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As notícias com o jornalista Luís Soares. Mais de 80 imigrantes estão a fazer fila à porta dos Serviços Consulares do Porto esta manhã. Apesar das medidas tomadas pelo governo, muitos levaram cobertores e mantimentos para passarem a noite.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros reforçou as equipes e prolongou os horários de atendimento para dar resposta à elevada afluência aos serviços consulares, tanto em Lisboa como no Porto, mas as filas mantêm-se. A maioria dos imigrantes tenta obter um certificado de registro criminal. É um documento necessário para a AIMA dar início ao processo de legalização em Portugal. A jornalista Maria Rego está desde bem cedo na Direção-Geral dos Assuntos Consulares no Porto e, Maria, nestas últimas horas a fila tem vindo a aumentar.

Exatamente, Luís. A fila, como dizias, já conta com 80 imigrantes aqui à porta. Comigo tenho Lídia Miranda, uma destas pessoas que aqui se encontra. Pergunto-lhe, Lídia, a que horas chegou aqui hoje de manhã?

Eu cheguei aqui eram 4h da manhã.

E qual é o seu lugar na fila?

Sou o número 53.

E como é que vê esta situação? Às quatro da manhã, quando chegou, de certeza que ainda havia gente aqui a pernoitar. Como é que vê toda esta situação e o estado a que chegou esta fila?

Bastante constrangedora, até porque hoje houve uma melhoria em termos de número de pessoal, porque já esteve bem pior. Espero que hoje haja uma solução para isso, porque quando eu cheguei encontrei pessoas aqui que dormiram, passaram cá a noite.

E a Lídia veio de onde para estar aqui?

Na região de Portugal, vim de Aveiro. De Aveiro para aqui são praticamente uma hora. Quer dizer que eu levantei muito mais cedo que é para estar aqui.

E teve que pedir ao seu patrão também para ter este dia. Tinha-me dito há pouco que existem patrões que não conseguem perceber muito bem esta razão.

Exatamente, tive que pedir, conforme eu disse, existem entidades patronais que não compreendem porque você na empresa está em fase experimental, por exemplo, e ter que faltar dois, três dias sem ter como justificar, é meio que cansativo, porque nós muitas das vezes não chegamos de entrar e não há como justificar isso. Como é que nós vamos justificar se não estamos dentro da instituição? Como é que vamos justificar que realmente estivemos cá, se não estamos dentro da instituição? É só por isso.

E esta é a segunda vez que você vem até aqui, certo?

Exatamente, tanto que eu dei entrada ao meu documento na AIMA sem estar com o documento reconhecido. Tive que dar entrada assim que é para não perder o agendamento.

E o que isso implica agora? Quanto tempo é que tem para conseguir então agora este carimbo do registo criminal?

Eu tenho 10 dias, que é para eu poder dar entrada a isso. Contando que o dia de hoje, tenho 10 dias.

E há quanto tempo é que está em Portugal?

Eu estou há um ano, em Portugal.

E quer ficar?

Quero, sim.

Muito obrigada. Lídia Miranda. E aqui de fundo ouvimos também as indicações que vão sendo dadas para que a fila seja feita ordeiramente. Como dizia, mais de 80 imigrantes juntam-se aqui nesta fila, de um lado, e ao lado existe uma outra fila onde se encontram pessoas que já tinham a senha. E agora há um pouco mais de movimento porque acaba de abrir aqui então este serviço. Foi agora às nove, portanto, ouvimos aqui alguma agitação. Há pouco falei também com um jovem nepalês, Srijan Pandit, que tinha chegado aqui às 05h. Ele é trabalhador agrícola da Zambujeira do Mar e veio de propósito aqui. Já tinha ido a Lisboa, mas estava fechado, então teve que vir para o Porto. Falava-nos que não dormiu, praticamente. Dormiu na viagem de autocarro e quando chegou aqui, foi uma das pessoas que teve que pegar em cobertores, pegar em algumas caixas de cartão para conseguir ficar sentado e a pernoitar. Como dizia, existe então agora aqui esta fila a ser formada, uma fila informal, digamos assim, de uma pessoa que estava no começo da fila e que foi apontando as pessoas que iam chegando e que por aqui ficaram, e daí estar então estes 80 imigrantes. Dizer-te também que aqui, numa lavandaria junto a este edifício, nesta rua também, existem mantimentos. Esta lavandaria ficou aberta toda a noite para também acolher quem passasse aqui a noite e quisesse estar num local um pouco mais reservado. Tem mantimentos, tem comida, tem água e tem alguns cobertores também para auxiliar estes imigrantes que vêm até aqui para conseguir carimbar o registo criminal.

É o apoio possível a estes imigrantes, a reportagem de Maria Rego, junto à Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas no Porto. Este cenário de filas longas e tempos de espera elevados tem se repetido nos últimos dias, tanto em Lisboa como no Porto. O governo assegurou um aumento de pessoal e também o alargamento de horários e garante que nenhum cidadão vai ficar prejudicado com estes atrasos.

Destaque agora para as consequências das eleições no PS. Manuel Alegre considera que o Partido Socialista tem estado fechado em si mesmo e acusa tanto o PS como o PC de terem subestimado o Chega.

Isto face à queda do PS nas eleições do passado domingo, o histórico socialista e membro do Conselho de Estado admite problemas estruturais no partido. Em entrevista ao jornal Público, Manuel Alegre diz que é altura de reflexão. Considera também que o PS pode caminhar para a decadência caso apenas substitua o líder e se o resto ficar tudo na mesma. Manuel Alegre entende que o Partido Socialista tem de voltar a ser o partido dos pobres e desprotegidos e avisa que não pode voltar a perder uma eleição para o Chega.

E Luís, a corrida à sucessão de Pedro Nuno Santos intensifica-se. José Luís Carneiro tem o caminho aberto depois de Fernando Medina e Mariana Vieira da Silva confirmarem que estão de fora.

E assim sendo, José Luís Carneiro deverá avançar com uma candidatura única. É o único elemento do PS a mostrar-se disponível para avançar até agora. O nome de Fernando Medina também esteve em cima da mesa, mas o Observador noticiou ontem à noite que o ex-ministro das Finanças decidiu não avançar. Isso mesmo confirma Fernando Medina, em declarações ao canal Nowo, confirma que não tenciona candidatar-se e aproveita também para deixar críticas ao momento do anúncio de José Luís Carneiro.

Não serei candidato a secretário-geral do Partido Socialista. O que aconteceu é que o lançamento de uma candidatura imediatamente na segunda-feira iniciou um processo interno, contagem de espingardas A prática inviabiliza que esse debate profundo se faça antes de uma eleição direta. O Partido Socialista é um partido de pessoas livres, as pessoas fazem e posicionam-se como entendem. Eu e outros camaradas e altos dirigentes do Partido Socialista, e antigos dirigentes, face à dimensão da derrota e dos resultados que tínhamos, que era necessário um debate que fosse despersonalizado nas candidaturas e depois aferir qual a solução que permitiria uma melhor resposta. O processo, da forma como se desenrolou, não permitiu isso.

As críticas de Fernando Medina à forma como José Luís Carneiro anunciou a candidatura à liderança do Partido Socialista.

E Mariana Vieira da Silva também confirmou ontem à noite que não vai avançar com uma candidatura à liderança do partido.

Foi numa publicação no Instagram. A antiga ministra diz que candidatar-se iria abrir uma guerra interna e que neste momento o PS precisa de união. Nomes como Duarte Cordeiro e Ana Catarina Mendes também ficaram de fora da corrida, sendo que o presidente do PS anunciou ontem à noite que vai propor eleições imediatas, eleições que devem realizar-se entre o fim de junho e início de julho. A Comissão Nacional do PS vai reunir-se amanhã para discutir estas questões.

Este é um tema em destaque a esta hora no site do Observador. O Chega vai poder escolher ou influenciar vários altos cargos do Estado português, se se confirmar que fica como segunda força política.

Até porque ainda falta conhecer o resultado dos círculos da imigração, que atribuem quatro mandatos, algo que vai desempatar a igualdade de 58 deputados entre PS e Chega. Ora, se o Chega ficar em segundo lugar, pode ganhar, por exemplo, acesso às secretas, entrar no Conselho Superior da Magistratura ou participar na escolha dos juízes para o Tribunal Constitucional. O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, destaca o fim da hegemonia de PS e PSD em questões de regime e a subida de relevância do Chega.

Se Portugal amanhã tivesse que ter uma decisão importante, naturalmente que o primeiro-ministro e também o presidente da República teriam que incluir o líder da oposição, se for André Ventura, se se confirmar esse cenário, nessa decisão. Poderá depois, por cortesia, também ligar ao líder do PS, mas parece-me bastante claro que ganha aqui um outro destaque o líder do Chega. Tem que se pensar que papel ou não é que o Chega pode ter, e eu não tenho dúvidas nenhumas que André Ventura vai querer colocar e vai reivindicar ter pessoas para estes órgãos.

Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, na história do dia de hoje. Os votos da imigração devem ser conhecidos na próxima quarta-feira.

O presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil alerta que a instabilidade política não é benéfica para o futuro da TAP.

Reação de Ricardo Penarroias depois de conhecidos os resultados do primeiro trimestre da empresa. Os prejuízos da TAP agravaram-se para 108 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. É um aumento de 20%. À Rádio Observador, Ricardo Penarroias diz ainda que os partidos que saíram vencedores das eleições legislativas anseiam por privatizar a TAP. O dirigente sindical considera que a situação cria uma incerteza negativa para a empresa.

Como é lógico, o rumo que se apresenta para a empresa nos próximos dois, três, quatro anos, aí sim, poderá estar afetado por esta constante instabilidade. Até porque, como todos nós sabemos, existe o PAPIA, o programa de ação do governo que estava em funções, dos partidos que vão formar governo, a vontade, a ânsia, diria eu, de privatizar a TAP. Portanto, há essa incerteza, como é lógico, que não é benéfico.

A preocupação de Ricardo Penarroias, o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil. A TAP fala no trimestre desafiante, justifica os valores negativos com a greve na Portugália, com uma maior concorrência no Brasil e também com a deslocação da Páscoa para o segundo trimestre do ano.

São agora 9:11, já a seguir o Explicador, mas antes, Luís, que outras notícias marcam a atualidade nesta manhã de sexta-feira?

Inspeção-Geral da Administração Interna recebeu mais de 1500 queixas contra a atuação de agentes da polícia no ano passado. É o número mais alto dos últimos 10 anos. As denúncias mais do que duplicaram em comparação com 2014. A Rússia voltou a acordar com aeroportos fechados após a terceira noite de ataques com drones ucranianos. O ataque a Moscovo explica que o Kremlin conseguiu abater os drones que voaram em direção à capital russa. Estes ataques acontecem numa altura em que o G7 promete manter os ativos russos congelados até ao fim da guerra e apoiar a recuperação da Ucrânia. Vai haver muito sol este fim de semana. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera põe Portugal continental, Madeira e Açores com risco elevado e muito elevado exposição à radiação ultravioleta. O IPMA aconselha, por isso, a população a utilizar protetor em caso de exposição solar. As temperaturas vão subir ao longo dos próximos dias. E se eu vos disser que na Noruega um homem acordou com um navio dentro do quintal e mesmo junto a uma das janelas de casa.

Uma vista incrível. Só faltava o mar para ser perfeito.

Não, não havia mar. Este norueguês viveu uma situação que parece surreal. A casa fica mesmo junto ao mar e um navio cargueiro com mais de 135 metros acabou por encalhar em terra, mesmo na direção da casa deste homem. Felizmente, acabou por não tocar na casa do senhor. Não houve grandes danos, nem houve feridos, mas fica a historífica de ameste susto, de certeza. Ao acordar e ao vir à janela e ver ali um cargueiro.

Um cargueiro, coisa pequenina.