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Boa. Jornal das sete, com Carla Jorge de Carvalho. Carla, estamos a dias da primeira volta das eleições francesas. Ontem à noite, os três principais candidatos a primeiro-ministro enfrentaram-se naquele que foi o primeiro debate televisivo.
Durou duas horas, foi transmitido no canal privado mais visto de França e colocou o primeiro-ministro Gabriel Attal, do Renascença, partido de Macron, a debater com Jordan Bardella, da União Nacional de Le Pen, e Manuel Bompard, o representante da Frente Popular de Esquerda. Mas Maria Miguel Duarte, em duas horas corre muita tinta. Quais foram os temas em destaque?
A primeira hora ficou marcada por temas como a perda do poder de compra, os impostos, o salário mínimo e o aumento da idade da reforma. Isto depois de os candidatos terem escolhido um tema para arrancar na intervenção inicial. Bardella, da União Nacional, focou-se na conta da eletricidade dos franceses. Já Manuel Bompard, do França Insumissa, disse que quer evitar que os mais velhos regressem às filas dos centros de emprego. Enquanto Gabriel Attal, atual primeirom-ministro, foge da economia e dá um toque na educação, defende a importância da escola pública.
E além da economia, Maria, que temas tiveram maior destaque?
Os candidatos passaram brevemente pela política ambiental, onde se mostraram pouco entusiasmados para debater e nos últimos minutos deste debate falaram ainda da saúde, mas sem novas perspectivas sobre o tema. No entanto, Carla, as duas grandes áreas que dominaram foram, sem dúvida, a economia e a imigração.
E nestes pontos, o que é que defende cada candidato?
Gabriel Attal esteve sempre ao ataque e tentou colar os adversários à extrema esquerda e direita. Temas difíceis como a descida do IVA, aumento do salário mínimo e idade da reforma acabaram por não dificultar muito a vida ao primeiro-ministro francês. Já o candidato do partido de extrema-direita de Marine Le Pen esteve debaixo de fogo no tema da imigração. Bardella defende as políticas da União Nacional, mas sem ir ao extremo da posição de Le Pen. Já Bompard, representante da Frente Popular de Esquerda, assumiu um tom mais contido perante os ataques dos restantes candidatos e assume uma posição mais discreta, sem atacar diretamente Attal.
Maria Miguel Duarte, com os temas em destaque no debate de ontem à noite, estamos a dias da primeira volta das eleições legislativas francesas, que foram convocadas por Emmanuel Macron logo na noite eleitoral em que perdeu a noite eleitoral das europeias. Está agora em direto neste jornal Vítor Gabriel Oliveira, o secretário-geral da Sedes Europa. Muito bom dia. Houve algum vencedor claro neste debate?
Não, eu penso que não houve um perdedor claro. Jordan Bardella começou o debate a atacar Gabriel Attal, já se esperava isso, mas depois durante o debate, Gabriel Attal foi conseguindo explicar ao detalhe e responder ao detalhe a Jordan Bardella, sobretudo nas medidas que Jordan Bardella propunha, por exemplo, pra idade da reforma, em que durante o debate, por exemplo, lhe perguntou se realmente a idade da reforma seria até aos 66 e se seria pra toda gente. Jordan Bardella lhe disse que teria que ser considerado em trimestres, ou seja, os contribuintes que começariam a trabalhar mais tarde também se reformariam aos 66 anos. Ou seja, os jovens que pensariam que iriam provavelmente reformar-se mais cedo, ficaram a perceber que se vão reformar provavelmente mais tarde com esta medida de Jordan Bardella. E Gabriel Attal conseguiu desmontar algumas das medidas-chave de Jordan Bardella. Eu penso que o debate correu melhor a Gabriel Attal.
Que partia talvez em desvantagem, não?
Sim, partia em parte para estas eleições. O partido de Emmanuel Macron, que é uma candidatura de centro, em muitos círculos, o partido decidiu apoiar candidatos do centro-direita e do centro-esquerda. Ou seja, há muitos círculos onde apresenta candidato, mas apoiado pelo centro-direita ou pelo centro-esquerda. E isso vai dificultar depois mais tarde a constituição do Parlamento e de colocar em pé Gabriel Attal, de Emmanuel Macron, mas como disse há pouco, muita tinta vai correr, porque as eleições são a duas voltas, não são só a uma volta. E a duas voltas, na segunda volta, por exemplo, aqueles que não apoiam o Rassemblement National, o partido de Marine Le Pen, são mais do que aqueles que apoiam hoje o partido Marine Le Pen. E vamos ver como é que isso se vai decidir na segunda volta nos mais de 700 círculos eleitorais, onde se elege apenas um deputado por círculo eleitoral.
Sim, e portanto, é sempre aquele dilema dos eleitores quando estivermos na segunda volta. A economia e a imigração foram, de fato, os grandes temas destas duas horas. São os temas que, de fato, mais dividem neste momento a sociedade francesa.
Sim, a sociedade francesa sente que perdeu muito poder de compra nos últimos anos, principalmente na última década, e é isso que os faz votar à direita ou à esquerda. Mas essas são umas eleições muito sui generis. Ao contrário de outras eleições em que há muitos partidos e as pessoas têm uma grande capacidade de escolha, portanto, uma grande leitura daquilo que lhes interessa mais enquanto votação. Neste momento, há três blocos, e isso viu-se até no debate. Há o voto da Frente Popular à esquerda, o voto da Frente Nacional à direita e o voto no centro. Emmanuel Macron, por exemplo, já disse ontem que votar na extrema-esquerda ou na extrema-direita significa uma guerra civil em França, pra percebermos o extremar de posições e vindo essa declaração do presidente, ainda se torna mais grave
Mais alarmante. Porque Emmanuel Bonaparte, por exemplo, é do partido da France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon. Também é um partido muito à esquerda, lidera a Frente Popular, onde está o partido, por exemplo, do centro-esquerda, mas as suas ideias e a forma como as explana, são ideias muito à esquerda. Portanto, a geometria que sairá da segunda volta das eleições será absolutamente decisiva para que a França tenha Jordan Bardella como primeiro-ministro ou não tenha. É esse o principal.
É o que está aqui em causa, sobretudo. É isso?
Exatamente.
Vítor Gabriela Oliveira, muito obrigada pela análise esta manhã. O secretário-geral da CEDES Europa a olhar para a campanha eleitoral francesa. A primeira volta das eleições é já no próximo domingo, com um país muito dividido.
E continuamos na atualidade internacional. Julian Assange já está a viajar para a Austrália. O fundador da WikiLeaks partiu como homem livre das Ilhas Marianas.
O julgamento aconteceu esta madrugada. A juíza aceitou a declaração de culpa de Assange em relação às acusações de violação da lei de espionagem dos Estados Unidos. Assange enfrentava uma pena que podia chegar aos cinco anos de prisão, mas o Tribunal Federal de Saipan considerou que Assange já tinha cumprido esse tempo e, por isso, decretou a libertação do fundador da WikiLeaks.
Assange já deixou o território norte-americano, saiu sem prestar declarações e está neste momento em viagem para a Austrália.
Quem falou foi o advogado Barry Pollack, assegura que Assange estava sensibilizado com o apoio que recebeu.
O senhor Assange revelou informações importantes e de confiança sobre crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos da América e sofreu imenso por isso. Sofreu pela liberdade de expressão e pela liberdade de imprensa. Sofreu para garantir que o mundo recebe informações corretas. O senhor Assange está agradecido por todo o apoio que recebeu. Está agora à espera de poder voltar a ver a família e voltar a casa para a Austrália.
O advogado de Julian Assange garantiu ainda que o trabalho da WikiLeaks vai continuar. Ao lado do advogado de Assange, esteve também a conselheira mais próxima do fundador da WikiLeaks, que fala de um dia para ficar na memória. Assange sai em liberdade 14 anos depois, para trás ficaram acusações de espionagem relativas a 2010, quando o site WikiLeaks divulgou ao mundo centenas de milhares de documentos militares confidenciais dos Estados Unidos.
Em Portugal, Luís Montenegro volta hoje ao Parlamento para o debate quinzenal e também para preparar o Conselho Europeu.
É a segunda vez que Montenegro vai responder aos deputados enquanto primeiro-ministro. No último debate quinzenal, que foi a 15 de maio, há mais de um mês, deu-se, entretanto, a pausa parlamentar para a campanha das europeias. Este vai ser, por isso, o primeiro debate com o primeiro-ministro depois da derrota da AD por margem curta para o PS nas europeias. A atenção dos deputados vai também estar virada para o debate que acontece logo a seguir, preparação para o Conselho Europeu, numa altura em que o nome de António Costa reúne consenso para vir a suceder a Charles Michel. O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, explica como é que o nome do ex-primeiro-ministro acabou por reunir um alto consenso para este cargo.
O próprio Viktor Orbán, houve uma final europeia em Budapeste, António Costa foi trabalhando isso.
Fez uma escala.
Fez uma escala para assistir ao futebol com ele. E, portanto, António Costa, na verdade, não tem muitos anticorpos e é conhecido como um negociador e como um moderado. Até quase que ajuda, por exemplo, o ódio que muita da direita, se calhar o ódio é uma palavra muito forte, mas acho que sim, ódio político, a Pedro Sánchez, porque por acharem Sánchez tão radical, acham António Costa muito moderado e alguém com quem se sentem bem e se sentem confortáveis. E os liberais, então, igual. Emmanuel Macron tem uma relação ótima. O político dizia que eles têm discussões intelectuais em francês. Não sei se é sobre Edith Piaf, se é sobre Bataille, não faço ideia. Portanto, tem tudo para que lhe corra bem.
Tem tudo para lhe correr bem. Ainda assim, o editor de política do Observador sublinha que os altos cargos da União Europeia não estão ainda fechados e falta esperar não só pela votação no Conselho Europeu, mas também pela votação no Parlamento Europeu do nome de Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia.
Rui Pedro Antunes, convidado da edição de hoje da História do Dia da Rádio Observador, que já está disponível no nosso site e nas plataformas de podcast. No desporto, atenções voltadas para a Alemanha. Portugal fecha hoje a fase de grupos no Euro 2024.
Jogo com a Geórgia, a seleção nacional já tem o apuramento e também já tem o primeiro lugar do grupo garantidos. Por isso, Roberto Martínez já admitiu que vai mexer na equipa. Só confirma a presença de dois titulares, Cristiano Ronaldo e Diogo Costa. Sobre o adversário, o selecionador nacional destaca o percurso da Geórgia neste Campeonato da Europa.
A Geórgia fez um torneio muito interessante. É uma equipa que me surpreendeu, tem uma capacidade defensiva, mas uma capacidade para o contra-ataque e os jogadores individuais de um nível fantástico. Se nós, como seleção, queremos ganhar, precisamos de todos, de ajudar a seleção. O capitão e o Diogo Costa são dois jogadores que estão no 11 inicial.
Estes dois estão confirmados, falta o resto. Ontem a Dinamarca e a Eslovénia garantiram o apuramento para as oitavas de final. A Áustria surpreendeu, conseguiu apurar-se em primeiro num grupo que tinha França e os Países Baixos.
Ora, a partida de Portugal está marcada para às 20h. Vai ter, claro, relato e comentário aqui na Rádio Observador. Carla Jorge Carvalho, que outras notícias estão a marcar a atualidade?
O governo regional da Madeira reúne-se hoje com o PAN e com a Iniciativa Liberal para tentar chegar a um acordo sobre o programa do governo. O executivo de Miguel Albuquerque começa por receber o PAN às 10h. Uma hora depois, o encontro é com os representantes da Iniciativa Liberal. O PSD Madeira vai ainda reunir-se com o Chega amanhã. O primeiro-ministro repudia a proibição de quatro meios de comunicação social portugueses na Rússia. A lista inclui RTP, o Público, o Expresso e também o Observador. Numa publicação na rede social X, Luís Montenegro diz que deve ser defendida a liberdade de expressão e a solidariedade com o jornalismo livre E agora, o Euromilhões, não é que o primeiro prêmio saiu ontem?
António Costa.
Tens razão, ganhaste. Está fechado. E também um Euromilhões com dinheiro que saiu ontem em Portugal.
Cacho que era o prêmio maior que já foi entregue no nosso país.
213 milhões de euros. Se calhar, nem o António Costa. Há um feliz contemplado que vive algures na freguesia de Ramalde, no Porto. Certeza que nos está a ouvir a esta hora.
Está.
Está, porque não consegue dormir. Vamos deixar os nossos IBANs aí.
Está neste momento a completar a aquisição do jato privado.
Do jato privado.
Então vá, para esse ouvinte, cá vai. O IBAN é o PT050.
Exatamente. Mas também pode ser para o outro. Pode ser o segundo prêmio, também saiu para Portugal. Aqui qualquer coisa como 141 milhões de euros.
Ia dividir por vários. Acho que é 140 mil euros. Vou confirmar.
Se é o segundo prêmio, é individual.
Exatamente. Há mais pessoas, obviamente.
Pronto, então o IBAN.
Uns quantos na Europa e um também em Portugal.
Partilhamos o nosso IBAN.
Se são 140 mil euros, já dava pra amortizar qualquer coisa.
Muitos parabéns.
Parabéns ao vencedor. Fica por aqui o Jornal das 7. Atualizamos as notícias às 19h30.