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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.
"O Fim do Mundo em Cuecas, o fim do mundo em cuecas. Vêm tão branquinhas, bem lavadinhas, é o fim do mundo em cuecas."
Bom dia.
Ora, muito bom dia. Como estão?
Estamos bem. E o que tens tu para nós hoje, David Cristina?
Antes de eu entrar aqui, foi-me chamada a atenção que a nossa colunista Laurinda Alves publicou no Observador, um artigo sobre um tipo que estava a andar de skate elétrico na Rua Castilho. Eu também ando de skate elétrico na Rua Castilho.
Eras tu.
Espera. E ela dizia que este tipo arriscou a vida e quase causou um acidente. E eu pensei: "Mas eu sou tão mariquinhas a andar". Mas depois fui ler o artigo e dizia que o cavalheiro tinha porte atlético e imediatamente vi que não era eu. Tratava-se de um outro cavalheiro. Mas eu queria celebrar convosco aqui, hoje, o prémio de Miss Universo, que foi atribuído este domingo.
Queres celebrar o prémio?
Sim, é mais um ano e mais um prémio de Miss Universo para o planeta Terra. Embrulhem este extraterrestre. Parece que nós temos o número ideal de olhos. Vou tentar dizer o nome dela sem insultar toda uma cultura. Parece que a Zozibini Tunzi, da África do Sul, ganhou. Toda a gente anda a dizer que isto foi histórico, porque por um lado ela é negra e tem o cabelo curto, dois atributos que sempre comprometeram a escolha do júri no prémio Miss Universo. E diz a Zozibini: "Eu cresci num mundo onde uma mulher como eu, com o meu tipo de pele e cabelo, nunca foi considerada bonita. E eu acho que é hora de terminar isso hoje." Tenham dó. Para começar, a mulher é manequim, por isso já alguém a achava bonita antes de ela ganhar isto. E é linda, atenção. E depois está toda a gente a agir como se esta fosse a primeira vez que uma mulher negra tivesse sido considerada atraente. Antes disso só tínhamos a feiosa da Tyra Banks e a Beyoncé, esse grande trambolho. Já agora, dizer que não é um horror, aquilo é uma mulher. Já agora, o concurso Miss Universo é altamente sexista, acho que podemos todos concordar com isso. E a mim irrita-me particularmente, porque eu tenho muita inveja de pessoas bonitas. Não gosto delas. E tenho que dizer que usar o palco do concurso Miss Universo para enaltecer o feminismo não é muito diferente de enaltecer o veganismo com a boca cheia de entremeada. É um bocadinho a mesma coisa. E por falar em veganismo, eu ouvi uma notícia que eu acho que vai intranquilizar muitos dos veganos. Diz-se veganos? Chamam-se veganos? Veganos, vegan, sim.
Sim, acho que estás bem.
Acho que há uma certa diferença entre umas coisas e outras. Nunca me dediquei, de facto, a esses detalhes.
Entre veganos e vegetarianos. Eu depois explico.
Os veganos não comem ovos, não é?
Não comem nada que implique sofrimento animal.
Então, mas isso vem muito a propósito daquilo que eu vou falar agora. Diz lá então o que vem aí. Que medo. Um estudo recentemente publicado pela Universidade de Telavive demonstrou que as plantas também gritam quando estão desconfortáveis, quando lhes falta água ou quando são cortadas, por exemplo, gritam. Aparentemente, os cientistas colocaram microfones a 10 centímetros das plantas e tanto quanto eu consegui entender, a razão científica porque fizeram esta experiência é porque tinham microfones e plantas, não há mais nenhuma razão. E eles descobriram que as plantas emitem sons a altas frequências que os ouvidos humanos não captam. Mas nós aqui no Fim do Mundo em Cuecas conseguimos encontrar uma gravação do som em questão e convertemos para uma frequência audível. Por isso, preparem-se. Vamos ouvir pela primeira vez, possivelmente na história da humanidade, o som de uma planta desconfortável. Pronto.
Ainda bem que não ouvimos isto.
É, não é? Horrível. Ainda bem que nós não ouvimos isto, senão imaginem jogos de futebol, a malta a pisar a relva, aquilo era muito chato. Mas queria só dizer à malta vegan ou vegetariana, lembrem-se disto da próxima vez que pedirem uma saladinha. "Vou só ali ao Vitaminas." E finalmente, o som é mesmo assim, não sou eu que invento.
É o som, exatamente.
É mesmo assim, são as plantas. E finalmente foi divulgado como é que os russos andaram a fugir ao controle antidoping nos Jogos Olímpicos de Sochi em 2014. Uma coisa que vem muito a tempo. Aquilo era assim: os atletas russos estavam todos drogados, depois faziam xixi lá num copo e depois, antes de estarem todos mocados, tinham guardado xixi limpo noutro copo. Envolve muito xixi esta história, parece aquela entrevista da Cristina com o Ângelo Rodrigues.
Da chuva dourada?
Da chuva dourada. E depois eles tinham o xixi limpo, tinham o xixi drogado, e depois tinham um espião. Atenção, havia um espião russo.
Xixi drogado é muito bom.
Deixa-me ver se eu consigo acabar esta.
Vai lá, força.
Havia um espião russo que fazia de conta que era canalizador e ia aos laboratórios trocar os xixis. Uma coisa muito sofisticada. Imagina só, uma pessoa treina para ser espião a vida toda e acaba a trocar xixis. Isto é claramente aquele episódio da saga 007 que ainda não foi feito.
Por alguma razão.
Imaginem só. Aliás, até temos aqui um som da reação do espião russo quando lhe foi proposto este trabalho.
O espião russo era uma couve, era um repolho. Fim do Mundo em Cuecas com David Cristina, todas as edições estão disponíveis em podcast. Até amanhã, David.
Até amanhã.
"O Fim do Mundo em Cuecas, o fim do mundo em cuecas. Vêm tão branquinhas, bem lavadinhas, é o fim do mundo em cuecas."