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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.
O fim do mundo em cuecas. O fim do mundo em cuecas. Bem branquinhas, bem lavadinhas. É o fim do mundo em cuecas.
Vamos falar de um falecimento dramático. Vais falar da vocalista dos Roxette, é isso?
Podia ser. Fiquei mesmo muito triste com a notícia do falecimento da vocalista dos Roxette. Eu escutei muito a música dos Roxette quando era adolescente e fico muito triste, muito triste por saber que os adolescentes agora nem sequer sabem quem é o Roxette.
Quem eram.
Exato. Fazem-me sentir muito velho. Eles tinham aquela música muito famosa dos sem-abrigo. Eu gostava muito dessa música.
Qual música dos sem-abrigo?
Queres ouvir? Põe lá um bocadinho.
Sleeping in my car. I will embrace you. Sleeping in my car. I will caress you.
É assim: durmo no meu carro. Está claro que é uma música sobre sem-abrigo. Quem é que dorme no carro? São as pessoas que não têm casa. Aliás, pouca gente sabe, mas os Roxette, na verdade, roubaram esta música a um outro grupo português.
A sério?
A sério. Queres ouvir?
Diz-me.
Oiçam lá o original.
Durmo no meu carro, não ganho para a renda. Não arranjo casa, nem numa tenda.
Está bem visto.
Aí está.
A prova que eu não desconfiava.
Traduziram muito bem os Roxette. Os Roxette traduziram bem, sim. Não foi perfeito, mas sim. Esta banda de enorme qualidade chamava-se Mini Drumfs e eram considerados por muitos uma espécie de Delfins, mas com talento musical.
Mas, David, se não é da vocalista dos Roxette, de que falecimento vamos falar?
Parece que houve um senhor romeno que foi viver para a Turquia e demorou muito tempo a voltar. E a sua mulher resolveu declará-lo morto. Sabem como é que são as mulheres. Até aqui tudo bem, só que o senhor não estava morto, de facto, e então foi ao tribunal refilar, porque isto a brincar, estar morto tem imensos inconvenientes.
Eu confesso que nunca passei por isso.
Mas eu imagino. Para uma pessoa pedir um seguro de vida deve ser dificílimo. Mas o senhor foi até ao tribunal de carro, sentou-se ao lado do contador.
Mas era sem-abrigo?
Não, o senhor tinha.
Histórias ao parque.
Estava morto, mas acho que tanto quanto eu sei, tinha casa. Mas o senhor foi até ao tribunal, foi de carro, sentou-se ao lado do contador, por razões óbvias, que é o lugar do morto. E quando chegou ao tribunal, disseram-lhe que o seu direito a refilar já tinha prescrito, por isso ia ter mesmo que ficar morto. O senhor ainda tentou argumentar que estava claramente vivo, mas o juiz não foi cá nessas cantigas e manteve que o senhor chegou ao tribunal morto e ia sair pelo seu próprio pé, morto. E porque eu hoje estou aqui para falar de temas jurídicos, houve um outro senhor, cá em Portugal, que ficou impotente após um acidente. Isto foi em Évora. E a mulher dele estava a tentar que a seguradora pagasse €120.000.
Quem é ela?
Ela, claro. Pela perda. Mas o tribunal acho que disse só 15 mil euritos. Consta que o argumento do juiz olhou para o senhor e disse: "120 mil € por este mono? 15 mil € e já vais com muita sorte." E eu concordo que ela já vai com muita sorte, porque eu conheço muitos casais em que as mulheres pagavam 15 mil € para não terem que se chatear mais.
Pronto, mais alguma coisa para dizer depois disto?
Sim, só mais uma. Eu queria mencionar que há um miúdo de nove anos, belga, que estava prestes a acabar o curso superior de Engenharia Eletrónica. Atenção, nove anos. Ele estava prestes a tornar-se a pessoa mais nova de sempre a acabar um curso superior. E desistiu. Que falhado. Nem acabou o curso.
Pouco ambicioso.
Isto realmente, estes miúdos hoje em dia. A verdade é que os pais tiraram-no da universidade, porque a universidade decidiu que não ia acelerar o plano académico ainda mais e os pais ficaram zangados. Eles dizem que não é por isso, dizem que é porque ofereceram um doutoramento nos Estados Unidos e o pai diz: "Não podemos desperdiçar esta oportunidade. Sabe-se lá quando é que vai surgir outra." A criança tem nove anos e está quase a acabar uma licenciatura. Vão haver outras oportunidades de doutoramento, ok? Não me parece que as outras universidades vão estar a dizer: "O quê? Já tem 11 anos? Não queremos cá as velhadas a estudar." E pensar que o meu filho come lápis de cera.
O fim do mundo em cuecas. O fim do mundo em cuecas. Bem branquinhas, bem lavadinhas. É o fim do mundo em cuecas.