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Está no ar mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom dia hoje está em campanha.

Está finalmente em campanha. Houve uns dias em que parecia que estava a dormir, só queria dormir uma sesta. Carlos Moedas, na fase inicial, fez uma campanha envergonhada, mas ontem acertou no tom da crítica a Alexandra Leitão. O PS decidiu aliar-se ao Bloco de Esquerda em Lisboa. O Bloco de Esquerda acantonou-se no tema de Gaza. Gaza serviu de pretexto para manifestações ilegais nos últimos dias e, por isso, Moedas ontem veio falar sobre o vandalismo em Lisboa, veio falar sobre o cerco aos candidatos que queriam sair do debate na RTP, sobre os protestos no metro e na estação do Rossio, sobre os incidentes que custam milhares de euros e estragam o património e sobre a necessidade de a cidade ter lei e ordem. Em Lisboa, o PS achou que era boa ideia fazer esta tal aliança à esquerda, por isso agora, no boletim de voto, vai estar simbolicamente, não apenas Alexandra Leitão, mas também Mariana Mortágua. Para quem quer ganhar, parece-me que é um problema, especialmente para quem, para ganhar, precisa de votos que não sejam apenas da esquerda radical.

E que já está dividida a esquerda, não é?

Claro, o PCP está fora, mas Alexandra Leitão fez este esforço de criar uma imagem de moderação para ir buscar votos ao centro dos descontentes com Carlos Moedas, mas agora, de repente, caiu-lhe em cima Mariana Mortágua vinda da frontilha.

Miguel, o teu mau é Ricardo Salgado.

Sim, os advogados do antigo dono disto tudo voltaram a insistir, tanto no caso BES/GES, onde ele é acusado de 62 crimes, como na Operação Marquês, onde é acusado de 11. A defesa voltou a argumentar, mais uma vez, que todos os procedimentos criminais contra Ricardo Salgado deviam extinguir-se ou serem suspensos. E mais uma vez, duas juízas, não foi uma, foram duas, disseram que não. Uma coisa, reafirmaram elas, é a doença de Ricardo Salgado e o facto de lhe ter sido atribuído o estatuto de maior acompanhado. Outra coisa, muito diferente, são os processos penais em que é arguido. Os advogados de Ricardo Salgado falam como se o seu cliente estivesse a ser alvo de uma terrível perseguição, como se fosse vítima de uma singular injustiça, mas o que as juízas nos dizem é que aquilo não é uma coisa nem a outra.

Pois, e terá que ser julgado, como é evidente.

Sim, coisa diferente é se sendo condenado. Claro, se iria para uma cadeia ou algo assim. Isso depois é outra coisa.

Miguel, então e quem é o teu vilão?

Hoje é 7 de outubro e o vilão são aqueles que querem reescrever o 7 de outubro. Só para nos entendermos sobre coisas básicas, que pelos vistos escapam a algumas pessoas ou que algumas pessoas querem que nos escapem a todos. É que no dia 7 de outubro, de há dois anos, um enorme número de terroristas do Hamas atravessaram a fronteira com Israel e ao longo de várias horas mataram pelo menos 1139 israelitas, sendo que 1033 eram civis, fizeram 250 reféns, sendo 30 deles crianças e alguns bebés. Os terroristas do Hamas assassinaram jovens que estavam num festival de música e assassinaram velhos que estavam nas suas casas. E isto foi o que aconteceu a 7 de outubro. Apesar disso, nós temos visto, por estes dias, muitos artigos que tratam o 7 de outubro como se nada disto tivesse acontecido. Por exemplo, a académica e ativista luso-palestiniana, é assim que ela própria se descreve, Dima Mohamed, publicou um texto no Público chamado "Palestina contra o calendário: lições de um tempo acumulado", onde se fala sobre os gritos sem voz que ecoam, sobre as estradas que não acabam e sobre dois anos de bombardeamentos em Gaza. Fala-se sobre tudo isso nesse texto. Só não se fala sobre aquilo que o Hamas fez a 7 de outubro de 2023. Aliás, a palavra Hamas não aparece uma única vez no texto. A palavra reféns também não aparece uma única vez no texto. Aliás, um leitor que tropece naquele texto fica sem perceber. Mas afinal, dois anos de bombardeamentos? Mas houve dois anos de bombardeamentos por quê? Como assim? Esta pessoa está a falar em dois anos de bombardeamento, mas isto começou do nada? Foi assim de repente? E realmente é preciso um grande descaramento para apagarem o Hamas do 7 de outubro.

Sim, dá a ideia que tudo começou porque alguém se lembrou de começar a bombardear Gaza.

Alguém acordou mal-disposto.

Vamos ao resumo: o bom desta terça-feira é Carlos Moedas, o mau Ricardo Salgado e o vilão são aqueles que querem reescrever o 7 de outubro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.