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Bom dia, David Cristina.
Bom dia! Estão me a ouvir bem?
Perfeitamente.
Então, gostei muito desta música, é um grande tema que vocês acabaram de passar.
Dançaste? Bateste o pé, pelo menos.
Dancei muito. Não, dancei mesmo muito. Estou aqui no meu quarto de hotel, fartei-me de dançar. Não foi em cuecas. Quer dizer, foi em cuecas, porque eu estou de cuecas, mas também estou de outra roupa.
Não só é brancas. Mas não vamos por aí.
Não.
Onde é que estás hoje?
Imagem mental.
Estou em Xangai e tenho só que vos contar uma coisa. Cheguei ontem ao meu quarto de hotel à meia-noite, um hotel todo técnico-tático. Cheguei e tinha uma retrete automática, ou seja, abri a porta da casa de banho e a retrete abriu-se automaticamente. Pensei que tinha o quarto assombrado. Pensei que tinha um fantasma na minha retrete. Mas não, é outra coisa.
Era a tecnologia só.
É a tecnologia. Eu queria falar convosco hoje sobre algumas coisas. Em primeiro lugar, o filho do Júlio Iglesias português. Já ouviram falar do Javier Sanches? Ele espera receber €30 milhões, agora que se viu finalmente reconhecido como filho legítimo de Júlio Iglesias. Fica assim finalmente a resposta à pergunta: quanto é que me tinham que pagar para ser filho do Júlio Iglesias? Já está, já tenho uma resposta. Para ser filho do Miguel Ângelo dos Delfins, os especialistas estimam que é entre 100 a 200 milhões de euros. Se alguém estiver a pensar nisso. Queria falar convosco sobre uma coisa um pouquinho mais séria, que está aí nas notícias muito, que são os incêndios de maçã. O país está a arder sempre, todos os anos. Chega a esta altura, o país está sempre a arder. No outro dia isto aconteceu: fui comprar uma bandeira nacional e vi que tinha lá uma etiqueta a dizer "inflamável". Eu pensei: "Olha, não é mentira. O país, de facto, é altamente inflamável". Mas pronto, os incêndios de maçã. O que se está a passar agora, que me está a ralear, é que se está a jogar um jogo de passar a culpa. Toda a gente está a passar a culpa pra toda gente. É uma espécie do jogo da batata quente, só que em vez de ser uma batata, é o nosso país. Quer dizer, na verdade, está quente, está muito quente, está a arder. Pronto, mas é isso, é o jogo da batata quente. E eu vou fazer um exercício com vocês e para os nossos ouvintes aí em casa, tentar perceber quem é que realmente tem culpa, tentar apurar a responsabilidade sobre a combustibilidade elevada da nossa nação. Então, vamos começar pela primeira pessoa que não atira culpas pra ninguém, Rui Rio. Rui Rio diz que é mau gosto apontar culpas enquanto os incêndios estão a decorrer. Ok? Presumivelmente, o momento indicado para apontar culpas é quando o país estiver ardido todo. Aí é o momento certo. Depois temos o governo, neste caso, António Costa, que faz melhor que o Rui Rio, porque diz que também não faz comentários enquanto os incêndios estão a decorrer, mas remata: "Pá, não faço comentários, especialmente àqueles tipos responsáveis pela proteção civil em cada conselho". Por isso, diz que não faz, mas faz. É um comentáriozinho, está bem jogado. Os autarcas não gostaram e dizem que não é nada culpa deles, onde é que já se viu, e devolvem a culpa ao governo. Portanto, temos aqui um jogo de pingue-pongue de culpa. O Eduardo Cabrita, que também é do governo, diz que também não se fica e diz que os autarcas é que deviam estar ao lado das pessoas e não à frente do microfone. Diz ele isto em frente a um microfone. Certíssimo.
Parece que perdemos a ligação ao David Cristina. Amanhã temos nova versão deste fim do mundo em cuecas, que hoje ficou mais curta devido a esta ligação até à China.
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