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Seis horas. As notícias com Beatriz Félix. Bom dia, 6 da manhã, é tempo de atualizar a informação. Começamos pela política e pelos assuntos que vão estar hoje em debate na Assembleia da República. A maior parte da sessão plenária vai ser dedicada à discussão das propostas apresentadas pelo governo para as políticas de imigração. O Executivo de Luís Montenegro quer alterar as leis da nacionalidade e de estrangeiros e criar a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras na PSP. Todas estas são medidas já criticadas pela esquerda por serem inconstitucionais e são também medidas que a extrema-direita quer mais apertadas, já com vários diplomas em discussão. Em debate vai estar também a proposta de descida do IRS, que vai ser votada na generalidade. A iniciativa do governo prevê uma descida do IRS de € 500 milhões a aplicar aos rendimentos obtidos pelos contribuintes ao longo deste ano. A bancada do PS vai optar pela abstenção. A proposta do governo é acompanhada de outras iniciativas do Chega, da Iniciativa Liberal, do PCP e do PAN, também destinadas a alterar a tabela do imposto. E perante estes assuntos em debate, André Ventura diz que alcançou um princípio de entendimento com Luís Montenegro, mas não se compromete quanto ao sentido de voto. O líder do Chega foi recebido ontem em São Bento para discutir as propostas de alteração à Lei da Nacionalidade e também sobre a descida do IRS. À saída, depois de um encontro de quase 40 minutos, André Ventura disse aos jornalistas que há uma porta aberta para o entendimento, mas ainda sem compromissos quanto ao sentido de voto do Chega.

Foi uma reunião em que procurámos estabelecer o princípio de trabalho, que é importante que o país sinta que o Parlamento está a fazer, mas acho que o Primeiro-Ministro confirmará também que temos uma plataforma comum para baixar impostos, para restringir nacionalidade e para restringir imigração. Trabalharão durante a noite as lideranças parlamentares e as direções dos partidos, agora, com indicação minha e também do Primeiro-Ministro, para que se chegue amanhã a uma possibilidade de entendimento que não envolva mais nenhum partido, necessariamente.

André Ventura, que admite não ter uma resposta sobre quais os pontos a aprovar ou a rejeitar por parte do Chega e remete essa discussão para a fase de especialidade. Quanto à lei da imigração, o Chega quer alargar o prazo para a perda de nacionalidade. Já quanto aos impostos, André Ventura fala numa descida a dois tempos. E o constitucionalista Jorge Miranda aponta problemas constitucionais nas alterações do governo à Lei da Nacionalidade e de Estrangeiros. É o que consta num parecer jurídico assinado por Jorge Miranda e também pelo advogado Rui Tavares Lanceiro, especialista em Direito Administrativo e Constitucional, um parecer citado pelo jornal "Expresso". Os especialistas analisaram a medida que contabiliza os prazos de residência em Portugal para o pedido de nacionalidade e consideram esta norma constitucionalmente inadmissível, por violar os princípios da segurança jurídica, da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Segundo o jornal "Expresso", o parecer critica ainda o travão imposto pelo governo à interposição de ações judiciais urgentes contra a AIMA, relativamente ao reagrupamento familiar. Os especialistas dizem que se trata de uma restrição de direito de acesso à Justiça, que é excessiva e violadora do princípio da proporcionalidade. Já na análise à possibilidade da retirada de nacionalidade a cidadãos naturalizados, Jorge Miranda e Rui Tavares Lanceiros sublinham que a medida suscita a potencial violação de princípios de igualdade, isto porque introduz uma diferença entre portugueses de origem, que não a podem perder nunca, e portugueses naturalizados. O parecer foi um pedido do escritório de advogados Liberty Legal, especializado em imigração e cidadania. É também um parecer que vai ser entregue aos grupos parlamentares da Assembleia da República e ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O governo aprovou ontem, quinta-feira, a proibição do uso de telemóveis nas escolas até ao sexto ano de escolaridade. Em comunicado, o Conselho de Ministros explica que esta medida tem em conta os resultados do estudo do Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas, que mostra que mais de metade das escolas que proibiram o uso de smartphones relataram uma diminuição do bullying e da indisciplina. A revisão da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento foi também aprovada. Ambas as medidas vão entrar em vigor já a partir do próximo ano letivo. Falamos agora da Operação Marquês. José Sócrates deixou o primeiro dia de julgamento, o que aconteceu ontem, a falar de tentativas de humilhação. As queixas são várias. No final do primeiro dia de julgamento, o antigo primeiro-ministro considerou que a juíza Susana Seca manifesta hostilidade e falta de imparcialidade. Críticas também a António Costa. José Sócrates lamenta o silêncio do ex-primeiro-ministro sobre este tema.

Eu convoco António Costa para que esta verdade seja clara. Foi ele que me apresentou Manuel Pinho, não foi Ricardo Salgado nenhum. E o que eu lamento, isso sim, daí vai alguma coisa de profundamente lamentável, é que o doutor António Costa tivesse calado durante todos estes anos sobre essa verdade.

Sobre a eventualidade de o julgamento ter transmissão televisiva na íntegra, conforme pediu a defesa, José Sócrates considera que é mais um capítulo do que entende como um espetáculo mediático Mudamos de tema. Começam hoje as cerimônias fúnebres de Diogo Jota e André Silva. O funeral está marcado para sábado, às 10h, na Igreja Matriz de Gondomar. Quanto ao velório, começa hoje a partir das 16h, vai contar com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa. Em Gondomar, hoje foi também decretado um dia de luto municipal e na Assembleia da República vai ser aprovado um voto de pesar pela morte do futebolista Diogo Jota e do irmão mais novo, André Silva. No desporto, Portugal perdeu frente à Espanha por 5x0, na estreia do Campeonato da Europa de Futebol Feminino, um resultado construído praticamente na primeira parte do jogo. Logo aos dois minutos, Esther González inaugurou o marcador para a equipe espanhola. Vicky López, Alexia Putellas e de novo Esther González construíram o 4x0, com que as equipes foram para o balneário no final da primeira parte. Já nos descontos do segundo tempo, foi a vez de Cristina Martín Prieto, quem marcou o 5x0 final. A atleta do Benfica marcou o terceiro gol na carreira com a camisola da seleção feminina de Espanha. Na análise, no pós-jogo, à derrota portuguesa, o selecionador feminino Francisco Neto reconhece as dificuldades na primeira parte e enaltece a reação das jogadoras após o intervalo.

Acima de tudo, aquilo que nos faltou na primeira parte foi, na nossa organização defensiva, os timings de pressão. Não conseguimos nunca chegar no timing certo pra conseguir pressionar a Espanha, e isso permitiu muito espaço para jogadoras com muita qualidade poderem decidir. Na segunda parte, corrigimos mais, estivemos mais próximos daquilo que tínhamos no plano, cumprimos melhor com aquilo que era a nossa intenção defensiva. Conseguimos com isso também mais vezes ter bola, começamos a sentir um pouquinho mais tranquilos, conseguimos reconhecer mais vezes o espaço, não tendo muitas oportunidades, mas acabamos por criar algumas oportunidades.

Portugal ocupa agora a última posição do grupo B deste Europeu. Espanha está a liderar o grupo. No outro jogo do grupo B, a Itália derrotou a Bélgica por 1x0. E na atualidade internacional, Donald Trump diz que a chamada que teve com Vladimir Putin não trouxe nenhum avanço em direção a um cessar-fogo na Ucrânia. Ontem, em declarações aos jornalistas, o presidente norte-americano admitiu que não está feliz com esta situação. Já quanto ao Médio Oriente, Trump afirma estar disposto a participar diretamente nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, caso seja necessário. Negociações que atualmente estão a ser conduzidas pelo enviado especial norte-americano Steve Witkoff. É o ponto final neste noticiário. A informação fica por aqui, mas regresso daqui a pouco, às 18h30 com a síntese.