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Tudo pronto para uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão, sempre com o Miguel Pinheiro. Fala Miguel, bom dia.
Bom dia. Agora que já ouvi o terceiro episódio do Sargento na Cela 7, estou prontíssimo para isto. Vamos lá.
Ainda bem. Então vamos ao bom.
O bom é o Instituto Português do Sangue, que ontem voltou a fazer um apelo às dádivas. Segundo o instituto, foi preciso vir ontem, que foi o Dia Nacional do Dador, chamar a atenção para o tema, porque neste momento, segundo dizem os responsáveis, as reservas estão em níveis que necessitam de atenção, isto por causa de uma quebra acentuada de dádivas em fevereiro e em março. Eles acham que pode ter sido por causa das greves, por causa desta agitação social. Esta atuação do Instituto Português do Sangue foi especialmente meritória porque foi feita apesar do contravapor por parte do poder político. Porque de um lado o instituto fazia isto e do outro o Ministro da Saúde assegurava que estava tudo bem. Manuel Pizarro, que foi doar sangue, disse que apesar de uma certa redução das dádivas, Portugal tem a reserva adequada de sangue. E o ministro ainda disse com um sorriso que os portugueses são muito generosos. E eu, ouvindo isto, deixei de ter dúvidas. Realmente este ministro da Saúde é totalmente incapaz de falar sobre coisas negativas, mesmo que elas não sejam uma responsabilidade direta do governo. Para ele está sempre tudo bem, está sempre tudo fantástico, não há problema nenhum, não há dificuldade nenhuma. Ter um ministro assim não dá grande confiança.
Não, e por regra não ajuda o diagnóstico.
Nem de propósito. Bom uso de palavras.
Vamos ao mau?
Tendo em conta que estamos a falar da saúde. O mau são a CP e a IP. A partir de hoje e durante todo o mês de abril, não fazemos por menos, as duas empresas vão viver com paragens permanentes. Este ano tem sido de greves e de paralisações na CP e na IP, mas o governo não parece especialmente preocupado, assim como não parece especialmente preocupado com os problemas na Transtejo e na Soflusa, assim como não parece especialmente preocupado com as greves nas escolas. Entre serviços públicos e empresas que dependem do Estado, o país está parado ou sob ameaça de paragem, mas o governo comporta-se como se não tivesse nada a ver com o assunto, não é nada com eles. Só mesmo a TAP é que deixa o primeiro-ministro em sobressalto. A TAP, sim, que as pessoas com dinheiro utilizam, isso é que preocupa o governo. Mas quando as greves atingem as pessoas mais vulneráveis, António Costa deixa andar.
E não se vê, de facto, que alguém explique o que se passa e qual é a perspetiva de resolver o problema da parte da tutela ou da administração da empresa.
Precisamente. CP e IP, qual é o problema? A gestão é incompetente e está a prejudicar os trabalhadores? Hipótese um. Hipótese dois: os sindicatos aproveitam o poder desproporcionado que têm nas empresas de transportes para fazerem guerra política e para paralisarem as empresas? Qual é a opinião do governo sobre o que se passa? E seja a primeira hipótese ou a segunda, o que é que vai fazer para mudar isto? Eu só precisava saber isto, Paulo. É pedir tanto assim? Achas?
Não é pedir demasiado. No fundo, é basicamente pedir ao governo que assuma, neste caso, quando as coisas correm mal, a sua tutela política.
Olha, Paulo, tu é que me dás conforto. Se não fosses tu.
Pois, também estou aqui para isso.
Saía destas manhãs destroçado.
Muito obrigada.
Lá este ir ouvir mais um episódio do Sargento na Cela 7.
Sim, vou ouvir outra vez. Mal não me fazia. Este terceiro está ótimo, ficamos já a saber.
O mau são a CP e a IP e quem é o vilão?
O vilão é o Bloco de Esquerda. Depois do ataque ao alojamento local, vem agora o ataque aos hotéis. O Bloco em Lisboa apareceu ontem a defender que há uma saturação no turismo. Segundo os bloquistas, esta área de negócio apresenta-nos um modelo económico que não é sustentável e que não conhece limites para o seu crescimento e põe em causa a vida quotidiana da cidade, o seu equilíbrio e autenticidade sociocultural. Por tudo isto, o Bloco quer impedir a construção de novos hotéis em Lisboa num período que varia ali entre seis meses e um ano. Se calhar depois, se a discussão estiver boa, prolongamos mais um bocadinho, como é evidente. Nós podíamos ter petróleo, mas não temos. Podíamos ter minas de ouro, mas não temos. Podíamos ter uma robusta produção industrial que fosse a base de uma economia exportadora, mas também não temos. Podíamos ter uma base tecnológica distintiva, mas infelizmente não temos. Aquilo que Portugal tem de certo e de competitivo, para o bem e para o mal, é o turismo. Nós devemos seguramente procurar novas formas de desenvolver uma economia rica, se bem que para isso, se calhar, não era o Bloco de Esquerda que íamos ouvir. Só há uma coisa que de certeza não nos vai ajudar a sermos mais prósperos, e isso é destruir o turismo. Por isso, se agora achamos que não queremos cá estrangeiros para nada, os estrangeiros que fiquem lá na terra deles ou que vão para outros países em vez de virem para aqui gastar o dinheiro, se achamos que é isto que nos vai tornar num país próspero, se calhar a coisa não vai correr bem.
Vamos então ao resumo: o bom de hoje é o Instituto Português do Sangue, o mau são a CP e a IP e o vilão de hoje é o Bloco de Esquerda. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.