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Está no ar mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão, sempre com o Miguel Pinheiro. Fala Miguel, bom dia!
Bom dia.
Vamos ao bom desta quarta-feira?
O bom desta quarta é a Procuradoria-Geral da República. Não é por causa do parecer sobre o voto dos isolados. Para isso vamos ter de esperar. Calma nas hostes. Aqui a PGR é o bom porque está a investigar a atribuição de nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich. O multimilionário russo conseguiu tornar-se português ao abrigo da Lei da Nacionalidade dos judeus sefarditas e convém sabermos se as coisas foram feitas de acordo com todas as regras. Em tempos recentes, Portugal serviu de porta de entrada para pessoas pouco recomendáveis e convém que isso não se repita. Estão bem documentados os efeitos na democracia britânica do poder de algumas personagens ligadas ao poder russo. Nós seguramente não queremos que a nossa democracia sofra dos mesmos problemas, até porque a nossa democracia não é a democracia britânica. Por isso, vamos ver, vamos olhar. Acho muito bem a Procuradoria-Geral da República que olhe para aquilo e depois nos diga se está tudo ok.
Obviamente, não pode haver filhos e enteados nestas coisas, não é?
Nada.
Então e quem é o mau?
O mau, infelizmente, é o SNS. Nós ontem ficámos a saber que 12 chefes de equipa das urgências do Hospital de Beja apresentaram a demissão e, além disso, pediram escusa de responsabilidade civil. Fizeram isso por causa daquilo que dizem ser uma situação arrastada de declínio das condições de trabalho e de organização do serviço de urgências, que, e estou a citá-los: "Não permitem assegurar cuidados aos doentes com a qualidade e segurança devidas." E isto não tem a ver com a pandemia. Isto é uma coisa que vem de trás e um problema que se está a agravar. E esta não é a primeira vez que acontece uma coisa destas no SNS, nem é a segunda, nem a terceira, nem a quarta, mas ouvindo os debates dos líderes dos principais partidos, parece que há várias pessoas que ainda não perceberam o estado em que as coisas estão e parece que estão convencidos que os problemas do SNS se vão resolver por magia um dia destes.
Aliás, este teu mau parece repetido de outros maus que colocaste aqui nos últimos meses. São maus aos olhos, não é?
Que eu estou a perder a originalidade, é isso?
Não, a realidade é que está
De forma passiva ou agressiva, isso.
Não, Miguel, era incapaz de dizer isso de ti. A realidade é que está a perder a originalidade, isso sim.
Estamos de acordo. Se fosse para dizer mal de mim, não estávamos de acordo. Se é para dizer mal da realidade, estamos sempre de acordo.
Sempre.
Miguel, só fica a faltar o vilão.
O vilão é Francisca Van Dunem. Ontem, pouco antes das 19h, a ministra da Administração Interna anunciou que ia dar uma conferência de imprensa, juntamente com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, uma coisa em grande. Íamos finalmente saber o que é que vai acontecer aos isolados, que se nada for feito, estarão impedidos de votar nas eleições de 30 de janeiro. Acontece que, porém, todavia, contudo, pouco depois da hora prevista, foi dito que afinal já não ia haver conferência de imprensa nenhuma, porque aparentemente o governo ainda não tinha recebido o parecer do conselho consultivo da PGR. Ou seja, foi mais uma confusão num assunto cheio de pequenas e de grandes confusões, uma confusão escusada. Quer dizer, o governo antes de marcar conferências de imprensa, que se informe sobre se tem tudo aquilo que precisa ou não. Enfim, isto tem um nome, é amadorismo.
Vamos então ao resumo de hoje: o bom é a Procuradoria-Geral da República, o mau o Serviço Nacional de Saúde e o vilão desta quarta-feira é Francisca Van Dunem.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.