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Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia.

E quem é o bom desta quinta-feira rumo ao fim de semana?

Quinta-feira é sempre aquele dia em que já estás totalmente focada no que é importante.

Não, focadíssima no bom.

O bom desta quinta-feira, quase a chegar ao fim de semana, é o voto antecipado. Nestas eleições, o número de pessoas que querem votar antes de 6 de outubro está a disparar. Nas europeias, onde foi possível pela primeira vez votar antes do dia marcado, houve 19.584 pessoas que quiseram fazer isso. Nestas eleições, só em três dias, inscreveram-se 37.440 pessoas, segundo números da TSF, portanto, de quase 20 mil para quase 37,5 mil. Os responsáveis políticos chocam-se muito com a abstenção e há até algumas pessoas, não vou dizer nomes, não vou dizer quem é, mas há algumas pessoas que querem combater a abstenção deixando cadeiras vazias no Parlamento. Mas como podemos ver com estes números, para começar a resolver os problemas, às vezes não é preciso arrombar portas, não é preciso inventar a roda, não é preciso descobrir o fogo. Basta olhar lá para fora, ver o que os outros estão a fazer e copiar aquilo que funciona bem. Não custa assim muito e talvez ajude a começar a resolver o problema.

Vamos então ao mau, Miguel.

O mau de hoje é o CDS, que depois de ter saído bem dos debates, está agora a afundar-se na campanha. Mas logo no primeiro dia, Assunção Cristas decidiu ir para o Barreiro, que é uma terra tipicamente do PCP e do PS, entregar propaganda às pessoas que passavam e que estavam a tentar apanhar o barco, ainda por cima. Decidiu levar jornalistas consigo para registarem em direto e ao vivo a quantidade de vezes em que era ignorada pelas pessoas, pelos potenciais eleitores que passavam por ela. Não foi espetacular. Depois, teve um ex-líder, Manuel Monteiro, a inscrever-se novamente no partido, como se fosse uma espécie de sombra negra do passado, que a deixou profundamente embaraçada. Agora tem um outro ex-líder, Paulo Portas, a aparecer ao lado do candidato em Aveiro, em vez de aparecer ao seu lado na campanha. E ainda por cima está a ter aquela inestimável ajuda dos colegas de partido. Alguns deles parecem saídos diretamente de uma espécie de baú de uma avózinha que viva numa casa muito antiga. Nós já tivemos Nuno Melo a ir a um comício dizer que a esquerda quer acabar com todos os valores em que acreditamos. Todos, não sobra um. Ontem, Mota Soares foi a outro comício jurar que estamos de regresso ao PREC, que estamos de regresso ao período revolucionário. Portanto, 25 de Abril, revolução, e agora é tudo a mesma coisa. É tudo igual. Tropas na rua, insubordinação. Bom, é melhor não falar de Forças Armadas, realmente. Mas Cristas diz que quer falar para o futuro, mas nós às vezes quando olhamos para o CDS, parece que vemos um partido a preto e branco. E mais nada além disso. Isso do PREC, só não vão pegar em armas porque em Tancos já não usaram.

Exato. Isso resolveu-se bem. A democracia resolveu esse problema. Tira-se o armamento dos quartéis. Vamos ao vilão, Miguel.

O vilão de hoje.

Deixa-me cá pensar.

Tinha que ser Azeredo Lopes. O ex-ministro da Defesa vai ser acusado no caso de Tancos, já deu para perceber, e vai ter todas as oportunidades de se defender e de, no processo judicial, usar todos os argumentos jurídicos para que os tribunais o absolvam. Mas isso é uma coisa. Mas depois há uma outra coisa que Azeredo Lopes não pode esquecer: ele ainda tem obrigações políticas. E quando eu digo políticas, quer dizer uma coisa muito simples. Tem obrigações em relação aos cidadãos. Não é em relação a partidos, não é em relação a políticos, é em relação aos cidadãos. E não apenas aos eleitores, aos cidadãos todos. Há uns anos, Azeredo Lopes tomou a decisão, ninguém a tomou por ele, foi ele que a tomou, de exercer um cargo político importante. E está no meio de um escândalo que, com razão ou sem ela, atinge politicamente o governo e, como vimos ontem, num episódio estranho e que ainda vamos ter que entender totalmente, envolve até a Presidência da República. Portanto, por tudo isto, além de se explicar em tribunal, repito, Azeredo Lopes tem que se explicar em público. Alguém que foi ministro da Defesa não pode deixar o regime rodeado de fantasmas.

E vamos ao resumo deste Bom, Mau e o Vilão. O bom de hoje é o voto antecipado, o mau o CDS e o vilão de hoje é Azeredo Lopes. Miguel Pinheiro com o Bom, Mau e o Vilão nas manhãs 360. Eu sei que gostou, então é marcar presença amanhã aqui na sua Rádio Observador. Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.