamente entre o socialismo e a social-democracia e é ainda nas primeiras linhas que assume defender a democracia liberal como regime político. Para a Justiça, quer celeridade, à administração pública pede que não sirva de trampolim para clientelas políticas, quanto à economia, defende que seja de mercado livre, menos burocrática e que não deixe ninguém para trás. O almirante Gouveia e Melo fala ainda sobre a nova administração Trump para dizer que vivemos tempos perigosos e que as ameaças já não vêm apenas de leste. É por estas razões que acredita que a liderança é um fator crítico para o sucesso ou para o fracasso das nossas sociedades. Aos atores políticos, Gouveia e Melo exige responsabilidade, transparência e coragem, e diz que o sistema deve impedir o descrédito do regime democrático. O almirante aborda ainda diretamente a Presidência da República e há uma ideia que deixa clara: transformar a Presidência num apêndice dos interesses partidários é uma ameaça à capacidade da democracia liberal de manter um sistema equilibrado e funcional. Para Henrique Gouveia e Melo, a democracia tolerante por natureza não pode permitir ideias e práticas intolerantes, uma vez que comprometem a própria democracia. É tempo de ir além do óbvio e dos interesses imediatos. É assim que termina este artigo.

A jornalista Mailine Silva, com os detalhes do artigo de opinião escrito pelo almirante Gouveia e Melo, publicado pelo jornal "Expresso". Na análise a este artigo, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, considera que Gouveia e Melo pretende conquistar os grandes grupos eleitorais.

Pode ser uma boa estratégia pra ele, porque ele quer ser uma espécie de candidato catchall, quer tudo, quer ser majoritário, quer limpar a primeira volta e, portanto, é muito importante pra ele ir onde estão os grandes grupos de eleitores. Ele depois também deixa cair coisas, como que é um defensor do mercado livre, das democracias liberais. Parece-me até ter umas nuances de liberalismo que eu nem estava à espera do ponto de vista da economia, a dizer que o Estado não se deve imiscuir, que é preciso libertar a economia, que é preciso apostar na criatividade, e até se aproxima quase um bocadinho das ideias da iniciativa liberal na economia, porque também não evita falar bastante do Estado Social.

As palavras do editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, em relação ao artigo de opinião de Gouveia e Melo, publicado pelo "Expresso". E ainda sobre as eleições presidenciais, Luís Marques Mendes garante que vai a eleições para ganhar. Em entrevista à CMTV, durante a noite de ontem, o candidato a Belém disse estar confiante na vitória, sobretudo pela experiência política que tem. Marques Mendes admite estar tranquilo, uma vez que, acima de tudo, a democracia é ganhar e perder, como diz o antigo presidente do PSD, que reitera que Portugal precisa de um presidente experiente e afirma mesmo que Gouveia e Melo pode ter experiência militar, mas não tem experiência política.

Eu não vou pra perder, eu vou para ganhar, eu vou pra tentar ganhar e estou convencido, por muitas razões, mas sobretudo por esta: experiência política. Insisto, a experiência é absolutamente decisiva. No momento em que você tem Trump no estado em que está, a Europa no estado em que a conhecemos, o Parlamento português dividido e fragmentado que nunca, é nestes momentos que as pessoas precisam ainda de mais experiência política do que antes.

As declarações de Luís Marques Mendes, em entrevista à CMTV na noite de ontem. Luís Marques Mendes falou ainda sobre a polêmica em torno da empresa, que pertence agora à família de Luís Montenegro. O candidato a Belém considera que o premiê deve explicações ao país, mas diz Marques Mendes que é compreensível que o premiê ainda não tenha feito essas declarações, devido à agenda desta semana, que envolveu uma viagem ao Brasil. Já o vice-presidente do PSD, Alexandre Poço, defende a estratégia de Luís Montenegro de responder apenas perante o Parlamento. O atual silêncio de Luís Montenegro faz sentido, é o que defende o deputado e vice-presidente do Partido Social-Democrata no programa "Vicia e Suave", na Rádio Observador. Alexandre Poço lembra que o premiê já respondeu a algumas das perguntas colocadas pela comunicação social, mas que, tendo sido apresentada uma moção de censura, agora deve responder perante a Assembleia da República.

Eu penso que o Primeiro-Ministro, amanhã, dará uma resposta cabal a tudo. Eu acho que, mais uma vez, os portugueses perceberão que o país não tem nem uma picareta falante, nem um monge ermita. Tem um Primeiro-Ministro que está a governar, que presta esclarecimentos, que fala sobre os assuntos. Agora, os meus amigos e minhas amigas irão compreender o seguinte: um Primeiro-Ministro não pode estar sempre a falar a todo momento.

Aqui as palavras de Alexandre Poço, em entrevista no programa "Vício Suave", da Rádio Observador, a sair em defesa de Luís Montenegro. Este, que é o vice-presidente do partido, que vai integrar a direção da campanha de Luís Marques Mendes, em mais um sinal de apoio do PSD à candidatura do antigo comentador. Há mais uma polêmica a envolver o governo, uma empresa imobiliária que envolve o ministro da Coesão Territorial. É uma investigação exclusiva da RTP, que dá conta de que Manuel Castro Almeida detinha, até à passada quinta-feira, 25% de uma empresa do ramo imobiliário. Recordo que Castro Almeida é o responsável pela pasta que tutela a Lei dos Solos. De acordo com a investigação da RTP, o ministro tinha participação na empresa Quantum 98, criada há 27 anos, uma empresa que compra e revende imóveis. Depois da polêmica em torno do ex-secretário de Estado, Hernani Dias, Manuel Castro Almeida, que tinha comunicado a participação na empresa à Entidade para a Transparência, há uma semana passou a quota que detinha para os restantes sócios. À RTP, o ministro confirma o caso, diz não haver qualquer conflito de interesses e justifica a decisão de passar a percentagem da empresa para evitar qualquer suspeita.

Para afastar qualquer risco de suspeita, para eu poder defender a Lei dos Solos, sem ninguém achar que eu estava a defender causa própria ou a querer legislar em assunto próprio ou em proveito próprio, eu então resolvi cortar mal pela raiz.

Porque é que não equacionou isso antes de elaborar a lei?

Por minha iniciativa, sem que ninguém me pedisse, sem que ninguém me recomendasse. Quando eu vi que no espaço público estava a ser feita esta associação, eu disse: "Não, não vou correr este risco. Eu tenho que vender a empresa imediatamente". E vendi imediatamente para ficar totalmente fora de qualquer suspeita de que eu fiz a Lei dos Solos para tirar alguma vantagem.

Aqui as palavras do ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, num registo captado pela RTP, já questionado sobre o caso que envolveu Hernani Dias, o ministro rejeita qualquer tipo de comparações. Em reação a esta nova polêmica, em declarações à RTP, o líder parlamentar do Chega aponta o dedo ao ministro Castro Almeida, que acusa de conflito de interesses. Pedro Pinto diz ainda que este novo caso só vem dar razão à moção de censura apresentada pelo partido.

O ministro Castro Almeida, quando entrou para este governo, sabia que ia tentar fazer aprovar esta Lei dos Solos. Então e agora é que se lembrou? Acordou agora para a vida para dizer assim: "Ai, que eu tenho aqui uma quota numa empresa". Não, o que aconteceu foi: o Chega ajudou a desmascarar o secretário de Estado, Hernani Dias. Sabia-se que agora vamos desmascarar também o Primeiro-Ministro Luís Montenegro e também Castro Almeida, que está a meter ao barulho. É tal promiscuidade que existe na classe política em Portugal. E é por isso que amanhã esta moção de censura é tão importante a este governo, que é um governo que tem que ser censurado. Isto só nos vai dar mais razão ao Chega, mais razão à luta que o Chega tem travado.

Já do lado do Livre, o porta-voz Rui Tavares aponta de novo críticas à Lei dos Solos e ao governo, que considera ter tido falta de cautela numa lei que diz não resolver a crise na habitação e potenciar a crise política.

Logo nós, com um território que é muito mais exíguo e ainda podendo construir em solos urbanizáveis, que os PDM já determinavam para habitação, decidimos que agora o que é interessante é passar terreno rural para o imobiliário. E claro que isso vai gerar desconfianças. E claro que casos como estes têm que ser esclarecidos. Portanto, imprevidente foi, de facto, não só o secretário de Estado, Hernani Dias, não só, provavelmente, o ministro também, mas acima de tudo o Primeiro-Ministro, por ter achado que aquilo que iria resolver a crise da habitação é não só o que não resolve a crise da habitação, como ainda por cima aprofunda a crise da política.

As reações do Chega e também do Livre à investigação da RTP, que lança dúvidas sobre um possível conflito de interesses a envolver o ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida. Já a líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, considera que o ministro já deveria ter tomado as diligências na altura em que entrou para o governo. A Inspeção-Geral da Administração Interna anunciou a abertura de um inquérito autónomo para investigar o relatório da PSP sobre a morte de Odair Moniz, uma informação avançada pela RTP. No despacho de acusação do Ministério Público, ao qual o Observador teve acesso, era pedida uma investigação autónoma por causa de uma alegada falsificação do auto da Polícia de Segurança Pública. De acordo com o Ministério Público, o relatório das autoridades apresentava incongruências e por esta mesma razão, a Inspeção-Geral da Administração Interna decidiu abrir um inquérito autónomo. No desporto, o Fogo do Porto foi eliminado da Liga Europa. Os Dragões perderam a Itália por 3x2 frente à Roma durante a tarde de ontem. No segundo tempo, os azuis e brancos viram Estáquio ser expulso com vermelho direto. Na reação à derrota, o técnico dos azuis e brancos, Martín Anselmi, sublinha o impacto da expulsão na partida, que diz ter ficado condicionada.

Sabíamos que a Roma tem bons jogadores. Seria sempre difícil em igualdade de circunstâncias e com menos um jogador desde os 50 minutos, ainda mais difícil ficou. Apesar disso, podíamos ter empatado o jogo. Creio que não devíamos ter terminado a partida com menos um jogador. Não sei se o lance da expulsão era mesmo para cartão vermelho. Penso que a situação podia ter ficado resolvida com amarelo para cada lado, mas penso que nos condicionou o jogo completamente.

As declarações de Martin Anselmi no final do jogo no dia de ontem, frente à Roma, os Dragões perderam por 3x2. O Futebol Clube do Porto foi assim eliminado da Liga Europa. E vamos à atualidade internacional. Israel revela que um dos quatro corpos devolvidos pelo Hamas no dia de ontem não é da refém Shiri Bibas. Israel diz que os testes realizados não comprovam a identificação do corpo. As Forças de Defesa Israelitas, citadas pelo The Times of Israel, afirmam que esta é uma grave violação da parte do Hamas. Sublinham que a organização estava obrigada a devolver os corpos pelo acordo de cessar-fogo. Israel exige ainda que o corpo seja devolvido pelo Hamas. E o presidente argentino Javier Milei declarou dois dias de luto nacional na Argentina pela morte das duas crianças, Ariel e Kefir Bibas, dois dos reféns que foram também entregues ontem pelo Hamas. Ambos tinham cidadania argentina. O anúncio foi feito através de um comunicado oficial. O presidente da Argentina descreve como monstruoso que estas mortes aconteçam neste século, tendo em conta ter apenas uma motivação: ser judeu. É o que diz Javier Milei. Na Arábia Saudita decorre hoje um encontro com oito líderes árabes para discutir um plano sobre a colocação da Faixa de Gaza sob controle dos Estados Unidos da América e também a deslocação dos palestinianos para países vizinhos. A reunião em Riad vai analisar estas propostas que foram colocadas em cima da mesa pelo presidente norte-americano Donald Trump. Vai ser discutido o plano de reconstrução egípcio para a Faixa de Gaza. Neste encontro vão estar representados países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Kuwait, Omã e Bahrein, como também a Jordânia e o Egito. Recordo que, de acordo com a ONU, vai custar mais de 51 milhões de euros a reconstrução do território da Faixa de Gaza. E ao ponto final deste noticiário, a informação está de regresso à Rádio Observador às 06h30 da manhã. Até já.