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Morreu Jorge Palma, um dos maiores nomes da música portuguesa. O cantor e compositor tinha 76 anos.

Autor de temas como este, "Deixa-me Rir", Jorge Palma morreu ontem à noite vítima de uma paragem cardiorrespiratória. O anúncio foi feito pela família, através de uma publicação nas redes sociais. A mulher, os filhos e os managers de Jorge Palma falam numa dor incalculável e numa perda profunda, depois de uma carreira com mais de 50 anos. A família pede que Jorge Palma seja lembrado pelas canções e palavras.

E Carla, multiplicam-se as reações e homenagens a Jorge Palma. As reações surgiram, sobretudo, do poder político.

Foram as primeiras, com mensagens que recordam as canções e o carisma do artista. Teresa Freire.

Luís Montenegro foi dos primeiros a reagir assim que se soube da notícia. Na rede social X, o primeiro-ministro lembra a arte de Jorge Palma, que fica na memória de várias gerações. Luís Montenegro diz que o cantor ajudou a transformar a cultura portuguesa. Escreve que Jorge Palma parte, mas a música fica. O ministro dos Negócios Estrangeiros escreve no X que fica a voz, os poemas e o carisma de Jorge Palma. Para Paulo Rangel, o que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele. O secretário-geral do Partido Socialista recorda nas redes sociais um dos maiores músicos e compositores portugueses e a obra extraordinária que ficará na memória coletiva do país. Para José Luís Carneiro, Jorge Palma era um homem livre, de criatividade singular e de autenticidade rara.

Teresa, ainda é muito cedo. A notícia da morte de Jorge Palma tem poucas horas, mas já há reações que surgem na própria publicação que a família fez a anunciar a morte do cantor.

Na seção de comentários, são inúmeras as personalidades que reagem com tristeza e que agradecem a Jorge Palma. Destaque para a Sala de Espetáculos do Porto, que escreve que a voz, o piano e a guitarra de Jorge Palma ainda ecoam nas paredes e memórias. O compositor António Zambujo fala de uma enorme tristeza e o cantor Diogo Clemente deixa no Instagram um obrigado ajoelhado a Jorge Palma. Recorda a generosidade e o amor do cantor com quem partilhou palcos. O humorista Marco Horácio escreve no Instagram que não perdemos ninguém. Diz que Jorge Palma está vivo, e bem vivo, na memória de todos os que ousaram sonhar.

Teresa Freire, com as primeiras reações que estão a surgir à morte de Jorge Palma. O cantor e compositor tinha 76 anos. Não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória.

E ao longo da vida, Jorge Palma recebeu inúmeros prêmios e condecorações. Em abril deste ano, recebeu o Prêmio Carreira dos Play, os prêmios da música portuguesa.

Num discurso de cravo ao peito, o cantor recordou o 25 de Abril e pediu a valorização da cultura em Portugal.

O atual primeiro-ministro, há uns tempos, disse que a cultura em Portugal é sistematicamente menosprezada, subvalorizada. Estou à espera que se faça, de facto, uma reforma eficaz, para que as nossas forças não se gastem em vão. Malta, não podemos deixar que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe. Temos que reinventar o espírito de Abril, sempre. Liberdade, democracia, justiça. Malta, mãos à obra, vamos fazer deste país uma coisa que merece ser melhor.

O excerto do discurso de Jorge Palma quando recebeu o Prêmio Carreira dos Play, os prêmios da música portuguesa.

E recordamos agora uma entrevista de Jorge Palma ao Observador em 2022. Na altura, o cantor e compositor estava a celebrar 50 anos de carreira com uma série de concertos.

E em cada atuação recordava as histórias de um álbum. Foi este o mote para uma longa entrevista de vida de Jorge Palma ao jornalista do Observador, Gonçalo Correia. O cantor e compositor começou por recordar o exílio na Dinamarca, onde escreveu e gravou o primeiro disco em inglês. Quando voltou a Portugal, depois do 25 de Abril, fez tudo novamente, mas em português.

Já tinha o disco todo feito na cabeça e na pauta. E as letras em inglês. O que acontece? Ao 25 de Abril, eu acabo por voltar, no verão de 74. E digo: "Porra, então eu vou fazer o primeiro álbum em Portugal, em inglês. Quase ninguém fala inglês. É um disparate". Então comecei a fazer uma retroversão pra português, mas que já não tinha nada a ver com as letras do Ari, porque no fundo eram estilos diferentes.

Não podia ser em inglês. Falamos de "Com uma Viagem na Palma da Mão". Nesta entrevista ao Observador, uma entrevista de 2022, Jorge Palma lembra que na altura o disco não teve o sucesso esperado.

Eu não sei se eles chegaram a editar 500. Provavelmente, não Eu acho que só ofereci muitos discos à família e amigos e não sei se terá vendido 10.

Muito pouco.

Não sei como é que foram as vendas, mas não houve promoção nenhuma. Estamos em pleno verão de 75, politicamente isto estava um alaré. Esse disco, na altura, praticamente ninguém ficou a conhecer. Mas para mim é um disco que eu amo profundamente.

Um disco que terá vendido 10 exemplares. O cantor e compositor recorda ainda a altura em que tocava nas ruas de Paris e gastava as moedas num famoso café que na época juntava outros artistas.

Carla, Jorge Palma conta também a história de uma das músicas mais conhecidas, "Encosta-te a Mim".

É talvez uma das canções que é mais cantada, mais reproduzida, mas Jorge Palma explica que na altura o próprio a desvalorizou. Só quando a mostrou a outros artistas como Rui Veloso ou Atim é que percebeu o potencial.

Quando eu dizia uma balada assim: "Estás maluco? Essa música eu não escrevi o arranjo". Os músicos entenderam. Quando eles gravaram a base toda, eu nem sequer estava no estúdio, estava no hotel no Porto.

Começou um bom jantar depois disso.

Estava a dormir e no dia seguinte quando cheguei ao estúdio, eu vi aquela beleza. Obrigado.

Obrigado, sim, nós. Excertos de uma entrevista devida de Jorge Palma ao Observador em 2022, ao jornalista de cultura Gonçalo Correia, a propósito dos 50 anos de carreira. Uma carreira marcada por canções e por palavras que mudaram a história da música em Portugal. Miguel Pina Andrada.

Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira discos reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela mãe, que também tinha estudado música. Entrou para o conservatório com seis anos e nos 70 seguintes viveu e deu lume à música e à cultura portuguesa. Em 1972 estreou-se na língua inglesa, a solo, com o single "The Nine Billion Names of God", inspirado num conto de Arthur C. Clarke. O pagamento chegou na forma de uma máquina de lavar roupa e um frigorífico. Na altura, o que movia Jorge Palma eram miúdas, festa, um verdadeiro fora da lei. Embora a carreira comece a ser cantada em 1972, o percurso da música começou oito anos antes, aos 14, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop rock.

Eu neste momento, com a distância que tenho, vejo que foi uma encruzilhada. Eu podia ter virado por esse caminho, mas não. Eu decidi cortar completamente com a música clássica e com a perspectiva de me tornar menino prodígio. Sofri muito. Eu se tivesse ido por aí, neste momento era uma pessoa totalmente diferente. Era realmente o contrário de mim. Acho que era muito mais saudável.

Não foi só que fez a caminhada na música. Nos mais de 50 anos de carreira, Jorge Palma colaborou com outros artistas em projetos como o Palmas Gang, banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos e Pontapés, e Flak e Alex Cortes, dos Rádio Macau. Cantou ainda com José Mário Branco, com os Blind Zero e deu concertos com Sérgio Godinho. Após o 25 de abril de 74, regressa a Portugal, começa a trabalhar como orquestrador e no ano seguinte edita o primeiro álbum, "Como uma Viagem na Palma da Mão". Depois deste primeiro álbum, gravou mais três originais e cada um corresponde a um momento da vida de Jorge Palma. No meio, o cantor andou pelo lado errado da noite. Jorge Palma assumia publicamente a longa batalha com o alcoolismo. Em 2023, dizia ao público que tinha essa doença, esse handicap. "O Lado Errado da Noite" foi lançado em 1985, incluía o single "Deixa-me Rir". Deixou-se rir e deixou-se ir na vida académica. Em 1990, termina os estudos de piano no conservatório e logo a seguir grava "Só", editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita apenas ao piano canções dos discos das duas décadas anteriores. O álbum mais recente, "O derradeiro Vida", foi editado em 2023. Dois anos depois, estreou o espetáculo "Três Palmas na Mão", no qual se apresenta em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. Em abril deste ano, foi distinguido com o Prémio Carreira dos Prêmios da Música Portuguesa.

Muito obrigado a todos que ao longo da vida me têm ajudado, ensinado, tratado e curado. Estou a falar, por exemplo, dos médicos, enfermeiros, auxiliares técnicos, que trabalham no Serviço Nacional de Saúde, com os meios que têm

Uma viagem de Miguel Pina Andrade pela vida e obra de Jorge Palma, que morreu ontem à noite, aos 76 anos.

Ao longo desta edição das manhãs 360, vamos continuar a recordar a vida e a obra de Jorge Palma. Esta é uma notícia naturalmente também em destaque no site do Observador. 7:12, Carla, que outras notícias estão em destaque? Está dominado o incêndio que tinha começado ontem à tarde em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo. Durante a tarde, chegaram a ser mobilizados 11 meios aéreos para o combate às chamas. De acordo com a Proteção Civil, o incêndio consumiu uma zona de floresta com algumas aldeias nas proximidades. O fogo entrou em fase de resolução esta madrugada. Continuam no terreno 200 operacionais apoiados por 70 viaturas. Donald Trump e Volodymyr Zelensky têm hoje um encontro previsto em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU. A energia vai estar no centro da conversa. O presidente norte-americano deve pressionar o presidente ucraniano para travar os ataques às refinarias e a outras instalações energéticas russas. O encontro acontece no dia em que arranca o debate geral da sessão número 81 da Assembleia Geral da ONU. Vai contar com a presença de 116 chefes de Estado e de Governo. Portugal vai estar representado pelo Primeiro-Ministro. Luís Montenegro vai discursar apenas na quinta-feira à tarde. A sessão termina na próxima segunda-feira e é a última para António Guterres enquanto secretário-geral das Nações Unidas. Estamos a recordar Jorge Palma. No dia da morte do autor, celebramos a obra.

Carla, "Deixa-me Rir" é um tema de 1985, mas podemos dizer que é intemporal, mas é um dos maiores sucessos de Jorge Palma.

É sim, faz parte do álbum "O Lado Errado da Noite". Consolidou o estatuto de Jorge Palma como um dos maiores do panorama português, mas ao mesmo tempo que Jorge Palma gravava e fazia sucesso com estes temas, estava também a frequentar a Escola de Música do Conservatório Nacional. Foi lá que concluiu, em 86, o Curso Geral de Piano.