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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. 9:16, começa agora mais Um Fim do Mundo em Cuecas. Bom dia, David Cristina.
Muito bom dia. Como estão hoje?
Hoje ao telefone. Estamos bem e tu?
Eu também. Hoje estou ao telefone, estou mais longe, mas estou cá, que é o importante.
Hoje queres falar de vergonha? Estás com vergonha?
Venho falar de vergonha. De vergonha alheia também um pouco. Para quem não sabe, o André Ventura ontem, enquanto estava no Parlamento, estava a fazer uma intervenção normalíssima para ele, que é uma intervenção em que usa a palavra vergonha para cima de 17 vezes por minuto. Normal, mais uma vez, para ele. E o Ferro Rodrigues não teve para isso e chamou-lhe a atenção porque disse que a utilização da palavra vergonha tão frequentemente ofendia o Parlamento e ofendia até mesmo o próprio André. Eu estou com Ferro Rodrigues nisto, porque realmente esta utilização excessiva da palavra vergonha é uma vergonha. O André podia variar um pouco, dizer que o problema é um embaraço, é constrangedor ou paga mico. Mas quem não gostou nada de ser chamada a atenção por usar a palavra vergonha foi o André, que perdeu a vergonha e armou a maior escandaleira. Atenção, eu também compreendo o nosso Bolsonarinho benfiquista, é que se lhe retiram a palavra vergonha, o que lhe resta ao nível da intervenção parlamentar? Vergonha é o seu substantivo favorito e vergonhoso é o seu adjetivo favorito, coitado do homem. Ia ficar reduzido a pronomes e artigos definidos e indefinidos. Ou então ainda pior, tinha que expandir o vocabulário, isso é que era uma vergonha.
David, ele a dado instante até saiu do Parlamento.
Pois foi. Ficou muito irritado, porque depois do Ferro Rodrigues o ter mandado calar de uma forma francamente um pouco desavergonhada, veio o Bloco de Esquerda falar e o que fez? Usou a palavra vergonha, mesmo para picar, e o Ferro Rodrigues nada. E o André pôs-se a andar. Há quem diga que foi porque o André estava ofendido. Eu acho que ele estava tão contentinho porque tinha mais uma razão para ir armar banzé. E claro, minutos depois já tinha convocado uma conferência de imprensa para dizer duas coisas. A primeira foi que não ia fazer aproveitamento político da situação. Ora, convocar uma conferência de imprensa para dizer que não se vai fazer aproveitamento político da situação é como ligar a uma pessoa para dizer que não queremos falar com ela. E a segunda coisa que ele disse, para que não se ficasse a pensar que ele ia fazer aproveitamento político da situação, foi dizer que ia ligar ao Presidente da República. Portanto, ele vai fazer o máximo aproveitamento político que conseguir. E o que irrita é que depois vêm montes de parvalhões nos dias seguintes dar-lhe atenção, como eu, neste caso. Mas nesta linha de coisas ou notícias que não cheiram bem, eu tenho a notícia perfeita para seguir este circo Ventura.
Aleluia, venha lá então. Qual é essa notícia?
O senhor Joe Ruairimama, que é um cavalheiro do Uganda, ficou famoso porque dá uns puns maravilhosos.
Só tu mesmo.
Atenção, não tanto porque estes puns têm um aroma a baunilha ou a água de rosas, ou alguma musicalidade particular, mas é porque matam mosquitos. E isto é muito importante naquela zona da Uganda.
Finalmente uma história que faz jus ao nome da rubrica.
Fim do Mundo em Cuecas, aí está. Eu acho que o cavalheiro de fato usa cuecas para fazer isto. Mas estes puns matam mosquitos e isto é muito importante, porque naquela zona da Uganda os mosquitos transmitem a malária. E aquilo é de tal maneira que já há uma empresa que está a estudar este craque dos traques. Consta que esta empresa que está a estudar as flatulências cataclísmicas do Joe, está a pensar pôr isto numa lata. Resta só saber qual é o som que a lata fará quando disparada. E diz o barbeiro lá da vila que o Joe é famoso por matar os mosquitos com o seu trombone de nádegas. E mais, diz o Joe ainda que tem um alcance de seis milhas. Ora, isto se é verdade, quer dizer que os seus foguetes fétidos têm mais alcance que a bomba de Hiroshima. Atenção!
Vai ser designada arma química.
O que é o metano das vacas para o ambiente comparado com isto.
É o Joe. Alguém liga à Greta, diz que isto é o Joe. Para quem estiver a pensar reproduzir isto em casa, e eu sei que os nossos ouvintes estão seguramente a pensar: "Bem, como é que eu posso ter isto?" O Joe não sabe como é que adquiriu este superpoder. Ele diz que não come nada de especial e tanto quanto sabe, os seus fós só são letais para mosquitos, deixando as pessoas completamente ilesas. Mas acima de tudo, o Joe tem o cuidado de só libertar o seu bafio em situações em que há uma clara ameaça de mosquitos. Não anda assim a largar sarratões. Já o André Ventura bem podia aprender alguma coisa com ele e parar de soltar as suas ventosidades no Parlamento, que isso sim é uma vergonha.
David Cristina com o Fim do Mundo em Cuecas, segunda-feira, à nova edição aqui na sua Rádio Observador.
O fim do mundo em cuecas, o fim do mundo em cuecas. Bem ou branquinhas, bem lavadinhas, é o fim do mundo em cueca.
Aconteça o que acontecer.