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Notícias às 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. A depressão Cláudia provocou 270 ocorrências até a meia-noite e o número deve aumentar nas próximas horas, depois de uma madrugada de trovoada e chuva intensa. Quase todos os distritos do continente estão sob aviso laranja. Setúbal está mesmo com aviso vermelho, o nível máximo.
São os efeitos da depressão que vai continuar a atingir Portugal continental até, pelo menos, domingo. De acordo com o balanço da Proteção Civil, houve 270 ocorrências até a meia-noite, a maioria inundações, queda de árvores e de estruturas. Contactada há pouco pela Rádio Observador, a Proteção Civil remete um novo balanço para daqui a meia hora. Na zona da Ajuda, em Lisboa, uma árvore caiu durante a madrugada, por causa da força do vento, danificou vários carros que estavam estacionados. À RTP, o subchefe do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Domingos Gorrão, explica que os operacionais vão agora tentar cortar os ramos para tentar evitar mais danos.
As próximas diligências vão ser contactar os proprietários dos veículos que estão aqui nesta zona lateral, de forma a conseguirmos cortar as pernadas e não causar qualquer dano nas viaturas que estão adjacentes.
É uma das várias ocorrências registradas nas últimas horas. Como dizíamos, quase todos os distritos do continente estão sob aviso laranja. Apenas Bragança e Vila Real estão sob aviso amarelo. Setúbal está com o aviso vermelho para a chuva até às 9h. Falamos do nível máximo. Contactamos há pouco os Bombeiros Voluntários de Setúbal, que dão conta de várias inundações, mas ainda não conseguem confirmar o número exato de ocorrências nas últimas horas.
E prevê-se um dia muito complicado a nível de trânsito, sobretudo na Grande Lisboa. Importa, por isso, percebermos como está a situação a esta hora.
E vamos fazê-lo com a ajuda da repórter Nadine Soares, que está em Alvalade, centro de Lisboa. Nadine, a chuva cai com muita intensidade. Como é que está o trânsito?
Chove ainda com alguma intensidade, parece começar a abrandar aos poucos, mas ainda assim é bastante chuva e, por isso, é necessário cuidado na estrada. É uma manhã ainda escura. Aqueles que se atrevem a andar pela rua fazem-no à pressa para chegar aos transportes ou para entrar rapidamente dentro dos carros. E os poucos carros e autocarros que circulam aqui, que passaram aqui pela Praça de Alvalade, circulam realmente de forma mais lenta, até porque não só a chuva dificulta a circulação, como já existem algumas poças de água nas estradas que pedem uma condução mais defensiva. Em Alvalade, para já, uma manhã, como dizia, escura, chuvosa, apenas alguns caixotes de lixo virados devido ao vento, mas para já nenhuma ocorrência significativa a registrar aqui do que consigo observar. A chuva deve continuar pelo menos até às 9h e, como dizia, uma manhã escura. As poucas vezes que esta manhã começa aqui a ganhar um bocadinho de luz é quando somos aqui surpreendidos pelos relâmpagos, que também vão assustando algumas pessoas que passam por aqui para irem para os seus locais de trabalho e para começarem o seu dia. Mas, para já, uma manhã chuvosa, com a necessidade de se adotar uma condução defensiva.
Muito cuidado, muita paciência também. A reportagem da Nadine Soares, que ao longo da manhã vai fazer uma ronda pelos locais habitualmente mais afetados por cheias urbanas. A Proteção Civil alerta, de resto, para essa possibilidade, pede à população para que adote medidas defensivas. O comandante Pedro Araújo deixa várias recomendações para evitar emergências.
As pessoas devem manter os sistemas de drenagem para livre circulação da água, para livre escoamento das águas. Devem manter as estruturas, nomeadamente as temporárias, devidamente fixadas. Devem ter especial atenção na condução noturna, devido à formação de lençóis de água, que naturalmente, no período noturno, são mais difíceis de identificar à distância. Devem, naturalmente, também não parquearem veículos debaixo de árvores ou de estruturas que sejam facilmente derrubadas pela força do vento.
O comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, em declarações à Rádio Observador. Prevê-se um dia de muita chuva, chuva intensa, trovoada, vento, agitação marítima. É uma situação que deve manter-se pelo menos até domingo. É a depressão Cláudia.
O governo chamou a UGT para uma reunião de última hora, na tentativa de travar a participação na greve geral de 11 de dezembro. A central sindical vai reunir-se hoje para formalizar a decisão.
E nada parece fazer recuar a UGT. O jornal Expresso conta que a ministra do Trabalho convocou, na última terça-feira, uma reunião fora de calendário com o secretário-geral, Mário Mourão, e a presidente da Central Sindical, Lucinda Damaso, ela que é também vice-presidente do PSD e membro da comissão permanente do Luís Montenegro. Nada terá mudado depois desse encontro, sendo que o Expresso revela que terá sido agendada uma nova reunião bilateral, já para a próxima semana, dia 19, entre a ministra Palma Ramalho e a UGT.
Carla, o governo tem lançado vários apelos públicos a pedir a desconvocação da greve.
Ainda ontem o primeiro-ministro voltou a pedir sentido de responsabilidade às centrais sindicais. Diz que o governo tem estado em contacto permanente com os parceiros sociais e que não há ainda sequer uma proposta final das alterações à lei laboral. O certo é que a UGT insiste que não tem havido verdadeira negociação. Esta semana, aqui na Rádio Observador, Mário Mourão insistiu que as propostas apresentadas ao executivo nunca foram realmente atendidas. A próxima reunião da Concertação Social está marcada para 10 de dezembro, precisamente um dia antes da greve geral, e esta tarde a UGT deve formalizar a decisão de aderir ao protesto convocado pela CGTP.
O secretário-geral do PS afirma que o primeiro-ministro deve explicações ao país sobre os problemas na saúde Para José Luís Carneiro, já não deve ser a ministra da Saúde a falar, mas sim o próprio Luís Montenegro.
O líder socialista afirma que a situação é tão grave que deve ser o Primeiro-Ministro a dar a cara pelos problemas no SNS. José Luís Carneiro considera que o Governo está a falhar abruptamente em resolver a crise no setor da saúde e, por isso, exige explicações.
O Primeiro-Ministro tem o dever de responder. Perante a agudização dos números, verificamos palavras de estupefação da ministra da Saúde. Ora, isto não vai lá com estupefação, isto vai com capacidade de resposta. Já não se trata de um problema da ministra da Saúde, trata-se de um problema do Primeiro-Ministro.
"É um problema do Primeiro-Ministro", declarações de José Luís Carneiro aos jornalistas ontem à noite, depois de uma reunião do Secretariado Nacional do Partido Socialista, em Setúbal. José Luís Carneiro destaca, sobretudo, os elevados tempos de espera das cirurgias oncológicas. A ministra da Saúde admite que é um problema muito preocupante. Diz que o novo sistema de referenciação e a integração nas ULS deverão contribuir para reduzir esses tempos de espera.
O ministro da Defesa volta a defender a compra dos quatro helicópteros Black Hawk para emergência médica. Nuno Melo diz que a Força Aérea está a dar um passo em frente.
O ministro já tinha garantido que estes helicópteros podem ser utilizados para emergência médica e que podem aterrar em heliportos. Isto depois do jornal Público noticiar que só podem aterrar num único heliporto hospitalar. Nuno Melo volta a defender a compra dos aparelhos. Afirma que vão permitir salvar vidas e dar um passo em frente no setor da saúde.
Há um problema que está identificado. É preciso ajudar as pessoas, principalmente em circunstância de tragédia, através da emergência médica. E quando o problema está identificado, temos uma de duas possibilidades: ou não fazemos nada ou tentamos ajudar. E a Força Aérea dá um passo em frente porque não quer que fique tudo na mesma, porque quer prestar o seu auxílio. Sabemos que há muitos também quem queira que fique tudo na mesma, mas nós, na Defesa Nacional, estamos neste passo do lado certo da história.
Nuno Melo, no discurso de abertura do ano letivo da Academia da Força Aérea, que decorreu em Sintra. O ministro da Defesa assegura que a decisão de comprar quatro helicópteros da gama Black Hawk foi baseada em pareceres técnicos.
António José Seguro critica quem aproveita o 25 de Novembro para ser contra o 25 de Abril. O candidato à Presidência da República afirma que o país não precisa de mais divisões.
António José Seguro defende que se deve celebrar o 25 de Novembro, ainda que o PS tenha anunciado que este ano não vai integrar a comissão dos 50 anos da data e que vai ter um programa próprio. O candidato a Belém ressalva, no entanto, que o dia mais importante para a democracia em Portugal é mesmo o 25 de Abril.
O 25 de Novembro merece ser comemorado. Agora, não pode ser colocado ao mesmo nível daquilo que são as comemorações do 25 de Abril e muito menos ser aproveitado por algumas pessoas para ser contra o 25 de Abril. O 25 de Abril é o dia da nossa liberdade, é o dia fundacional e nós devemos encontrar datas e comemorações que nos unam como povo e como nação. É para isso que eu me candidato a Presidente da República, é para unir e não para dividir, porque já há extremismos e divisões demais.
António José Seguro a falar aos jornalistas durante o lançamento de um livro do Capitão de Abril, Vasco Lourenço. O candidato a Belém, apoiado pelo PS, recusou ainda comentar a recente troca de críticas entre Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes.
São agora 19h09, Carla, que outras notícias merecem destaque a esta hora?
A comissão política do PSD de Lisboa reuniu-se esta noite de emergência. O objetivo foi analisar o resultado da eleição para a Assembleia Municipal de Lisboa. Isto depois de Margarida Mano não ter sido eleita. Teve apenas 31 votos, quando o PSD, CDS e IL têm um total de 32 deputados municipais. A informação é confirmada ao Observador por Luís Newton, o presidente da concelhia social-democrata, que denuncia uma união da esquerda para subverter o resultado eleitoral. O governo lança hoje a Loja de Cidadão virtual. A plataforma reúne 150 serviços públicos e inclui também atendimento por videochamada. Passa assim ser possível tratar de assuntos como alterar a morada ou renovar a carta de condução online. Donald Trump já assinou a legislação que põe fim à paralisação da atividade administrativa do governo dos Estados Unidos. Isto depois da Câmara dos Representantes ter aprovado a lei. Foram 43 dias de shutdown, o mais longo da história dos Estados Unidos. Milhares de funcionários públicos ficaram sem salários ou subsídios. Foi alcançado no Congresso um acordo que resulta num orçamento provisório até 30 de janeiro. Hoje começa o julgamento do homem acusado de matar três pessoas numa barbearia na freguesia da Penha de França, em Lisboa. O triplo homicídio aconteceu em outubro de 2024. O homem disparou sobre o dono da barbearia e um casal, causou a morte dos três. A mulher estava grávida. O suspeito conseguiu fugir, mas acabou depois por se entregar às autoridades. O julgamento vai decorrer no Tribunal Central Criminal, no Campus da Justiça. A Seleção Nacional de Futebol joga hoje em Dublin contra a Irlanda. Se ganhar, garante já o apuramento para o Mundial do próximo ano. Um empate também pode ser suficiente, mas isto só se a Hungria não vencer o jogo na Arménia. O Irlanda-Portugal está marcado para às 19h45. Vai ter relato e comentários na Rádio Observador. E vamos ainda falar aqui da nossa vizinhança. Um dos cafés históricos de Lisboa, o Vavá, reabriu depois de ter estado fechado há mais de um ano.
É aqui em Alvalade, mas agora já não é café, é cervejaria.
É cervejaria, é verdade. Mudou o conceito, mas os novos donos mantiveram não só o nome, claro, mas também os azulejos muito icónicos da pintora Menezes, que ajudaram a tornar célebre este café.
Sim, foi durante anos o sítio preferido de intelectuais.
Como Fernando Lopes, José Cardoso Pires.
Ia perguntar se tu tinhas frequentado frequente.
Não, eu não.
Era muito frequente encontrar lá nomes da intelectualidade do país, das artes, logo desde a fundação, em 1958. O Vavá também serviu de cenário ao filme de Paulo Rocha, Os Verdes Anos, de 1963. E agora não se bebe um café.
Bebe-se uma cervejinha e um croquete.
Não se bebe um café, exatamente. Depende da hora.
Claro, mal seria.
Claro.