Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Som do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Fala, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. O teu bom esteve a ver televisão.
É. São os telespectadores portugueses. Como se lembram as pessoas que nos ouvem, na semana passada eu falei aqui da carta aberta assinada por alguns trabalhadores da RTP que exigiam que a televisão pública não participasse nem transmitisse o Festival Eurovisão da Canção como forma de protesto contra a participação de Israel. Ora, este fim de semana a RTP transmitiu o mesmo Eurovisão e apesar de não haver nenhum português a concorrer, porque nós não passámos das meias-finais, os representantes portugueses não foram à final, mas mesmo assim o programa teve audiências muito razoáveis, com um share de 11,2 e com uma audiência média de 465 mil telespectadores. Além disso, os portugueses mostraram aquilo que pensam sobre o que se está a passar no mundo. A canção mais votada pelo público foi a de Israel. Mais uma vez, o júri especialista pôs Israel lá para baixo e depois quando chegou a altura do público votar, Israel subiu. Eu sei que há muita gente que diz: "Não, isto é Israel a manipular os votos do público, conseguem com um software manipular." Eu só gostava de chamar a atenção que se foi assim, então não foi só Israel, porque quem ficou em segundo lugar foi a Ucrânia. Portanto, teremos tido também os ucranianos a manipularem a votação. De qualquer forma, público português, Israel em primeiro, Ucrânia em segundo, mostraram aquilo que pensam sobre o que anda por aí e é mais uma prova de que nunca nos devemos deixar impressionar excessivamente por cartas abertas.
Claro, os manipuladores são sempre os outros.
Sempre. Agora, claro, dizes-me assim: estamos a misturar política com arte? Estamos.
Coisa nova, não é?
Sim, realmente acontece.
Miguel, o teu mau está mais gordo.
Está sempre mais gordo. Prometo que vou deixar os comentários autobiográficos agora mais para outras coisas. Vamos focar. O mau é o Estado. Nós ficámos agora a saber que no primeiro trimestre do ano batemos mais um recorde incrível. O número de pessoas que trabalha para o Estado chegou aos 767.094. São mais 8.058 funcionários públicos do que há um ano. Isto está sempre a subir, mas mesmo assim, pelos vistos, não é suficiente. Este fim de semana nós ficámos a saber que a Comissão Nacional de Proteção de Dados, que tinha aplicado 90 multas em 2023, no ano passado apenas conseguiu aplicar duas. Duas! Num ano inteirinho. Há ali uns números um bocadinho confusos. Se eu bem percebi, abriu 2.037 processos de averiguação, 88 processos contraordenacionais, mas só aplicou duas multas. Nós criámos uma entidade inteira cujo trabalho ao longo de um ano foi aplicar duas multas.
É o famoso RGPD que está aqui em causa, não é?
Não, estão a nos chatear com o RGPD por tudo e por nada. Uma pessoa não pode acordar de manhã que não lhe falem do RGPD. Mas enfim, por que isto aconteceu? Duas multas. Porque, segundo os responsáveis da Comissão Nacional de Proteção de Dados, não há pessoal suficiente. E, portanto, em vez de 767.094 funcionários, o nosso Estado precisa rapidamente continuar a crescer, não sei se para 767.200, se para 767.300. Enfim, mas de certeza que nessa altura, com mais umas dezenas de funcionários, a Comissão Nacional de Proteção de Dados conseguirá aplicar, sei lá, 20 multas em vez de duas, talvez. E então nessa altura seremos um país de progresso e de riqueza. Ou então, se calhar, pensando bem, eu estava aqui e estava a pensar: se calhar, o que é preciso é que trabalhemos todos para o Estado. Eu acho que se formos todos trabalhar para o Estado, se calhar, isto vai funcionar bem. Depois já não há ninguém para multar, porque vamos ser todos incríveis. Não, também há entidades públicas a serem multadas pela Comissão. Eu acho, aliás, tenho ideia, não quero jurar, que uma multa foi para uma entidade privada e a outra foi para uma entidade pública, acho eu.
Pelo menos é democrata, isso.
Claro, isto não é feito à balda, ó Paulo. Andamos a brincar ou o quê? São só duas multas, mas são bonitinhas.
São muita boas.
Cuidado, como é óbvio.
Quem é o teu vilão?
Olha, o meu vilão é José Luís Carneiro, que está cada vez mais parecido com Pedro Sánchez. Há uns tempos, o líder do PS português foi a Barcelona participar num encontro internacional da esquerda e fez questão de aparecer num vídeo com o primeiro-ministro espanhol em que dizia que ele, vou citar, é uma inspiração pela forma como tem liderado uma agenda progressista que se preocupa com a prosperidade e o bem-estar e é um exemplo para todos os socialistas democráticos. E pelos vistos, isto era mesmo para levar a sério, porque este fim de semana José Luís Carneiro fez lembrar Pedro Sánchez ao falar sobre o uso da base das Lajes pelo governo americano. Como se sabe, Sánchez proibiu os Estados Unidos de utilizarem bases espanholas e agora, na sequência de umas declarações informais de Marco Rubio, que disse a um jornalista que Portugal aceitou disponibilizar as Lajes mesmo antes de os americanos pedirem, José Luís Carneiro veio dizer que o governo colocou Portugal numa posição lamentável e o PS chamou o ministro dos Negócios Estrangeiros à Assembleia da República e o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, até disse que estamos perante uma humilhação à escala planetária. Ok? Perceberam bem? E pelos vistos, sou forçado a concluir que não é só quando Pedro Nuno Santos é líder que o PS entra em competição com o Bloco de Esquerda.
Enfim, os ventos que vêm de Espanha, não é? Sempre inspiradores.
É, sempre. E olha, que bem que lá está a correr. Como se viu este fim de semana nas eleições na Andaluzia, o caminho do futuro é imitar Pedro Sánchez, sem dúvida. Vamos a isso, PS.
Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira são os telespectadores portugueses, o mau é o Estado e o vilão de hoje é José Luís Carneiro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e que também pode ouvir em podcast.