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As notícias com Miguel Gato.
E começamos com uma notícia Observador. Uma auditoria no Tribunal de Contas feita no ano de 2023 perdoou a Luís Neves infrações financeiras enquanto era diretor nacional da Polícia Judiciária. O Tribunal de Contas considerou que dois contratos, um celebrado pela PJ para aquisição de combustível e um outro com uma agência de viagens, não respeitaram as regras de contratação pública. Ambos foram autorizados pelo então diretor nacional da Judiciária e atual ministro da Administração Interna. Foram ainda levantadas dúvidas em relação a situações irregulares na utilização do cartão de crédito por parte da Judiciária para a compra de bens e serviços e a atribuição de telemóveis para os funcionários. Segundo o relatório da auditoria a que o Observador teve acesso, o veredicto sobre as contas da PJ no ano de 2023 foi favorável, mas com reservas. Foram identificados 11 aspectos que mereceram reservas na conduta da gestão financeira da entidade. Aqui estão também incluídas as verbas pagas à Constrobarcelos, empresa do empreiteiro amigo do Luís Neves, que fez várias obras em edifícios da PJ e em casas do atual ministro. O Tribunal de Contas formalizou também cerca de duas dezenas de recomendações. Sugere, por exemplo, uma revisão das normas e também uma revisão dos procedimentos internos da Polícia Judiciária. Esta é uma notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador, assinada pelo jornalista do Observador João Paulo Godinho. André Ventura volta a levantar novas suspeitas sobre o ministro da Administração Interna. Diz que pode ter sido Luís Neves, então diretor nacional da PJ, a enviar António Costa a pen com dados de espiões encontrada no gabinete de Vítor Escária, e sugere que o caso pode ter estado na origem do afastamento da PJ da investigação da Operação Influença. Declarações do presidente do Chega ontem em entrevista no Canal Nau.
Acha que é essa a única explicação? Não pode haver outra explicação para não ter envolvido António Costa?
Eu julgo nisso, ao que sei agora. Há a pen que António Costa tinha com os nomes dos espiões, de inspetores, etc.
Mas como é que isso está relacionado aqui?
E eu começo a achar-
Onde é que a pen está relacionada com Luís Neves?
Porque a informação que foi dada ao primeiro-ministro por alguém que sabemos que era muito próximo dele, era o Luís Neves. E, portanto, toda a gente sabe isso.
Mas tem provas de que foi Luís Neves que deu essa pen?
Não tenho provas, mas acho que deve ser investigado. Por isso é que há uma CPI, porque hoje há elementos muito sérios que estão à nossa frente, que mostram que Luís Neves se deixou levar por cumplicidades políticas na gestão de uma instituição que tem que estar acima de toda a suspeita.
André Ventura a acusar o ministro da Administração Interna, sem provas, mas a dizer que este fator tem de ser investigado. O presidente do Chega, que nesta entrevista abordou também outro tema, o da crise migratória em Ceuta. André Ventura acusa Luís Montenegro de cobardia política na reação. O líder do Chega diz que tanto a União Europeia como o primeiro-ministro português não lidaram bem com a situação e acusa mesmo Montenegro de querer agradar ao presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.
Acho que a Europa esteve muito mal e acho que o nosso primeiro-ministro esteve muito mal, francamente. Mais uma vez por cobardia política. Mostra-se que não é um primeiro-ministro com força, com capacidade de decisão, para agradar aos espanhóis. Vem dizer: "Não, isso não se justifica ainda, etc." Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni, que não faz fronteira com Espanha, veio imediatamente dizer que quem trata assim as fronteiras não merece estar no Espaço Schengen e que Itália não se vai sujeitar a isso. Devia ir a Espanha.
As críticas de André Ventura ao primeiro-ministro no Canal Nau, com este fluxo migratório vivido nos últimos dias em Ceuta. O PSD lembra o lugar do PS em políticas de imigração, num vídeo publicado nas redes sociais dos sociais-democratas. O líder parlamentar Hugo Soares critica os socialistas, diz que durante a governação PS entraram em Portugal mais de 1,5 milhão de pessoas sem regras e garante que o Executivo da AD está agora a regular a imigração com responsabilidade.
Provoca-nos a reflexão de como andou bem o nosso governo em regular a sério, com responsabilidade, a imigração em Portugal. Durante oito anos, o governo do Partido Socialista fechou os olhos a uma grave crise migratória que estava a acontecer em Portugal. Nós sentimos isso na pressão que houve na habitação, no Serviço Nacional de Saúde, na educação. Hoje está demonstrado que foi cerca de mais de 1,5 milhão de pessoas que entraram em Portugal sem regra. Isso não pode voltar a acontecer. Este legado do Partido Socialista, que nós voltamos a denunciar e que condenamos, efetivamente, foi por nós resolvido. Chama-se regular a imigração com responsabilidade, segurança e humanismo.
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, a tecer críticas ao Partido Socialista e a relacionar a política de imigração dos governos de António Costa com aquilo que aconteceu em Ceuta. Também na sequência desta situação, na crise migratória em Espanha, o Livre defende que Marrocos deve ser afastado à organização do Mundial de Futebol de 2030. O esclarecimento foi dado à Rádio Observador pelo porta-voz do partido, Jorge Pinto, que diz que o país, Marrocos, não apresenta garantias políticas e de segurança para a organização deste evento.
Nem Marrocos dá garantias de segurança ou de capacidade para organizar este tipo de eventos, como se provou com o que aconteceu em Ceuta, como também não dá qualquer tipo de garantias, politicamente falando, quando temos um regime, porque nós não confundimos o país com o regime que está à frente dele, que ocupa há mais de 50 anos o Sahara Ocidental e que não permite a realização do referendo de autodeterminação, tal como previsto pelas próprias Nações Unidas. Isto significa que seria o mesmo que Portugal coorganizar um campeonato do mundo de futebol com a Indonésia quando esta ocupava Timor-Leste. É algo que é insustentável.
O porta-voz do Livre, Jorge Pinto, no Explicador da Rádio Observador. Portugal vai organizar com Espanha e Marrocos o próximo Campeonato do Mundo de Futebol. Em Ceuta, foi revisto em alta o número de mortes na sequência da crise migratória. O Instituto de Medicina Legal da Cidade diz que recebeu corpos de 79 pessoas que morreram ao tentar atravessar a fronteira com Espanha. Ao todo, foram mais de 70 mil os imigrantes que tentaram passar a fronteira espanhola, a maioria proveniente de Marrocos. Kiev voltou esta noite a ser alvo de ataques por parte da Rússia. Pelo menos uma pessoa morreu e 12 ficaram feridas depois de um ataque com mísseis balísticos ter atingido a capital da Ucrânia. O autarca de Kiev diz que foi atingido um armazém perto do centro da cidade e que foram resgatadas duas pessoas dos escombros. Há também registro de um incêndio num edifício residencial por causa deste ataque de Moscovo. Os ataques desta madrugada acontecem depois de pelo menos 27 pessoas terem sido mortas na Ucrânia e na Rússia no início desta semana, após intensos ataques entre os dois países. O Qatar diz que estão em vigor esforços para tentar reduzir as tensões bélicas entre os Estados Unidos e o Irão, dois países que continuam à procura de um acordo para terminar as hostilidades no Medio Oriente. O Emir do Qatar falou ontem ao telefone com Donald Trump sobre os recentes acontecimentos na região. Durante esta chamada, o presidente dos Estados Unidos terá elogiado o papel do Qatar em apoiar os esforços diplomáticos e facilitar o diálogo, mas não abordou a possibilidade de o entendimento ficar fechado em breve. Numa publicação na rede social X, feita ontem à noite, o Comando Central dos Estados Unidos afirma que a passagem sul do Estreito de Ormuz continua aberta à navegação comercial. O Irão tem negado, diz que todo o Estreito de Ormuz continua fechado à navegação dos navios.