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Na cidade de Faro. Jornal das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. O pior da tempestade Leonardo já terá passado. A esta hora não há distritos em Portugal continental sob aviso laranja. A Proteção Civil registou apenas 70 ocorrências nas primeiras horas da manhã.
É o que consta no site da Operação Nacional de Emergência e Proteção Civil. A maioria foram quedas de árvores e inundações. Já contactada pela Rádio Observador, a Proteção Civil remete um balanço para mais tarde, às 08h. A maioria das ocorrências foi registrada na Grande Lisboa, nas regiões Oeste, Lezíria do Tejo, Coimbra e Península de Setúbal. Os Bombeiros Sapadores de Lisboa confirmam também que foram registradas dezenas de ocorrências.
Lisboa é uma das cidades sob aviso amarelo, tal como Setúbal, Évora, Beja, Santarém e Portalegre.
Que até à última hora estiveram sob aviso laranja, por isso foram tomadas algumas medidas. Na cidade de Lisboa, foi fechado o Túnel do Campo Grande, foram colocadas baias de segurança no Terreiro do Paço. A esta hora, todo o país está sob aviso amarelo por causa da chuva. Em Portugal continental, mantém-se o aviso laranja apenas para a agitação marítima. É um aviso que vai continuar até sábado à tarde. Quanto à chuva e consultando o site do IPMA, não há avisos meteorológicos nos próximos dias. O pico da tempestade Leonardo foi esta madrugada, entre as 5h e as 6h. O IPMA previa chuva constante e muito intensa, vento forte com rajadas acima dos 100 km/h.
Carla, e esta precipitação intensa faz aumentar o risco de cheias e inundações. É esse o cenário que temos visto nas últimas horas em Alcácer do Sal.
Onde o Sado já inundou a baixa da cidade. A maré alta foi há cerca de uma hora e meia. Com isso, a água subiu mais uns metros. Só é possível circular na baixa de Alcácer de barco. Ontem, à Rádio Observador, a Câmara Municipal adiantava que mais de 50 pessoas foram resgatadas. As autoridades continuam em prontidão, enquanto a água continua ainda a subir. E no local está o repórter Miguel Cordeiro. Miguel, bom dia. O que nos consegues descrever?
Muito bom dia. O que consigo descrever é uma baixa da cidade de Alcácer transformada num rio. O Sado galgou completamente as margens, subiu e temos a baixa da cidade completamente inundada. E eu diria à altura de uma pessoa, certamente, na parte da rotunda deste Largo 25 de Abril, onde podemos ver uma estátua. Essa estátua já está também debaixo de água, no centro da rotunda. Ainda ontem à noite, conversávamos com o vereador da Proteção Civil, que nos descrevia um cenário nunca antes visto.
Miguel, não estamos a conseguir ouvir o som que nos ias lançar.
Muito bem, prosseguimos, até porque tenho também comigo uma outra pessoa que nos pode ajudar a explicar aquilo que aqui se passa. Duarte Dimas, presidente da Junta da Freguesia de Santiago. É a freguesia que lida com esta inundação, com esta enorme cheia. Duarte, tem estado aqui durante a noite, chegou aqui também muito cedo. Isto é um cenário desolador.
É, como podemos constatar, é muito desolador. É quase um filme de terror. Eu fui descansar uns minutos a casa e a minha mente não saía deste cenário e não tenho palavras para descrever.
Tem estado em contacto com a população, com os fregueses. O que têm dito e o que têm dito também a si?
O que tem sido dito é que, primeiro, toda a gente está assustada, ninguém viu uma coisa destas e estamos a tentar lidar da melhor maneira. As pessoas estão a ser muito compreensivas, estão a colaborar, estão a ajudar, estão a oferecer imensa ajuda. Acho que mais não se pode fazer e temos de aguardar que as águas baixem e que consigamos avaliar os estragos e vamos pedir que não subam mais.
E está também em contacto com as autoridades, especialmente com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, sobre aquilo que são as previsões para as próximas horas. O que nos pode dizer em relação a isso?
As previsões dizem que agora nas primeiras horas do dia de hoje, a chuva vai dar umas tréguas e nós esperamos que aconteça. E também há uma janela de abertura no fim de semana. Se isso acontecer, se as previsões não mudarem, é excelente. Dá para avaliar e tentar baixar as águas, porque vão permanecer aqui mais uns dias.
Duarte Dimas, muito obrigado presidente da Junta de Freguesia de Santiago. Para já ainda é cedo, ao certo, para perceber quando é que a água vai deixar esta baixa da cidade de Alcácer do Sal. Neste local, GNR, Marinha, Bombeiros, membros da Proteção Civil, também alguma população curiosa já a esta hora. Está à minha frente um balcão de um banco parcialmente submerso. A nível de estradas, a Nacional 120, que liga à Grândola, que tem esta ponte na baixa da cidade, está completamente cortada. A Nacional 5, no cruzamento já com a Avenida dos Clérigos, aqui em Alcácer do Sal, a partir daí também cortada. À minha frente, alguns postes de eletricidade e alguns candeeiros que vão piscando, estão intermitentes, naturalmente. O rio subiu, levou tudo à frente. Há cadeiras, mesas, esplanadas completamente levadas com a força da água, que continua a correr, para já, sem previsão para baixar.
O rio galgar as margens de Alcácer do Sal. A reportagem em direto aqui com o Miguel Cordar, que vai ficar ao longo da manhã pelo local.
A chuva forte dos últimos dias está a deixar parte do país afetado. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos, mas há ocorrências noutros locais.
Destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e de estruturas, estradas, escolas e serviços de transporte encerrados. O Carlos Pedro tem estado a recolher informação e vamos perceber, Carlos, onde estão os maiores prejuízos e constrangimentos.
A começar com o número de desalojados. A Proteção Civil dá conta de 12 desalojados nas últimas 24 horas, só na região Oeste, mais concretamente em Arruda dos Vinhos. Vinte e duas pessoas foram retiradas de casa por prevenção em Torres Vedras. Isto devido ao risco de inundações provocadas pelo transbordo do rio Sizandro. As escolas vão estar encerradas também nos concelhos do Bombarral, Alenquer e Torres Vedras. E em Sesimbra, a via de acesso ao porto de abrigo está totalmente cortada. Todos os veículos e pessoas não podem passar, pelo menos até segunda-feira, até uma nova avaliação da Infraestruturas de Portugal. No concelho de Cascais, a queda de um teto falso no apartamento esta noite levou à evacuação de um prédio de 10 andares. Todos os moradores foram realojados.
E Carlos, os transportes públicos estão também a ser muito afetados.
Exatamente. As ligações fluviais no Tejo estão com condicionamentos. A operação da Transtejo entre Cacilhas e o Cais do Sodré esteve interrompida por causa das condições do mar. Foi retomada há instantes. Já nas ligações ferroviárias, o serviço na Linha do Norte está suspenso desde as 20h de ontem, devido a inundações na estação de Alfarelos. A mesma situação afeta também a Linha da Beira Alta e o ramal de Alfarelos. De acordo com o comunicado da CP, os serviços urbanos e regionais de Coimbra estão suspensos. Continua também suspensa a circulação ferroviária na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e na Linha do Sul, entre Ermidas do Sá e Grândola.
E agora com a informação também de que as Forças Armadas estão no terreno.
Em comunicado, o gabinete do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas revela que 44 botes estão preparados nas zonas de Coimbra, Tancos e Águeda. Há unidades de bombagem de água, carros de transporte de emergência e equipas de emergência para responder às cheias no distrito de Santarém. Foi também ativada a capacidade de resgate anfíbio no rio Lis e no Tejo. Mais de 2000 militares estão por esta altura no terreno.
Carlos Pedro, a percorrer o país com os efeitos do mau tempo, o governo decretou estado de calamidade até ao próximo domingo para 68 conselhos. Foi aprovado também um pacote de medidas de apoio até 2,5 bilhões de euros.
O governo diz que ainda é cedo para contabilizar os prejuízos causados pelo mau tempo. Ainda assim, há um número, Carla, 4 bilhões de euros.
E que excede, por muito, o montante das ajudas anunciadas pelo governo na semana passada, os tais 2,5 milhões de euros. Mas este valor dos prejuízos é ainda preliminar. Foi o que disse o ministro da Economia e da Coesão, Manuel Castro Almeida, ontem à noite, numa entrevista à RTP.
Uma estimativa preliminar, muito preliminar. Eu posso lhe dizer que tudo aponta que vai superar os 4 bilhões de euros. Portanto, juntando o dinheiro do governo, daquilo que vai ser o gasto público, aos gastos privados e às companhias de seguros, nós vamos chegar a um valor superior a 4 bilhões. Não levo em conta aquilo que nós podemos chamar de custos indiretos da tempestade na região Centro. Portanto, isto para dizer que do ponto de vista da economia, vai ser um abalo muito relevante.
Nesta entrevista à RTP, Castro Almeida justifica-se ainda por ter dito que as pessoas afetadas pela tempestade ainda tinham o salário do mês passado para fazer face aos danos. O ministro diz que foi uma escolha errada de palavras.
A E-Redes prometeu ao governo que 95% dos clientes vão ter a energia restabelecida no próximo sábado, uma informação que foi revelada ontem pela ministra do Ambiente.
Maria da Graça Carvalho remete para as palavras do presidente da E-Redes. A grande maioria das pessoas já vai ter eletricidade até o final da semana, mas este é um problema que apenas vai estar resolvido na totalidade no final do mês.
A E-Redes prometeu-nos que dia sábado, 95% de todos os clientes terão acesso à rede e no próximo, no outro sábado, dia 14, serão 98%. Portanto, ficará a falhar 2%. A 100%, o seu presidente hoje disse, em direto para as televisões, que se tudo correr normalmente, se não haver uma outra tempestade, porque, por exemplo, houve aqui durante a semana uma tempestade em que os números aumentaram. Portanto, há retrocessos. E se o tempo correr a nosso favor nesta reconstrução, até o fim do mês de fevereiro, tudo fica reposto a 100%.
A ministra do Ambiente revelou ainda que vai ser feito um estudo do custo-benefício para colocar parte da rede elétrica sob terra, por forma a prevenir efeitos de novas tempestades. Adianta que é uma solução que custa 15 vezes mais que a rede aérea. O mesmo já tinha dito ontem aqui de manhã pelo secretário de Estado da Energia, no explicador da Rádio Observador.
Apesar do mau tempo, a campanha continua hoje. André Ventura ruma ao Algarve, António José Seguro vai estar por Lisboa. O candidato apoiado pelo PS continua no apelo ao voto e pisca o olho aos eleitores que votaram em Marques Mendes e Gouvemelo na primeira volta.
Foi ontem à noite em Faro, António José Seguro contou com Macário Correia e com Ricardo Mariano, nomes ligados a outros candidatos na primeira volta. Graça Freitas, antiga diretora-geral da Saúde, revelou ontem também que vai votar em Seguro porque, diz, acredita que tem condições para ser um excelente presidente da República.
André Ventura avisa que se chegar a Belém, à Presidência da República, o Chega vai precisar de tempo para se reorganizar.
Foi ontem à noite, em entrevista à SIC, Ventura reitera que vai deixar a liderança do partido se vencer as eleições e diz que o Chega vai precisar de tempo para se reestruturar.
Eu acho que o presidente da República é o cargo político de chefia, de liderança de um país. E por isso, sempre entendi que não se deve confundir com a liderança de um partido. O povo português foi chamado a votar no dia 8, escolheu que eu estivesse na segunda volta, portanto, que fosse o candidato do direita mais votado. Isso deu-me uma enorme honra. Isso significa também que na escolha que fizerem, saberão que a decisão de um presidente da República terá um impacto de mudança em todo o sistema político e que para o Chega Obrigará, depois, a fazer uma escolha democrática de evolução. A segunda coisa que acho importante é dar ao Chega, como segundo maior partido, ou maior partido da oposição neste momento, a capacidade de, sem influência e sem interferência, escolher o seu rumo.
André Ventura, ontem à noite, em entrevista, o líder do Chega avisa os eleitores que terá de haver uma reconfiguração partidária à direita.
São agora 7:12. Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Um dos quatro consultores nomeados para o grupo de trabalho para a reforma do Estado é irmão do atual chefe de gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro. É uma notícia da TVI. Ainda assim, o governo descarta suspeitas de favorecimento e garante que a escolha decorreu com base na entrevista, no currículo e nas notas acadêmicas do candidato. O Banco Central Europeu anuncia hoje a decisão relativa às taxas de juro, nesta que é a primeira reunião do ano e que vai ter como fundo a valorização do euro. Pode voltar a trazer a discussão sobre um aumento da inflação, por isso os analistas não antecipam descidas, esperam que as taxas de juros se mantenham iguais. O Sporting recebe hoje o Aves. É um jogo em atraso dos quartos de final da Taça de Portugal. O vencedor vai marcar encontro nas meias-finais com o Futebol Clube do Porto. O jogo, em Alvalade, está marcado para às 20h45 e vai ter relato aqui na Rádio Observador.