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Jornal das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Luís Neves toma hoje posse como Ministro da Administração Interna. A cerimónia está marcada para esta manhã. Foi a escolha de Luís Montenegro para substituir Maria Lúcia Amaral depois das críticas por causa da resposta às tempestades.

A escolha foi conhecida este fim de semana. Surgiu com surpresa. Dentro do governo, fala-se mesmo de um coelho tirado da cartola. O nome de Luís Neves, até aqui director nacional da Polícia Judiciária, merece os elogios do PS. José Luís Carneiro fala numa personalidade forte. Já o Chega é mais cauteloso e anuncia que quer ouvir o novo responsável pela Administração Interna no Parlamento. Na análise, o redactor principal do Observador, Luís Rosa, elogia o nome, destaca as diferenças entre Luís Neves e a antecessora.

Ele não tem experiência política, mas tem um perfil claramente executivo, é um fazedor, alguém que gosta de liderar, alguém que gosta de motivar equipas. É também um bom organizador. Tem muita experiência de organização na PJ, mas a PJ é uma organização muito complexa, uma organização de âmbito nacional e também tem muita experiência na cooperação internacional, nomeadamente com polícias internacionais, mas também de sistemas de segurança internos europeus, que ele conhece bem essa área. E, curiosamente, isso pode ser importante, eventualmente, no Ministério da Administração Interna, ele tem uma cooperação muito conhecida com as Forças Armadas. Ele tem uma boa relação com os militares e também tem outra característica importante: é um bom comunicador.

Luís Rosa, na história do dia, o redactor principal do Observador aponta ainda alguns dos desafios para o próximo ministro, da gestão dos incêndios às negociações com os sindicatos da PSP e associações da GNR.

Ele não tem o mesmo conhecimento e a mesma experiência na área da protecção civil de combate aos fogos, que vão ser as duas grandes prioridades que ele vai ter a muito curto prazo e a curto prazo. Depois tem aqui uma questão que eu acho que é relevante e os sindicatos já começaram a falar disso, os sindicatos das polícias. Um dos grandes méritos dele como director nacional da Polícia Judiciária foi que reorganizou a PJ, fez com que o efectivo da PJ crescesse muito, de forma muito significativa, e aumentou os salários. E como é que conseguiu fazer isso? Porque conseguiu convencer o governo de António Costa a reforçar de forma muito significativa o orçamento da Polícia Judiciária. E há aquele famoso subsídio de risco para os inspectores da PJ, que fez com que eles tivessem um aumento salarial de €700 por mês. Ora, isso sempre foi visto com grande inveja por parte da PSP e da GNR, que reivindicaram o mesmo tratamento para as duas polícias.

Luís Rosa, na história do dia da Rádio Observador, esta é a primeira mudança no segundo governo de Luís Montenegro. A cerimónia de posse de Luís Neves está marcada para às 10h00, no Palácio de Belém.

Momento para acompanhar aqui na Rádio Observador e vai ser também o tema do Explicador. Contamos com o debate entre António Rodrigues, do PSD, Fernando Silva, do Chega, e Pedro Vaz, do PS. O Parlamento pode vir a adiar por mais uma semana as eleições para o Provedor de Justiça, Conselho de Estado e Tribunal Constitucional. Os partidos continuam sem conseguir chegar a um consenso.

O pedido desta vez terá partido do Chega, com a concordância do PSD. A notícia é avançada pela Agência Lusa, que cita fontes parlamentares. As eleições estavam marcadas para a próxima sexta-feira, dia 27 de fevereiro. O objectivo agora é adiar por uma semana para o dia 6 de março. Ora, para isso acontecer, nenhum dos partidos com assento parlamentar poderá manifestar oposição. O presidente da Assembleia da República terá, de facto, pedido aos grupos parlamentares que indiquem até hoje se aceitam ou não adiar as eleições para o Tribunal Constitucional, o Conselho de Estado e Provedor de Justiça. Desde o início desta legislatura, o Parlamento já marcou por várias vezes estas eleições, mas foram sucessivamente adiadas. Em causa está a falta de um acordo global entre PSD, Chega e PS.

António José Seguro vai evitar ter membros do Partido Socialista na futura Casa Civil e no Conselho de Estado. O novo presidente da República quer afirmar a independência como chefe de Estado.

As escolhas de António José Seguro para a Casa Civil devem reflectir a abrangência das mais de três milhões de pessoas que votaram nele. E o critério para as escolhas vai ser a competência e não o cartão partidário. Foi o que apurou o Observador junto de fontes do círculo mais próximo de António José Seguro. O novo presidente da República vai querer afastar a ideia de que a Casa Civil é uma secção do Largo do Rato, diz mesmo uma das fontes ouvidas. Para já, há apenas uma confirmação: Luís Sobral, antigo jornalista, ex-director-geral da Federação Portuguesa de Futebol. Ele foi o responsável pela comunicação durante a campanha. Agora transita para o gabinete do presidente eleito. O Observador sabe que António José Seguro também vai querer esta independência no Conselho de Estado.

Este é o artigo que faz manchete a esta hora no nosso site e é assinado pelo editor de política Rui Pedro Antunes. A ministra do Trabalho reúne-se esta manhã com a UGT e as quatro confederações empresariais para discutir as alterações à Lei do Trabalho. É mais uma tentativa de aproximação de posições depois de, na última quarta-feira, o encontro convocado por Maria do Rosário Palma Ramalho não se ter realizado.

Desta vez, a UGT já fez saber que vai estar presente e, tal como na semana passada, a CGTP não foi convocada para a reunião desta manhã. Este encontro surge depois de uma sucessão de reuniões técnicas. Em vez de encontros na concertação social, o Governo tem optado por reuniões bilaterais com os parceiros sociais. Chegados aqui, as posições parecem ainda distantes. A CGTP exige que o pacote seja retirado na íntegra e a UGT apresentou uma série de linhas vermelhas. João Gama.

O banco de horas, a contratação a termo, os despedimentos e o outsourcing são os principais temas que a central sindical considera inaceitáveis, a começar pelo banco de horas individual, uma medida que foi revogada pelo Executivo de António Costa e que o Governo de Luís Montenegro quer fazer regressar. A UGT entende que a proposta iria contribuir para a desregulação dos horários de trabalho. Outra medida sensível neste momento, as empresas que recorram a despedimentos coletivos ou por extinção do posto de trabalho estão impedidos de recorrer ao outsourcing por 12 meses. O Governo quer mudar esta regra, mas a UGT está contra.

João, a contratação a termo é outra das linhas vermelhas da central sindical liderada por Mário Mourão.

O Governo propõe estender a duração máxima dos contratos a prazo dos actuais dois para três anos ou de quatro para cinco, no caso de contratos a termo incerto, mas a UGT entende que isso tornaria o mercado de trabalho mais precário. Outro tema polémico tem a ver com a não integração de um trabalhador despedido de forma ilícita. Esta é a proposta do Governo que a UGT não aceita e além das linhas vermelhas, Carla, há ainda várias matérias a separar posições como os serviços mínimos, a semana de trabalho de 35 horas ou os limites à actividade sindical.

João Gama, com o que se para a UGT do governo num projeto de revisão da lei laboral que tem merecido muita contestação. Levou já à convocação de uma greve geral em dezembro, a primeira a juntar CGTP e UGT em mais de uma década. A reunião de hoje está marcada para às 9h30 no Ministério do Trabalho.

Portugal está entre os países da União Europeia com menos poder de compra, com especial destaque para a habitação. Os dados são revelados pela Pordata.

Numa comparação feita com os 27 países da União Europeia, Portugal surge abaixo na classificação no que diz respeito à carteira. Mas João Costa Campos, em detalhe, o que nos revelam estes números?

Comecemos pela habitação. A Pordata revela que Portugal é o segundo país da União Europeia onde os preços da habitação mais subiram nos últimos cinco anos, um aumento de 24%. Só fica atrás da Grécia, com um aumento de 29%. Quanto ao poder de compra, Portugal é o 17º país da União Europeia onde o cabaz de bens essenciais é mais barato. E embora Portugal tenha um custo de vida consideravelmente abaixo da média europeia, o poder de compra dos portugueses é também o sexto mais baixo na União Europeia. O rendimento médio anual em Portugal, em 2023, estava pouco acima dos € 1.000. E para termos uma noção, Carla, um salário médio português permitiria comprar o equivalente a 11 cabazes de bens essenciais, o que fica muito abaixo dos 24 cabazes que um luxemburguês conseguiria pagar.

E João, a Pordata dá-nos também números sobre a produtividade, também ela baixa.

A produtividade dos portugueses é a 19ª mais baixa a nível europeu. A média é que cada trabalhador português contribuiu cerca de €48 mil para o Produto Interno Bruto em 2024, um valor muito abaixo dos €194 mil na Irlanda, quatro vezes acima do que acontece em Portugal. No entanto, e apesar dos indicadores menos positivos, Portugal está entre os países com maior crescimento econômico entre 2020 e 2024, refere a Pordata. O PIB nacional cresceu 10%, o sexto maior crescimento em toda a União Europeia.

João Costa Campos, com os dados revelados hoje pela Pordata a indicar que Portugal está entre os países com menor poder de compra da União Europeia. Os dados mostram também que Portugal foi o país dos 27 onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, mas está longe de ser o país com a maior porcentagem de população estrangeira. Este ranking é liderado pelo Luxemburgo.

E destaque agora para a atualidade internacional. Os Estados Unidos confirmam que participaram e apoiaram a operação militar que resultou na morte de um dos líderes mais poderosos de um cartel mexicano.

As forças mexicanas anunciaram a morte de Nemésio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho. Era considerado uma das figuras mais violentas, mais procuradas pelo México e também pelos Estados Unidos. Liderava um cartel de narcotráfico. A porta-voz da Casa Branca confirma, entretanto, a partir da rede social X, o envolvimento da administração norte-americana nesta operação. Explica que os Estados Unidos deram informações que conduziram à captura e sublinha que Donald Trump está empenhado em combater o narcoterrorismo.

Carla, a operação militar que levou ao assassinato deste chefe de cartel desencadeou uma onda de violência em várias regiões do México.

Sim, com registro de bloqueios de estradas, de carros incendiados, sobretudo no estado mexicano de Jalisco. Os Estados Unidos e o Canadá apelam aos cidadãos para que evitem sair à rua nesta região. A presidente mexicana também pede à população para que mantenha a calma e que procure informação oficial. Nemésio Oseguera Cervantes era um dos líderes de cartéis mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam até 15 milhões de dólares pela captura.

São agora 7h10, Carla, que outras notícias estão em destaque neste início de semana.

Os Estados Unidos estão a considerar um ataque em duas fases ao Irão. Primeiro, um ataque inicial direcionado e depois uma operação maior para derrubar o regime iraniano num espaço de meses. Isto se as alternativas diplomáticas desta semana não funcionarem. É o que avança o New York Times. Há novas negociações entre Estados Unidos e Irão, previstas para a próxima quinta-feira, em Genebra, na Suíça. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reúnem-se esta manhã. Em cima da mesa vão estar dois temas: a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente. Os governantes vão decidir se impõem um novo pacote de sanções à Rússia e se avançam com medidas contra Israel, devido à expansão de colonatos na Cisjordânia. A reunião acontece também na véspera do quarto aniversário da guerra na Ucrânia. O Porto venceu o Rio Ave por 1 x 0. Os Dragões continuam assim líderes isolados do campeonato, a quatro pontos do Sporting e a sete do Benfica. Hoje o Famalicão recebe o Casa Pia, no fecho da jornada 23 do campeonato. E vamos falar ainda dos prêmios BAFTA. O filme Batalha Atrás da Batalha, de Paul Thomas Anderson, é o vencedor desta noite.

Venceu as categorias de melhor filme e melhor realizador dos prêmios de cinema britânicos.

Era um dos filmes mais nomeados. Confirmou esse favoritismo, mas vamos ouvir a Matilde Malva Sabino.

What I'm doing here is I'm creating a closed circuit.

O filme protagonizado por Leonardo DiCaprio era um dos filmes mais nomeados, com indicações em 13 categorias. Venceu também nas categorias de melhor ator secundário, o prêmio foi para Sean Penn, melhor argumento adaptado, melhor fotografia e melhor edição. Também estiveram em destaque Os Pecadores, de Ryan Coogler, que venceu os BAFTA de melhor atriz secundária pela prestação de Wunmi Mosaku, melhor argumento original e melhor banda sonora. E Annette foi distinguido nas categorias de melhor atriz pela atuação de Jessie Buckley e melhor filme britânico.

Steven Lockjaw with the Medal of Honor. You have to understand we're loved.

Um dos grandes vencedores, Batalha Atrás da Batalha, de Paul Thomas Anderson.

Já viram?

Eu comecei a ver.

Eu gostei muito.

Gostei muito também.

Eu gostei bastante também.

Também. Portanto, vocês também assistiram.

Eu vou a meio.

Dá para isso, são três horas de filme.

É muito grande.

É quase uma série. Só porque há sempre uma marca portuguesa em qualquer acontecimento grande. Uma nomeação para a categoria de melhor som do lusodescendente Nelson Ferreira, pelo trabalho no filme Frankenstein.

Não é o nosso.

É de todos nós.

Podia ser.

O filme? O Frankenstein.

Fica aqui um grande abraço para o Nelson Ferreira.

Para os dois.

Para o Frankenstein também.