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Oito e dois.
As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge de Carvalho. Estados Unidos e Irão chegam a acordo para o fim dos ataques no Médio Oriente e a reabertura do Estreito de Hormuz. O entendimento já foi confirmado por ambos os países e já há data para a assinatura formal.
Sexta-feira, na Suíça. A notícia foi recebida com grande alívio nos mercados internacionais e pouco a pouco vão-se somando as reações ao memorando de entendimento conseguido entre Washington e Teerão. O anúncio partiu primeiro do Paquistão, o país que tem mediado as negociações. Depois, várias publicações nas redes sociais de Donald Trump e, mais recentemente, a confirmação do governo iraniano. Numa entrevista à televisão estatal, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, diz que o acordo foi alcançado, apesar da desconfiança no inimigo.
Por enquanto, o texto de memorando de entendimento foi finalizado. A assinatura formal está prevista para sexta-feira e a Suíça está a ser considerada para o local do evento. Este memorando foi alcançado apesar da nossa total desconfiança em relação aos nossos inimigos. Não confiamos no inimigo. A nossa confiança reside na nossa força militar, nas nossas capacidades diplomáticas e no apoio do nosso povo. É por isso que a implementação deste memorando é extremamente importante. Temos planos específicos em vigor para monitorizar a implementação dos compromissos assumidos com os Estados Unidos.
Antes disso, foi o presidente dos Estados Unidos a confirmar o acordo para a assinatura de um memorando de entendimento.
A assinatura formal do acordo está então agendada para sexta-feira. Ainda não será o acordo final, Carla, porque segue-se depois um período de negociações de 60 dias.
São dois meses de discussão para fechar os termos do acordo de paz, sendo que um dos pontos fundamentais diz respeito à reabertura do estreito de Hormuz, que, Carlos Pedro, acontece já na sexta-feira.
E aí o Irão compromete-se a reabrir o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início da guerra em fevereiro. Por seu lado, os Estados Unidos levantam o bloqueio aos portos iranianos num processo que deve ficar completo em 30 dias. Washington levanta também as sanções ao petróleo e com isto liberta 25 mil milhões de dólares de ativos iranianos que estavam bloqueados. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e os aliados regionais comprometem-se a preparar um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irão.
Outro dos pontos mais discutidos é a questão do nuclear. Importa, por isso, saber, Carlos, o que é que diz este acordo de entendimento sobre a matéria.
Diz-nos que Teerão aceita não só não desenvolver armas nucleares, como manter o atual estado do programa nuclear, portanto, sem reforçar o enriquecimento de urânio. Quanto ao destino dos estoques de urânio enriquecido, é um processo para ser negociado nos próximos dois meses. Este acordo aponta também para um levantamento gradual das sanções aplicadas pelos Estados Unidos e pelos aliados, de acordo com o calendário negociado. Alemanha, França e Reino Unido já se mostraram mesmo disponíveis para acelerar este processo.
O entendimento entre Estados Unidos e Irão é notícia em todo o mundo, por isso começam a chegar também as reações de vários líderes mundiais. E o sentimento é unânime, Carlos, muita satisfação.
A começar pelos responsáveis europeus. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, diz que agora é importante resolver a questão nuclear e aponta para o papel que a União Europeia pode ter nestas negociações. Com as mesmas preocupações, o acordo é também saudado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. O tema é discutido hoje na Cimeira do G7. Foi o que garantiu ontem o presidente francês Emmanuel Macron, que por sinal recebe hoje em França Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, que ao jornal norte-americano New York Times deixou uma ameaça dirigida a Teerão. Diz que pode retomar os ataques contra o Irão caso não haja acordo final.
Carlos Pedro, com as reações e também os termos do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão. O memorando de entendimento é assinado esta sexta-feira na Suíça.
E perante o entendimento alcançado entre Estados Unidos e Irão, pode haver uma descida acentuada do preço dos combustíveis já na próxima semana.
É o que prevê o analista de mercados Pedro Lino. Apesar de não ser provável que o preço do barril de petróleo desça de forma significativa, pode começar a sentir-se um alívio já na próxima semana.
O preço do petróleo não deve baixar muito mais do que o renascimento a 80 dólares, deve baixar até aos 75, quanto muito. Antes do conflito, trouxe à volta dos 75 dólares. Isto porque houve uma disrupção grande e não é possível voltarmos a produzir a mesma quantidade de barris de petróleo. E agora resta perceber como é que este escoamento vai ser feito. Mas pelo menos vamos ter um alívio muito substancial e já não é aquela pressão do preço acima dos 100 dólares. Por isso, para a semana, finalmente vamos ter um grande alívio no preço dos combustíveis.
Análise de Pedro Lino na última hora aqui na Rádio Observador. O analista diz que os mercados europeus devem, por isso, abrir já em alta esta segunda-feira.
Falamos agora sobre o Mundial de Futebol. O treino da seleção portuguesa foi cancelado devido a um aviso de tempestade em Miami.
A equipa portuguesa foi obrigada a recolher para local seguro perante o agravamento das condições climatéricas. Um aviso de tempestade que apontava para chuva intensa, trovoada e a possibilidade de queda de raios. O enviado especial do Observador ao Campeonato do Mundo, Miguel Cordeiro, explica o que aconteceu.
Os jornalistas começaram a perceber isto um pouco cedo, porque houve muitos jornalistas que chegaram cedo à conferência de imprensa. A Federação Portuguesa de Futebol pediu para que fossem para os carros porque estava a começar a ser ativado esse protocolo de segurança para tempestades. Os jornalistas recuaram. Depois receberam a informação que a conferência de imprensa não se iria realizar. O treino ainda estava condicionado, iam esperar para perceber se era possível treinar. E depois, já passado alguns minutos da hora prevista para o treino, recebemos essa informação de que não houve treino. Os jogadores fizeram apenas ativação num pavilhão.
O relato é do jornalista Miguel Cordeiro no Diário do Mundial desta manhã. A sessão de trabalho da equipa de Roberto Martinez para hoje também sofreu alterações. A equipa vai treinar da parte da tarde, por volta das 15h, hora de Lisboa.
São 8:08, Carla. Antes dos Momentos de Glória, que outras notícias há a destacar?
A Ucrânia sofreu esta madrugada um ataque em massa da Rússia. Pelo menos nove pessoas morreram e 30 ficaram feridos. Entre os alvos atingidos estão uma catedral e ainda o Mosteiro das Cavernas de Kiev. É um dos mais importantes locais religiosos da Ucrânia. É patrimônio da UNESCO. As forças russas atingiram também várias zonas residenciais em Kiev, Kharkiv e Sumy. Para hoje está marcado no Tribunal Central a leitura do acórdão do caso Odair Moniz. Na última sessão do julgamento, o Ministério Público pediu a condenação do agente Bruno Pinto por considerar que não agiu em legítima defesa ao ter atingido a tiro o cidadão cabo-verdiano na Cova da Moura.