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Vamos às notícias. Jornal das 9 com a Carla Jorge de Carvalho. Carla, começamos com o caso do alegado assalto ao gabinete de André Ventura na Assembleia da República. Há dúvidas sobre a cronologia dos acontecimentos, nomeadamente quem foi a primeira pessoa a entrar no gabinete ontem de manhã. E a Polícia Judiciária está a investigar e a recolher elementos.

Além de registros de impressões digitais e imagens de vídeo, a polícia pediu também ao Parlamento os registros das entradas e saídas do edifício entre segunda-feira à noite e ontem de manhã. São informações apuradas pelo Observador, que falou com várias pessoas envolvidas no processo para reconstituir a linha de tempo. Houve duas pessoas que chegaram ontem de manhã ao gabinete pelas 7h00, uma funcionária responsável pela limpeza e o deputado do Chega, Francisco Gomes. André Ventura garante que a responsável da limpeza chegou ao gabinete pouco antes do deputado.

Ora, isto contraria informações iniciais que apontavam para uma chegada dos dois pela mesma hora, 7h00.

E por isso mesmo, a jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, fala num pormenor importante para perceber o que aconteceu.

As primeiras informações a que nós tivemos acesso de fontes que acompanharam este processo, diziam-nos que o deputado Francisco Gomes era a primeira pessoa que tinha chegado à sala do Chega. As informações que vêm do próprio Chega e que foram adiantadas por André Ventura, foi que a responsável pela limpeza tinha chegado ainda antes do deputado e que tinha falado com a GNR, que está sempre ali a fazer a segurança da Assembleia da República 24 horas por dia. E, portanto, isto é um detalhe, um aparente detalhe muito importante para explicar se aquele cenário é encontrado primeiro por uma pessoa alheia ao Chega, que não tem qualquer interesse na situação, ou se é uma parte do Chega, neste caso, um deputado, uma vez que isto é um caso um bocadinho rocambolesco e que veio logo levantar algumas sugestões à boca pequena de que poderia ter sido uma encenação, por exemplo.

A jornalista do Observador, Mariana Lima Cunha, na história do dia. André Ventura afirma que foram roubados documentos relacionados com a Comissão Parlamentar de Inquérito Luís Neves e também outros documentos mais antigos sobre o primeiro-ministro. Na análise, o editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, considera que André Ventura deve ser criticado pela forma como falou deste caso.

Líder da oposição, fazer uma associação direta entre aquilo que estaria no seu gabinete e um alegado plano para o intimidar, promovido sabe-se lá por quem. Quer dizer, eu acho que nós ultrapassamos sistematicamente o grau zero e achamos sempre que é impossível piorar, mas André Ventura consegue sempre surpreender-nos nesta matéria e não é por fazê-lo várias vezes que nos deve fazer com que achemos normal. Este tipo de declarações não são normais e André Ventura não as deveria fazer. Portanto, acho que é preciso algum sangue frio. André Ventura merece ser criticado por aquilo que disse.

Análise de Miguel Santos Carrapatoso, editor adjunto de política do Observador, há instantes no "Juventuré" desta manhã.

É também em análise no Explicador, já depois deste Jornal das 9. Temos como convidados Diogo Pacheco Amorim, do Chega, e Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD. O governo vai apostar no desgaste do caso Luís Neves. O Executivo acredita que a opinião pública vai cansar-se do tema e só depois vai prestar esclarecimentos. E Carla, para já, o lugar do ministro da Administração Interna não está em risco.

A não ser que algo de muito radical aconteça, são informações apuradas pelo Observador. Luís Neves promete para breve os esclarecimentos sobre os casos que o têm envolvido. O ministro tem rejeitado responder às perguntas dos jornalistas sobre o tema. Diz que a seu tempo irá falar. O Observador ouviu vários elementos do governo e esta estratégia do silêncio é propositada. Para todos eles, o caso Spinum Viva é a prova de que pode resultar, apesar de ser uma estratégia arriscada. Ainda assim, Luís Montenegro e Luís Neves vão apostar nesta ideia e só depois prestar os esclarecimentos prometidos pelo ministro da Administração Interna. O primeiro-ministro entende que a única forma de preservar Luís Neves é esperar que as notícias se esgotem ou se tornem repetitivas. Ontem, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, pediu uma reunião com o primeiro-ministro para esclarecer os casos que envolvem Luís Neves, um encontro que ainda não tem data para acontecer.

Está a ser reforçado o combate a um incêndio que ontem começou em Vale de Passos, no distrito de Vila Real.

As chamas estão a ser combatidas por mais de 400 operacionais, 130 viaturas e agora também seis meios aéreos. Ontem à noite o incêndio tinha três frentes ativas, mas não havia localidades em perigo. As chamas consomem uma zona de mato extensa na zona de Cabeço. Hoje há oito distritos do continente sob aviso amarelo do IPMA para calor e dezenas de concelhos de oito distritos do Norte e Centro de Portugal em perigo máximo de incêndio.

Já na Guarda está dominado o incêndio que tinha começado na segunda-feira.

As chamas consumiram nos últimos dois dias 4000 hectares ao longo de 40 quilômetros. O comandante da Proteção Civil, João Rodrigues, alerta para reativações e por isso avisa que a situação ainda é crítica.

Os próximos dias, essencialmente durante esta semana, mais quatro dias, sabemos que serão desfavoráveis para aquilo que é o risco de incêndio rural e portanto temos que limitar ao máximo aquilo que é o potencial que é este incêndio, que tem uma área afetada já de cerca de 4000 hectares e um perímetro de 40 quilômetros, e portanto temos que limitar ao máximo o potencial de reativação dele.

O Comandante Subregional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra das Estrelas, João Rodrigues, a falar esta noite aos jornalistas. A esta hora continuam no terreno mais de 500 operacionais, apoiados por 170 viaturas e dois meios aéreos que se juntaram às operações de rescaldo esta manhã. Entretanto, as equipes enviadas pela Proteção Civil para ajudar no combate aos incêndios de Espanha e de França estão de regresso. Estes incêndios estão agora mais controlados, depois de uma noite calma. É o que dão conta as autoridades dos dois países.

Vamos a outras notícias que estão a marcar esta manhã.

Vamos, e com destaque para o conflito no Médio Oriente. Os Estados Unidos lançaram ataques em conjunto com a Arábia Saudita contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque. Foi a resposta a um ataque iraniano contra uma base norte-americana na Jordânia. A Casa Branca acusa estes grupos de atacar alvos norte-americanos e também a infraestrutura energética da Arábia Saudita. A Arábia Saudita confirma que participou nos ataques, fala em autodefesa. A Air France, KLM e a Lufthansa têm até hoje para apresentar propostas vinculativas para a entrada no capital da TAP. As propostas finais vão definir o valor do investimento e o plano estratégico para o futuro da empresa. De acordo com o jornal Eco, a TAP vale atualmente entre 1,9 e 2,1 mil milhões de euros. É um valor cinco vezes superior ao anterior processo de privatização que aconteceu em 2015. Pedro Proença surge em áudios a criticar os árbitros portugueses. Estes áudios são antigos, do tempo em que Pedro Proença era presidente da Liga. Nestes registros sonoros, pode ouvir-se o atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol a criticar a arbitragem. Noutro áudio, Pedro Proença surge também em tom ameaçador para com Fernando Seara, então o presidente da Assembleia Geral do Benfica. Para já, todas as partes envolvidas recusam fazer comentários sobre o assunto.

Mas vamos analisar esse assunto numa edição especial do programa Sem Falta, com o Miguel Cordeiro e vários convidados depois do jornal do meio-dia. [vinheta jornal das 9]