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São 9:03 As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Numa altura em que a OMS continua a afirmar que o hantavírus não é uma ameaça, a Direção-Geral da Saúde divulgou um conjunto de orientações para eventuais casos em Portugal. Há indicações, sobretudo, para profissionais de saúde e também já foram definidos os hospitais de referência.
A Direção-Geral da Saúde sublinha que o risco em Portugal é muito baixo, afasta a necessidade de medidas preventivas, mas divulgou este conjunto de orientações ontem à noite. Miguel Gato, começamos com os hospitais de referência, caso venham a surgir casos de hantavírus em Portugal.
O Hospital Curry Cabral para adultos e o Dona Estefânia para crianças, isto na cidade de Lisboa, e o Hospital de São João, no Porto. Em casos suspeitos, a DGS diz que o INEM deve ser sempre acionado para o transporte do doente. A Direção-Geral da Saúde divulga a lista dos hospitais preparados para receber pessoas infectadas com hantavírus, mas garante que, para já, o risco para Portugal mantém-se muito baixo e, por isso, não implementa medidas preventivas para a população.
A DGS também destaca a importância de distinguir casos suspeitos de casos prováveis.
E comecemos pelos casos suspeitos: são os de qualquer pessoa que tenha partilhado ou visitado um meio de transporte onde haja um caso confirmado ou de provável infecção, ou que tenha estado em contato com alguém do navio cruzeiro. Os sintomas para se estar atento: febre aguda, dores musculares ou de cabeça e ainda calafrios, náuseas, diarreia, dor abdominal ou sintomas respiratórios como tosse, falta de ar e ainda dor no peito.
Esses são então os casos suspeitos e os prováveis.
São os de pessoas com estes mesmos sintomas que acabei de dizer e que tenham também uma ligação direta a um caso confirmado ou provável de hantavírus. A DGS esclarece ainda o que são contatos de risco, interações que envolvam secreções respiratórias, saliva, sangue ou outros fluidos corporais dois dias antes dos sintomas aparecerem ou até a ausência total destes sinais.
Miguel Gato, com as recomendações da Direção-Geral da Saúde. Foram divulgadas ontem à noite, são destinadas a profissionais de saúde e também para pessoas que estiveram em contato com passageiros ou tripulantes do Ônius. Até agora, foram confirmados sete casos de infecção com hantavírus nas pessoas que passaram pelo navio cruzeiro. Três pessoas morreram. A OMS sublinha que o risco para a população é baixo.
Este é o tema do Explicador de hoje. É nosso convidado, o médico Manuel Carmo Gomes, para ouvir já a seguir a este jornal. Fátima prepara-se para receber nas próximas horas milhares de fiéis para as habituais celebrações do 13 de maio. As cerimônias começam esta noite.
Com a recitação do terço na Capelinha das Aparições, o repórter Miguel Pina Andrade está desde cedo em Fátima. Miguel, como é que se gere um evento destas dimensões? Qual é a logística das forças de segurança durante estes dias?
São milhares os peregrinos que continuam a chegar à Cova da Iria, em Fátima, para as celebrações do 13 de maio. Tudo o que não é logística policial está a cargo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, com o plano de proteção e socorro aos peregrinos antes, durante e depois das celebrações. O posto de comando da Operação Safety está montado no Colégio São Miguel e durante estes dias gere centenas de operacionais de várias entidades. O homem que coordena tudo é o comandante sub-regional do Médio Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, David Lobato. Muito obrigado pela disponibilidade para falar com a Rádio Observador. Senhor comandante, bom dia. Como é que funciona a Operação Safety e que entidades unem esforços durante estes dias?
Bom dia. Antes de mais, bem-vindos a Fátima. Efetivamente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, através do seu Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, faz a coordenação de diversas entidades. Poderei nomear aqui algumas: o Instituto Nacional de Emergência Médica, Cruz Vermelha, Corpos de Bombeiros da região de Lisboa e Vale do Tejo, Corpo Nacional de Escutas, a MEO, a Vodafone, tudo o que são as empresas municipais da água, o Serviço Municipal de Proteção Civil, é tudo coordenado por este posto de comando. Sediado neste local está também, como já tivemos a oportunidade de ver, o hospital de campanha do INEM, que faz aqui basicamente a primeira triagem das várias situações que vamos tendo, dos assistidos, de doenças súbitas, dos acidentes. Faz-se tudo aqui neste hospital. Aquilo que é feito pela autoridade, basicamente, é a coordenação de todas estas entidades, destes agentes de proteção civil e entidades com dever especial de cooperação e também a estreita coordenação com a Guarda Nacional Republicana, que é quem tem a jurisdição, efetivamente, da cidade de Fátima. Portanto, é uma operação que começou às 8h. Operacionalmente, ontem já efetuamos toda a instalação de tudo aquilo que é os postos de comando. O posto de comando principal será sediado aqui no Colégio São Miguel e depois temos dois postos de comando de setor. A cidade de Fátima está setorizada em dois setores, que faz depois a coordenação de todos os meios que estão envolvidos nesta operação.
E quais são os maiores desafios que a operação enfrenta e como é que se preparam para esta altura única do ano que une aqui centenas de milhares de peregrinos?
Esta é uma operação que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil já vem fazendo há vários anos. A coordenação das várias entidades, a preparação é feita com várias reuniões antecipatórias. Começamos basicamente estas reuniões de coordenação e de planeamento no início de janeiro, depois com a depressão Cristina, que apanhou esta zona de Ourém, paramos um pouco, mas a rotina também já é bastante grande. A preparação que temos e as situações que vamos acompanhando, o dispositivo está preparado para situações excepcionais. Temos cerca de 300 operacionais, como já pudemos há pouco falar. Temos um hospital que o que faz é tirar a pressão sobre os hospitais de referência, neste caso, o Hospital de Leiria e o Hospital de Abrantes, e faz aqui uma primeira triagem. Este ano é dos primeiros anos que estamos a apanhar tanta chuva. Nós temos aqui alguma noção que há muitos peregrinos que não conseguiram chegar até Fátima, até por aquilo que vamos falando com as várias entidades que têm também algunsPostos de socorros pelas várias estradas que temos. E aquilo que fomos notando é que os peregrinos estão a chegar debilitados. Portanto, essa será a nossa primeira preocupação, a chegada dos peregrinos bastante debilitados, que fazemos aqui o socorro, e depois as celebrações. As celebrações que são sempre muito emotivas. Este ano esperamos que não faça esta chuva que tem estado a fazer durante as celebrações. Estamos a falar de um recinto que leva aproximadamente duzentas e oitenta mil pessoas. Agora vejam duzentas e oitenta mil pessoas, cada uma se tiver um chapéu de chuva, etc. Efetivamente, estamos preparados para situações excepcionais que já aconteceram na Europa. Nós não queremos que aconteçam cá, esperamos que não. Também temos a Guarda Nacional Republicana, que tem essa coordenação de parte security. Mas sim, efetivamente esta coordenação é feita pela autoridade em conjunto aqui uma parceria estreita também com o Instituto Nacional de Emergência Médica.
Muito obrigado, senhor comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato, que está a coordenar aqui as operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Como diz o senhor comandante, neste momento chove na Cova da Iria, mas Carla, nem isso demove os peregrinos, que continuam a chegar a Fátima vindos de todos os cantos do mundo para as celebrações do 13 de Maio. No início desta semana estavam inscritos nos serviços do Santuário de Fátima 170 grupos, num total de cerca de sete mil e quinhentos peregrinos.
Muitos peregrinos que se vão concentrando em Fátima, onde está o Miguel Pina Andrade. As celebrações deste ano vão ser presididas pelo Patriarca de Lisboa, Rui Valério.
Donald Trump afirma que o cessar-fogo com o Irão está nos cuidados intensivos. O presidente dos Estados Unidos sobe o tom e diz que a mais recente proposta de paz de Teerão é um pedaço de lixo. Donald Trump utilizou estas expressões ontem à noite numa conferência de imprensa na Casa Branca. É a reação do presidente dos Estados Unidos à mais recente proposta do Irão para terminar com o conflito, uma proposta que não agradou a Trump.
O cessar-fogo está, neste momento, inacreditavelmente fraco. Isto depois de ler o pedaço de lixo que nos enviaram. Nem acabei de ler. Disseram-me que ia ser uma perda de tempo. É um cessar-fogo fraco, neste momento, diria que está nos cuidados intensivos.
O petróleo voltou a subir depois destas declarações. Voltou a ser negociado esta manhã acima dos 100 dólares o barril.
Na análise, Francisco Proença Garcia acredita que a viagem de Donald Trump à China pode ajudar a definir a estratégia de política interna nos Estados Unidos e a desbloquear um acordo de paz.
Foi esta manhã no gabinete de guerra, o investigador e professor catedrático na Universidade Católica considera que a administração de Trump tem pressa de terminar o conflito no Médio Oriente, devido ao aproximar das eleições internas. Francisco Proença Garcia refere que a China também precisa que o Estreito de Ormuz seja reaberto e, por isso, pode ajudar Trump a acelerar um acordo de paz.
Depois da visita a Pequim, pode decidir bombardear novamente e voltar a forçar o Irão a ter outra disponibilidade para renegociar. É muito difícil saber o que se passa na cabeça dele. A previsibilidade das suas decisões é muito difícil, mas ele vai ter que encontrar uma saída para o seu problema interno, por causa das suas eleições, e as pressões da comunidade internacional estão a ser tremendas. De maneira que ele tem que encontrar uma saída e pode ser que essa saída seja encontrada agora na visita a Beijing. Vamos ver.
O investigador e professor catedrático avisa que qualquer tipo de acordo dos Estados Unidos com a China implica cedências em áreas sensíveis.
São agora 9h12. Carla, antes do Explicador, que outras notícias marcam esta manhã?
Um homem morreu esta manhã na sequência de um incêndio numa barraca na Avenida de Ceuta, em Lisboa. Fonte do Regimento de Sapadores Bombeiros confirma à Agência Lusa que o alerta foi dado pouco depois das 6h30 da manhã. O problema ficou resolvido cerca de uma hora depois. O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa confirma que a polícia ainda está a fazer diligências. Hoje é dia de greve dos enfermeiros, que abrange os profissionais dos setores público, privado e social. A greve é convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Está prevista também uma manifestação em Lisboa. Também hoje, a Ordem alerta que o SNS precisa de mais 14 mil profissionais. Afirma que devido à falta de enfermeiros, as unidades de saúde pública estão em risco de colapso. O julgamento de Renato Seabra é o foco do sexto e último episódio do podcast Plus, Os Ficheiros do Caso Carlos Castro.
Ao longo das últimas semanas, uma investigação do Observador revelou pormenores sobre um dos crimes mais midiáticos dos últimos anos, a forma como Renato Seabra assassinou o cronista social Carlos Castro, em Nova Iorque. O último episódio centra-se nos bastidores do julgamento. A defesa alegou que Renato Seabra teve um surto psicótico. O Observador falou com um dos psicólogos ouvidos na altura. Psicólogo Jeffrey Singer vai ser um dos peritos ouvidos e vai explicar que não é raro que doenças como o transtorno bipolar sejam identificadas pela primeira vez na idade do arguido.
É muito comum que o primeiro episódio psicótico de uma pessoa com perturbação bipolar ocorra por volta dos 21 anos. Normalmente, isso acontece entre os 16 e os 25 ou 26 anos. Para mim, era muito óbvio que ele estava a ter um episódio psicótico.
Mas a acusação vai pôr em causa toda esta argumentação. Primeiro, questiona o diagnóstico, que foi assinado por um médico interno das urgências e não por um psiquiatra. Depois, acusa Renato Seabra de ter exagerado e fingido sintomas quando estava internado.
É o certo do último episódio de Os Ficheiros do Caso Carlos Castro. Neste momento, já pode ouvir todos os episódios no site Observador, nas plataformas de podcast e no YouTube.
Esta é uma série narrada pela atriz Joana Santos, com música original do pianista Júlio Resende. A investigação e os guiões são da jornalista do Observador, Tânia Pereirinha.