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Tom 8 e 1.

Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.

Começamos este jornal com a morte de Jorge Palma. O Presidente da República lembra um ícone e descreve o cantor e compositor como um dos grandes poetas da nossa música. António José Seguro acaba de reagir à morte de Jorge Palma, conhecida ontem à noite. Numa publicação no site da presidência, o chefe de Estado escreve que as canções de Jorge Palma vão ficar como uma recordação intensa e profunda. Jorge Palma morreu ontem à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. O anúncio foi feito pela família, através de uma publicação nas redes sociais. A mulher, os filhos e os managers de Jorge Palma falam numa dor incalculável, numa perda profunda, depois de uma carreira com mais de 50 anos. Uma carreira marcada por inúmeros temas de sucesso, prêmios e condecorações. Jorge Palma entrou no conservatório com apenas 10 anos, mas foi ainda antes que teve o primeiro contacto com a música. Miguel Pina Andrade.

Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira-discos, reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela mãe, que também tinha estudado música. Entrou para o conservatório com seis anos e nos 70 seguintes viveu e deu lume à música e à cultura portuguesa.

Iluminaste o Pavilhão na aurora, com o teu passe inseguro.

Com o passe inseguro, estreou-se na língua inglesa em 1972, a solo, com o single "The Nine Billion Names of God", inspirado num conto de Arthur C. Clarke. O pagamento chegou na forma de uma máquina de lavar a roupa e um frigorífico. Na altura, o que movia Jorge Palma eram miúdas, festa, um verdadeiro fora da lei.

Vou falar-vos de um curioso personagem, Jeremias, o fora da lei.

Embora a carreira comece a ser cantada em 1962, o percurso da música começou oito anos antes, aos 14, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop rock.

Eu neste momento, com a distância que tenho, vejo que foi uma encruzilhada. Eu podia ter virado por esse caminho, mas não. Eu decidi cortar completamente com a música clássica e com a perspetiva de me tornar menino-prodígio. Sofri muito. Se eu tivesse seguido por aí, neste momento era uma pessoa totalmente diferente. Era realmente o contrário de mim. Acho que era muito mais sóbrio.

Não foi só que fez a caminhada na música. Nos mais de 50 anos de carreira, Jorge Palma colaborou com outros artistas em projetos como o Palmas Gang, banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos e Pontapés, e Flak e Alex Cortes, dos Rádio Macau. Cantou ainda com José Mário Branco, com os Blind Zero e deu concertos com Sérgio Godinho. Após o 25 de abril de 74, regressa a Portugal, começa a trabalhar como orquestrador e no ano seguinte edita o primeiro álbum, "Como uma viagem na palma da mão". Depois deste primeiro álbum, gravou mais três originais e cada um corresponde a um momento da vida de Jorge Palma.

Em que o tempo não passou.

Por meio, o cantor andou pelo lado errado da noite.

Santa Apolónia lotada magotes de gente.

Jorge Palma assumia publicamente a longa batalha com o alcoolismo. Em 2023, dizia ao público que tinha essa doença, esse handicap. "O lado errado da noite" foi lançado em 1985, incluía o single "Deixa-me rir".

Deixa-me rir.

Deixou-se rir e deixou-se ir na vida académica. Em 1990, termina os estudos de piano no conservatório e logo a seguir grava "Só", editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita apenas ao piano canções dos discos das duas décadas anteriores. O álbum mais recente, "O derradeiro vida", foi editado em 2023. Dois anos depois, criou o espetáculo "Três Palmas na Mão", no qual se apresenta em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. Em abril deste ano, foi distinguido com o Prémio Carreira dos Prémios da Música Portuguesa.

Muito obrigado a todos que ao longo da vida me têm estudado, ensinado, tratado e curado. Estou a falar, por exemplo, dos médicos, enfermeiros, auxiliares técnicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde com os meios que têm. Que as nossas forças não se gastem em vão. Malta, não podemos deixar que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe. Temos que reinventar o espírito de Abril, sempre

Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso em 2002 com "Jorge Palma" e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum "Com Todo o Respeito". Em 2020, Jorge Palma recebeu a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos 70 anos, e foi condecorado pelo então presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Miguel Pina Andrade com a vida e obra de Jorge Palma, mais de 50 anos de carreira. O cantor e compositor morreu ontem à noite, aos 76 anos.

Carla, ao longo das últimas horas têm surgido cada vez mais homenagens ao cantor e compositor.

Com mensagens que recordam as canções e também o carisma do artista. Com destaque agora para o presidente da República, Teresa Freire.

Para o presidente da República, Portugal despede-se agora de um grande poeta, criador e intérprete de exceção. Numa longa nota de condolências no site da presidência, António José Seguro diz que recebeu a notícia com enorme tristeza, choque e consternação. Revela que estava previsto que este ano Jorge Palma participasse na Festa do Livro, em Belém, mas já não o pôde fazer devido ao seu estado de saúde. O presidente da República escreve que Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza, que construiu uma utopia de amizade, do amor, da generosidade e do riso. Por tudo isto, Seguro acredita que as canções de Jorge Palma vão iluminar a memória de várias gerações. O chefe de Estado apresenta ainda as condolências tanto à família como a todos os artistas que estiveram de alguma forma ligados a Jorge Palma.

E também, Teresa, há reações por parte do governo.

A ministra da Cultura agradeceu esta manhã a Jorge Palma pelo legado único deixado por temas inesquecíveis. Na rede social X, Margarida Balseiro Lopes recorda o cantor como uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas. Ainda ontem à noite, Luís Montenegro foi dos primeiros a reagir, assim que se soube da notícia. Na rede social X, o primeiro-ministro lembra a arte do compositor, que fica na memória de várias gerações. Luís Montenegro diz que o cantor ajudou a transformar a cultura portuguesa. Escreve que Jorge Palma parte, mas a música fica. O ministro dos Negócios Estrangeiros escreve no X que fica a voz, os poemas e o carisma de Jorge Palma. Para Paulo Rangel, o que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele. O secretário-geral do Partido Socialista recordou nas redes sociais um dos maiores músicos e compositores portugueses e a obra extraordinária que ficará na memória coletiva do país. Para José Luís Carneiro, Jorge Palma era um homem livre, de criatividade singular e de autenticidade rara.

São muitos os elogios, Teresa. Há também reações que surgem na própria publicação que a família fez a anunciar a morte de Jorge Palma.

Na seção de comentários, são inúmeras as personalidades que reagem com tristeza e que agradecem a Jorge Palma. Destaque para a Sala de Espectáculos do Porto, que escreve que a voz, o piano e a guitarra de Jorge Palma ainda ecoam nas paredes e memórias. O compositor António Zambujo fala de uma enorme tristeza. O músico Samuel Úria publicou nas redes sociais um vídeo com uma versão da canção "Beijos e Papas de Leite", de Jorge Palma, e escreve que o que hoje perdemos não é sequer do domínio do dizível. O compositor Diogo Clemente deixa no Instagram um obrigado ajoelhado a Jorge Palma. Recorda a generosidade e o amor do cantor. O humorista Marco Horácio escreve no Instagram que não perdemos ninguém, que Jorge Palma está vivo e bem vivo na memória de todos os que ousaram sonhar.

Teresa Freire está a acompanhar as reações que vão surgindo à morte de Jorge Palma, aos 76 anos. Não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória.

E recordamos agora uma entrevista de Jorge Palma ao Observador em 2022. Na altura, o cantor e compositor estava a celebrar 50 anos de carreira com uma série de concertos e em cada atuação recordava as histórias de um álbum.

E foi este o mote para uma longa entrevista de vida de Jorge Palma ao jornalista do Observador, Gonçalo Correia. O cantor e compositor começou por recordar o exílio na Dinamarca, onde escreveu e gravou o primeiro disco em inglês. Quando voltou a Portugal, depois do 25 de Abril, fez tudo novamente, mas voltou à língua-mãe.

Já tinha o disco todo feito na cabeça e na pauta. E as letras em inglês. O que acontece? Há o 25 de Abril, eu acabo por voltar, era no verão de 74. E digo: "Porra, então eu vou fazer o primeiro álbum em Portugal, em inglês". Quase ninguém fala inglês. É um disparate. Então comecei a fazer uma retroversão para português, mas já não tinha nada a ver com as letras do Ari, porque eram estilos diferentes.

Falamos de "Com uma Viagem na Palma da Mão", nesta entrevista, em 2022, ao Observador. Jorge Palma lembra que na altura o disco não teve o sucesso esperado, com muito poucos exemplares vendidos.

Eu não sei se eles chegaram a editar 500. Provavelmente não. Eu acho que só ofereci muitos discos à família e amigos e não sei se terá vendido 10.

Muito pouco.

Não sei como é que foram as vendas, mas constante. Não houve promoção nenhuma. Estamos em pleno verão de 75. Politicamente, isto era um alar é. Portanto, esse disco, na altura, praticamente ninguém ficou a conhecer. Mas para mim é um disco que eu amo profundamente.

O cantor e compositor recorda ainda a altura em que tocava nas ruas de Paris e gastava as moedas que conseguia num famoso café que na época juntava outros artistas. Ao longo desta edição das manhãs de 360, vamos continuar a recordar a vida e a obra de Jorge Palma. Esta é uma notícia naturalmente também em destaque no site do Observador. 08h13, Carla, que outras notícias estão em destaque? Mais de 80 concelhos de nove distritos estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. O IPMA colocou também quase todos os concelhos de todos os distritos do continente em perigo muito elevado e elevado de incêndio. Isto num dia em que as temperaturas máximas vão continuar acima dos 30 graus na generalidade do território. Quinze distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do calor. Destaque também para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que começa hoje e que junta em Nova Iorque 116 chefes de Estado e de governo, incluindo o primeiro-ministro português. A sessão termina na próxima segunda-feira e é a última para António Guterres, enquanto secretário-geral da ONU. À margem desta assembleia, está previsto também um encontro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Vamos recordar ainda neste jornal que já está disponível o segundo episódio do podcast Plus do Observador. Conta a história de Annie Silva Pais, filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana. Chama-se "Os Escândalos de uma Revolucionária" e revela a história da filha única de Fernando Silva Pais, um dos homens mais próximos de Salazar. Foi com Raymond Kendoche, o diplomata suíço que conheceu em Lisboa através de uma amiga, que Annie Silva Pais se mudou para Havana.

Procura a redação do Diário de Notícias. O edifício é grande e dá nas vistas. Enche-se de coragem e dirige-se à zona dos anúncios. O diplomata quer publicar um que diga: "Cavalheiro deseja conhecer senhora para excursões, piqueniques e camping". O funcionário do DN acha o anúncio esticado, impossível de publicar. Sugere algo mais sóbrio, como: "Cavalheiro estrangeiro deseja conhecer senhora para falar português".

É um excerto do segundo episódio de "Os Escândalos de uma Revolucionária". É o novo podcast Plus do Observador. Uma série narrada pela atriz Bárbara Branco, com música original de Frankie Chavez. A investigação e os guiões são da jornalista do Observador, Inês André Figueiredo. Mas Carla, é a notícia, a morte de Jorge Palma, que está a marcar esta manhã. E como o próprio dizia, enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar.

Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar.

É um hino à esperança e à resistência, lançado em 1982, no álbum duplo Ato Contínuo. Já foi interpretado de várias formas, com muitos artistas e, Carla, continua a ser uma das maiores canções de Jorge Palma, que recordamos aqui também hoje.

Todos nós pagamos por tudo o que usamos. O sistema é vil e não poupa ninguém, não. Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades, se queres passar bem. Que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo. E a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo. Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.