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O Bom, o Mau e o Vilão com o Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Quem é o bom desta quarta-feira?
O bom é Francisco Assis, que ontem, perante os números terríveis revelados na reunião do Infarmed, defendeu que as eleições deveriam ser adiadas. Já se percebeu que as eleições não vão ser adiadas, esse não é o ponto. Aliás, estarem numa enorme minoria nunca impediu Francisco Assis de dar a sua opinião livremente. Nós nos últimos meses vimos dezenas de países em todo o mundo, por exemplo, a Alemanha, a Áustria, Espanha, o Canadá, a adiarem vários tipos de eleições, desde eleições locais a referendos, a eleições legislativas. Mas Portugal, com o seu eleitorado envelhecido, vai manter a sua eleição sem mexer e vai fazê-lo no pior momento da pandemia. Eu acho que as autoridades sabem que votar é um dever cívico, mas não deviam transformar este ato numa exigência de um heroísmo cívico a que ninguém deve ser obrigado a mostrar.
Passamos para o mau. Quem é o mau desta quarta-feira, Miguel?
O mau é o Ministro da Educação. Temos ouvido falar muito dele hoje. Ele esteve no Parlamento a pedir um amplo consenso para evitar o fecho das escolas e assim se prova, mais uma vez, que a retórica pode ser o último refúgio dos incompetentes. Este é um daqueles casos em que se aplica aquele ditado brasileiro que nos diz que se ficar o bicho come e se correr o bicho pega. Se as escolas ficarem abertas, temos um problema: é que o Ministro da Educação prometeu a contratação de professores e de 3000 funcionários, mas estamos no segundo período e ainda não os temos porque o senhor Ministro das Finanças não deixa. Se as escolas forem fechadas, temos um problema maior, porque os tais célebres computadores de que já falámos muito esta manhã e que o Ministro da Educação prometeu para este ano letivo, ainda não chegaram. A dada altura, ontem no Parlamento, Tiago Brandão Rodrigues disse a frase: "Temos muito trabalho para fazer nas nossas escolas," mas tendo em conta a reconhecida soberba do ministro, não me pareceu que fosse uma autocrítica, infelizmente.
E para terminar, quem é o vilão?
O vilão é a Procuradora-Geral da República. Eu sei que sou uma pessoa antiquada, que dá importância a estas coisas velhas como a liberdade de imprensa, mas talvez convenha lembrar que quando a liberdade de imprensa desaparece de um regime político é porque já estamos num sítio muito escuro. E nós ontem à noite descobrimos que o nosso Ministério Público promoveu um dos mais violentos ataques à liberdade de imprensa de que eu tenho memória. E eu tenho uma memória péssima, porque nunca me esqueço de nada. E nós, lendo o Observador e vários outros jornais, ficamos a saber detalhes de um processo em que para tentar descobrir a fonte de informação de dois jornalistas, o Ministério Público esteve a vigiá-los e a segui-los na rua, esteve a fotografar com quem é que eles falavam e a quem apertavam a mão. O Ministério Público esteve a investigar as matrículas dos carros que entravam nos edifícios onde estavam os jornalistas e chegaram a quebrar o sigilo bancário de um dos jornalistas para perceber que dinheiro entrava e que dinheiro saía da sua conta. E este é um ponto especialmente intrigante, este de violar o sigilo bancário para ver que dinheiro entrava e saía. Esta deixa-me especialmente intrigado e, portanto, a Procuradora-Geral da República tem que prestar contas urgentemente. Eu sei que temos uma eleição presidencial, sei que estamos no meio de uma pandemia, mas com tudo o que nós lemos, e atenção que houve um comunicado do Ministério Público longuíssimo sobre tudo isto, portanto, aparentemente está tudo muito bem, está tudo correto, com tudo o que sabemos, hoje devia ser o último dia da Procuradora-Geral da República no seu cargo.
Miguel Pinheiro, não desligues. Vamos precisar de ti já a seguir para atribuir notas no E o Vencedor É. Vamos só resumir o Bom, o Mau e o Vilão de hoje. O bom é Francisco Assis, o mau, o Ministro da Educação e o vilão, a Procuradora-Geral da República. Miguel Pinheiro e as escolhas desta quarta-feira. Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM 98.7, na Grande Lisboa e 98.4, no Grande Porto.