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As notícias com Carla Jorge Carvalho. O presidente do governo espanhol responde a Donald Trump. Pedro Sanchez diz que Espanha rejeita a guerra no Médio Oriente e entende que a União Europeia deve atuar com coerência. São declarações de Pedro Sanchez que surgem depois de ontem o presidente dos Estados Unidos ter deixado no ar que pode vir a cortar relações com Espanha, isto porque o governo de Madri negou a utilização de bases no país aos norte-americanos no contexto da guerra com o Irão. Esta manhã Pedro Sanchez fez uma declaração ao país. Nunca mencionou o nome de Donald Trump, mas não deixa de enviar uma indireta.
Em Espanha estamos contra este desastre. Entendemos que os governos servem para melhorar a vida da população e é inaceitável que os políticos que não conseguem cumprir com essa missão utilizem o fundo da guerra para ocultar o seu fracasso. As potências envolvidas neste conflito devem cessar imediatamente as hostilidades e atuar com coerência. Devemos agora defender os mesmos valores que defendemos quando falamos da Ucrânia, de Gaza, da Venezuela ou da Groenlândia.
O presidente do governo espanhol a pedir um cessar-fogo imediato no Médio Oriente e a pedir coerência dos aliados no que toca à guerra conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irão. Esta manhã destaque também para as declarações do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirma que os ataques conjuntos contra o Irão parecem, à primeira vista, incompatíveis com o direito internacional. E a troca de ataques no Médio Oriente continua, Carla, e já se fala de um sucessor para Ali Khamenei no Irão. Vamos às últimas atualizações, agora com o Miguel Gato.
Há registro de um navio da Marinha iraniana que se afundou ao largo do Sri Lanka esta manhã. Não são conhecidas as causas do naufrágio. Há marinheiros feridos que foram transportados para o hospital. No que toca a ataques aéreos, a Guarda Revolucionária do Irão disparou nas últimas horas vários mísseis contra alvos norte-americanos e israelitas. As sirenes de alerta aéreo soaram em Tel Aviv. Não houve registro de feridos, isto segundo os serviços de emergência locais. Do lado de Israel, a Força Aérea realizou uma série de ataques na cidade de Teerão, sem registro de feridos e, na última hora, a Força Aérea israelita abateu um jato iraniano nos céus, precisamente da capital do Irão. O exército israelita atacou também Beirute, no Líbano, nas últimas horas e aqui há pelo menos seis mortos e oito feridos a registrar. As autoridades libanesas admitem que o número de vítimas pode aumentar. Os ataques continuam numa altura em que tudo aponta para que o filho de Ali Khamenei seja eleito o próximo líder supremo do Irão. É o que aponta um canal de televisão persa e também o The New York Times. O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, já fez saber que qualquer líder que seja nomeado pelo regime iraniano vai ser um alvo a eliminar.
São as últimas da guerra no Médio Oriente trazidas aqui e acompanhadas pelo Miguel Gato. Bruno Cardoso Reis tem estado esta manhã conosco a analisar o conflito, as diferentes dimensões, e temos agora esta informação de Israel a dizer que qualquer que seja o sucessor de Ali Khamenei, será sempre um alvo a abater. Isto quer dizer que um dos objetivos do ataque do Irão, pelo menos de Israel, é mesmo uma mudança do regime iraniano?
Israel tem esta doutrina que eles chamam de cortar a relva, faz muitas vezes operações de decapitação e decapitação sucessiva. Não tem muito este problema de qual é a alternativa. No fundo, Israel tem muito também esta postura que nós não temos o luxo de pensar no longo prazo ou de fazer grandes planos. Temos de ir eliminando os inimigos mais imediatos e depois, se aparecerem outros, vamos fazer a mesma coisa, se for necessário. Em todo caso, parece-me bastante evidente que se o sucessor for realmente o filho de Ali Khamenei, o Mojtaba Khamenei, provavelmente essa declaração será ainda mais pra levar a sério, porque realmente as informações que temos, há, por exemplo, um dissidente do regime que estudou com ele e que diz literalmente, vou citar uma entrevista que ele deu recente, que ele é mais perigoso do que 50 bombas atômicas. Diz que é um tipo muito mais radical.
Do que o pai.
Muito mais apocalíptico do que o pai e que tem também a maior hostilidade visceral a Israel. Inclusive também diz: "Bem, o regime acabou de matar dezenas de milhares de iranianos, acham que eles vão hesitar em matar centenas de milhares de israelitas?" Acho que, lá está, sobretudo se o sucessor for visto com muita esta linha dura, essa declaração certamente é pra levar muito a sério.
Sim. Entretanto, já tivemos a reação de Pedro Sanchez nesta declaração ao país, a apelar à União Europeia para atuar com coerência. Como olhas para os aliados tradicionais dos Estados Unidos? E ouvimos também já o primeiro-ministro canadiano a dizer que, à partida, esta intervenção viola o direito internacional. Vai ser difícil ter um apoio coerente dos aliados dos Estados Unidos.
Eu, por um lado, ouço muito dizer: "A Europa não tem posição". O que geralmente se quer dizer com isso é-
É que há muitas
...a Europa não tem a posição que nós gostávamos que tivesse. Não tem uma posição completamente coerente. Isso é verdade, mas isso também resulta do fato de a Europa serem 27 Estados Que têm pela geografia, pela história, posições muito distintas. A Espanha não é apenas a questão de Sanchez ser muito à esquerda. A Espanha há muitas décadas, já no tempo do Franco, tinha uma aposta muito grande na sua política externa no mundo árabe. Não se importa, pelo menos desde a guerra hispano-americana de 1898, a Espanha teve uma guerra com os Estados Unidos há pouco mais de um século, em que perdeu Cuba, Porto Rico, as Filipinas. A Espanha não se importa assim muito de mostrar alguma hostilidade ou dizer que não aos Estados Unidos. Apesar de tudo, eu acho que há aqui uma coerência mínima, que é: genericamente os aliados europeus estão desconfortáveis com esta guerra, não estão confortáveis com o fato de não ter um enquadramento claro no direito internacional, não têm nenhuma razão para alinhar com os Estados Unidos, porque nem sequer foram consultados, informados, não lhes foi explicado claramente quais são os objetivos. E, portanto, acho que apesar de tudo, há aí alguma coerência neste desconforto e, no fundo, nesta posição que desta vez os aliados, mesmo os aliados historicamente mais próximos, como a Grã-Bretanha, não vão simplesmente alinhar, ir atrás dos Estados Unidos, por uma questão de solidariedade, lealdade à aliança, até porque esta administração também tem mostrado não dar propriamente muito valor à lealdade e às alianças.
Sim, as regras foram mudando. Bruno Cardoso Reis, obrigada mais uma vez por ter estado aqui neste jornal. De recordar também que hoje é dia de debate quinzenal no Parlamento e o conflito no Médio Oriente, em concreto, o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos devem marcar essa discussão. Os trabalhos na Assembleia da República começam às 15h, podem ser acompanhados em direto aqui na sua Rádio Observador. Assinalam-se hoje os 25 anos da tragédia de Entre os Rios. Começam daqui a pouco as cerimônias de homenagem às vítimas. É uma data assinalada hoje com uma missa de homenagem, o lançamento de flores junto ao rio Douro e também a inauguração de um memorial. As cerimônias começam daqui a pouco, às 09h30. Foi a 4 de março de 2001 que ruiu o tabuleiro da Ponte Entre-se-Ribeiro, onde morreram 59 pessoas. A repórter Maria Rego está em Entre os Rios. Maria, nesta altura em que de fato se aproxima a hora do início desta cerimônia.
E começaram um pouco antes, até porque o ministro das Infraestruturas chegou também ele mais cedo e de fundo já conseguimos ouvir aqui também a música que arranca então essa celebração. Comigo tenho Augusto Moreira, ele que é presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre os Rios. Perguntava-lhe que significado é que tem este dia, 25 anos depois.
Para a comunidade de Castelo de Paiva, porque evoca os 25 anos de memória, 25 anos de um acidente que marcou-nos profundamente e naturalmente não poderíamos deixar em claro que o nosso conselho tivesse algo que lembrasse estes 25 anos, porque a memória também faz parte do luto dos familiares. E se nós não celebrássemos essa memória e celebrássemos esta data, naturalmente seria uma segunda perda para os familiares. Portanto, esta reconstrução que fazemos ano a ano é de extrema importância para os familiares.
O Augusto perdeu a mãe e o irmão neste trágico acidente. Como é que é viver este dia, 25 anos depois?
Olha, é um dia de muita emoção, é um dia de muita saudade, mas é um dia de esperança, é um dia que nós acreditamos que a vida continua, que somos capazes de fazer projetos e que somos capazes de construir o futuro. E nesse sentido, vivemo-lo com dois sentimentos, sentimento da perda, da dor, mas o sentimento positivo de reconstrução e continuidade da nossa vida com dignidade e com projetos de futuro.
De que forma é que esta associação tem conseguido ajudar estas pessoas?
Olhe, nós criamos gabinete psicossocial, porque achamos que era importante para os familiares esse acompanhamento. O Estado omitiu-se um bocadinho desse dever e nós fizemos com apoio psicossocial, com projetos no âmbito da juventude para jovens do nosso distrito e do nosso país, e que pudessem ser acolhidos numa resposta social adequada. Nesse sentido, é uma forma também de nós fazermos luto, criando projetos sociais, mostrando que depois da morte há vida.
Muito obrigada. Ficamos então com as palavras de Augusto Moreira, ele que é presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre os Rios. Aqui, Carla, como te dizia, já começaram as celebrações e vai ser inaugurado daqui a pouco o memorial a assinalar os 25 anos da queda da ponte em memória às 59 vítimas que perderam a vida.
Essas cerimônias vão ser marcadas durante todo o dia. Vai terminar exatamente com o lançamento simbólico de flores à hora do acidente junto ao rio Douro. A Maria Rego vai continuar a acompanhar este dia em Entre os Rios. São agora 9h12. Já a seguir o Explicador sobre o caso José Sócrates. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam a atualidade. Continua a decorrer a operação da PSP e da Judiciária no bairro da Cova da Moura, na Amadora. Trata-se de uma operação especial de prevenção criminal. Em causa estão crimes como homicídio na forma tentada e ofensas à integridade física. Estão também a ser realizados mandados de busca domiciliária e identificação de suspeitos. A PSP adianta à Rádio Observador que esta operação ainda decorre. Não há ainda informação sobre possíveis detidos. A Cáritas alerta que o combate à pobreza em Portugal tem sido lento e com casos de retrocesso. No ano passado, mais de 1 milhão de pessoas viviam em situação de privação material e social. A maioria destas pessoas não consegue, por exemplo, manter a casa aquecida ou ter uma alimentação adequada. Situação também preocupante nas crianças. A Cáritas alerta que o combate à pobreza infantil tem sido muito insuficiente. Muito bom dia, são 9h13, já a seguir o Explicador, mas antes despedimo-nos do Bruno Cardoso Reis, a quem agradecemos por ter estado conosco ao longo desta manhã. Obrigada, Bruno. Como sempre, fez toda a diferença. Vai suave, Bruno.
Obrigado, Bruno.
Muito obrigado eu. Obrigada.
E bom dia a todos.
Obrigada, Bruno.
Bom dia a todos.
O Bruno que regressa depois do jornal das 14h com o terceiro de cinco episódios sobre a história