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Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro no Bom, o Mau e o Vilão. Muito bom dia, Miguel. Bem-vindo.

Bom dia.

Miguel, vamos começar pela tua escolha de bom. Quem é o bom deste início de semana?

O bom é Marcelo Rebelo de Sousa, não por ter sido reeleito, nem por ter sido reeleito à primeira volta, nem por ter tido mais votos do que em 2016, nem sequer por ter tido o terceiro melhor resultado de sempre em eleições presidenciais, mas é o bom porque começou o seu discurso de vitória a lembrar o número de infetados e de mortos deste domingo, que foi outra vez alto. Marcelo interpretou a vitória como uma renovação da confiança na forma como tem gerido a pandemia, mas acrescentou esta frase: "A confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco." E é bom que Marcelo Rebelo de Sousa sinta que não há margem para muitos mais erros no combate à pandemia.

Miguel, e o teu mau de hoje, quem é?

O mau é a direita partidária tradicional, que sai destas eleições com dois problemas para resolver. Por um lado, André Ventura fez a sua campanha insultando os adversários, insinuando conspirações, lembremo-nos da carrinha amarela, ou lá o que era, apontando inimigos. E a verdade é que chegou ao fim com 11,9% e com 496.653 votos. Ou seja, André Ventura não tem nenhum incentivo eleitoral para mudar ou para se moderar. Por outro lado, a direita partidária está fragmentada, mas não tem liderança. O seu líder natural seria o presidente do PSD, mas ontem Rui Rio fez absoluta questão de dizer que está rigorosamente ao centro e afirmou, de forma clara, que a direita está apenas no Chega e na Iniciativa Liberal, o que é ao mesmo tempo uma ilusão, uma fantasia e um suicídio. E não há dúvida que esta direita foi a melhor coisa que aconteceu a António Costa.

Miguel, e a tua escolha para vilão de hoje?

O vilão são o Bloco de Esquerda e o PCP, que se espetaram contra uma parede. Na primeira eleição depois do chumbo ao orçamento do PS, o Bloco passou de 469 mil votos para 164 mil. E na primeira eleição, depois de ser decisivo para que o orçamento do PS passasse, o PCP viu o Chega transformar-se numa força poderosa nos seus bastiões eleitorais. Ou seja, o Bloco e o PCP não têm sítio nenhum para onde fugir. Se apoiam o governo do PS, perdem. Se destoam do governo do PS, perdem. Lá está, mais uma vez, não há dúvida, a geringonça foi a melhor coisa que aconteceu a António Costa.

Muito bem, as escolhas do Miguel Pinheiro no Bom, o Mau e o Vilão. A escolha em resumo do Miguel Pinheiro para bom de hoje, Marcelo Rebelo de Sousa. O mau, a direita partidária. E o vilão é o Bloco de Esquerda e o PCP. Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.