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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é Francisco Assis.
Sim, porque o eurodeputado socialista, que é também responsável pelas relações internacionais do PS, convém não esquecer, falou a propósito da viagem de José Luís Carneiro à Venezuela, fez uma declaração que está no Observador, eu vou citá-lo: "A minha posição sobre o regime venezuelano não se alterou, é exatamente a mesma que me levou a elaborar e votar muitas resoluções no Parlamento Europeu de condenação de um regime autoritário que desrespeita princípios democráticos básicos." Isto é clarinho. Sendo que, também ontem, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, que acompanhou Carneiro em Caracas, foi sonso. Ele garantiu que o PS não tem duas visões sobre o regime venezuelano. Tendo em conta que na viagem de Carneiro e Brilhante Dias se ouviram elogios à realidade política venezuelana, se ouviram elogios ao sistema de ensino venezuelano e se ouviram elogios a dirigentes do regime com quem os elementos do PS se encontraram. Tendo em conta isto, se não há duas visões, parece. Eu espero que José Luís Carneiro não tenha ido pra Venezuela enganar as pessoas com quem falou. Espero que não lhes tenha dito que acha tudo aquilo maravilhoso, quando afinal não acha. Espero eu, mas enfim, se calhar é uma hipótese.
Senão ele é que tem duas visões, não é? Não é o PS.
Exato, uma em Caracas, outra em Lisboa.
Exato.
Miguel, o teu mau anda com problemas no partido.
Parece que sim, Rui Tavares. Em poucos dias houve duas demissões no Livre, ambas invocando as mesmas razões e criticando aquilo que dizem ser decisões unilaterais e fechadas por parte da elite do partido. Uma das pessoas que se demitiu, Filipe Caetano, foi candidato nas europeias e denunciou a existência de um enorme muro. O que ele disse foi: "Quem vem de fora sem conhecer ninguém, limita-se a assistir." E eu já desconfiava. Bastava olhar para a forma como os dirigentes do Livre sempre tentaram dar a volta às consultas aos militantes, supostamente muito democráticas e muito transparentes. E eu também já desconfiava olhando pra forma como Rui Tavares reagia de cada vez que uma dessas consultas democráticas não ia no sentido que ele queria. Mas agora, uma coisa é eu desconfiar, outra coisa é isto ser dito por quem esteve lá dentro. Atenção, claro que em todos os partidos há pessoas descontentes, vamos lá ver, como é óbvio. E claro que duas demissões são apenas duas demissões, são duas pessoas que se vão embora no meio de muitas outras. Agora, desta maneira, e ouvindo estas coisas, se calhar os eleitores que deram seis deputados ao Livre vão pensar três vezes da próxima vez que forem votar. Porque eu diria que pro eleitor tipo do Livre, estas coisas são um bocadinho inquietantes.
E são sintomáticas. Se repararmos nos outros partidos, estou bem lembrado, o Bloco de Esquerda e do PAN, quando começou a haver divergências destas em público, foi o princípio do plano inclinado a descer, não é?
Pois. Eu acho que Rui Tavares tem de dar sinais de que o partido, de facto, é diferente, diria eu.
Claro.
Miguel, o que se passou com o teu vilão?
Olha, Maria João.
Nem queiras saber.
Eu peço imensa desculpa às pessoas que nos estão a ouvir, mas eu vou ter que falar outra vez do caso Sócrates. Desculpem, a sério. Pronto, não levem a mal.
Temos que ser fortes, sim.
Mas enfim, como sabem, tem havido alguma dificuldade em arranjar advogados pra José Sócrates. De tal maneira que a Ordem tomou uma medida original. Pra evitar estar a recorrer a advogados oficiosos de cada vez que um outro advogado renunciava, a Ordem decidiu escolher um só advogado, que acompanharia todo o julgamento e que entraria em ação sempre que fosse necessário, porque normalmente os oficiosos, há lá um grupo que está lá disponível, são sempre diferentes a cada dia. Portanto, era preciso estar sempre a escolher pessoas diferentes. Aqui não, é um só advogado. E esse advogado chama-se Luís Esteves, enfim, não interessa o nome. Pronto, muito bem. Então, ontem houve uma nova sessão de julgamento, vamos todos dar as mãos agora pra aguentarmos isto, mas o advogado Luís Esteves não apareceu. Quem apareceu foi uma advogada, Alexandra de Mendonça Bretas, em quem Luís Esteves delegou a representação de Sócrates. Eu imagino a juíza à espera que lhe aparecesse um advogado, aparece-lhe uma advogada com o papel na mão. E o que é que aconteceu? O que aconteceu? O que aconteceu foi que o advogado, e vou citar, teve uma incompatibilidade de agenda. Deus nos ajude, teve uma incompatibilidade de agenda. Quantos são os senhores? Mas foi logo agora, logo no início. Não é daqui a um mês, daqui a dois, daqui a três. Não, foi logo ontem. E eu vou insistir numa coisa que já disse, e que não é sobre esta incompatibilidade de ontem, que eu não faço ideia do que tenha sido. Admito que tenha sido uma coisa totalmente real, legítima, que de fato tenha havido alguma coisa que tenha impedido a presença do advogado. Não faço a menor ideia e há, obviamente, motivos legítimos para estas coisas acontecerem. Isto que eu vou dizer não tem a ver com o que aconteceu ontem, tem a ver genericamente com o caso Sócrates, e é o seguinte: a chave para acabar com isto está nos advogados. Para José Sócrates, tudo isto é indiferente, cada dia é uma vitória, mas a Ordem tem que arranjar maneira de isto ficar fechado em advogados que se mantenham até o fim do processo. E tem que tomar medidas para, se isso não acontecer, tudo ter de ser visto muito direitinho e muito bem justificado. Porque se isto não é pelos advogados, que depois deste caso terão de ter outro, e outro, e outro, que estão nisto não é por causa deste processo, é por causa de toda uma carreira. Se não são os advogados que têm de se explicar, muito bem explicados à Ordem, se não é por aí, então estamos perdidos. Pronto, agora vamos ter aqui um problema com a cooperação dos advogados. Ó Paulo, acho que não há outro caminho. Está bem para o país. Não há outro caminho.
Miguel, hoje é quarta-feira, dia de Realpolitik com o Sérgio Sousa Pinto. Do que vão falar hoje?
Vamos falar sobre a polêmica dos últimos dias, das escolhas para o Tribunal Constitucional. Ainda por cima, hoje vai ser decidida no Parlamento a data, presume-se que definitiva, para a votação. Vamos discutir se o Chega deve ou não ter um juiz, se devendo ter um juiz, se esse juiz deve ser subtraído ao PS ou ao PSD. Enfim, vamos falar sobre tudo isso. Vamos falar sobre que PS deve sair do congresso do próximo fim de semana. Vamos ter já agora o congresso de José Luís Carneiro. Tem havido muitas polémicas. E finalmente, vamos falar um pouquinho sobre o Irão. Como é que saímos daqui? Saímos disto com negociações de paz ou saímos disto com mais uma escalada?
Realpolitik para ouvir depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, mau e vilão desta quarta-feira, o bom é Francisco Assis, o mau é Rui Tavares e o vilão são os advogados. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.