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1635. Cascais. Vamos sortear o destino do nosso código postal de hoje.
Todas as manhãs sorteamos um código postal e vamos à procura das melhores histórias espalhadas pelo país. De Bragança a Sagres, Portugal inteiro cabe na Rádio Observador.
Hoje rumo a Vila Nova da Barquinha para conhecer melhor depois das 10h. Estamos a 10 minutos das 10h. Hoje é dia de estreias nas salas de cinema e por isso no lado bom da vida falamos de filmes com o jornalista André Santos. Olá, André, bom dia.
Olá, bom dia. Hoje trago um filme de terror, que não é bem um filme de terror.
Boa forma de começar.
É verdade.
É, mas não é.
É, mas não é.
É nim. Acabamos de ouvir falar nim.
É verdade.
Não, não era nim, era senim.
Senim.
Senim é melhor que nim.
É, senim é melhor.
Eu sei que esta semana é marcada por muito boas estreias, inclusive o Palma de Ouro do último Festival de Cannes, Parasitas de Bong Joon-ho, que eu também recomendo muito, mas como é daqueles filmes em que não convém falar muito antes de se ver, eu resolvi trazer este Midsommar - O Ritual, que me impressionou bastante.
Midsommar - O Ritual. Já ganhou alguns prêmios, certo? Incluindo o prémio do público no MotelX, aquele festival de terror.
Que não é bem um festival de terror, ou não?
Esse é mesmo um festival de terror.
Esse é mesmo um festival de terror e que foi no início deste mês.
Foi no início deste mês. E eu sei que falar disto não é muito a meu favor, na lógica de é um filme de terror, que não é um filme de terror. Ganha prêmios em festivais de filme de terror. Este é o segundo filme de Ari Aster, que no ano passado trouxe o seu primeiro filme, que foi Hereditário, que foi um dos filmes sensação do ano passado. Mas este Midsommar é muito diferente, leva-nos a uma comunidade pagã na Suécia e a um ritual que praticam durante o verão, mais concretamente em julho, e que começa a ser apresentado como algo idílico, mas que depois vai desmontando para outra coisa qualquer, muito pouco convencional.
E está-se a ver que é aí que começa o terror, não é?
Menos o terror, mas mais a violência, diria. E é também que Midsommar deixa de ser o filme de terror que se imagina que seja desde o início, porque começa a tornar-se um convite para olharmos para uma sociedade diferente. Ou seja, esta pequena comunidade, começamos a olhar para ela e começamos a aceitar as suas regras como algo natural lá dentro. E depois, noutra linha, torna-se numa obra que nós, enquanto espetadores e cidadãos, aprendemos a respeitar regras na sociedade. E o filme força-nos a olhar para isso, como nós interpretamos a nossa sociedade, como a vivemos e aceitamos as coisas que achamos normais.
E no meio disto tudo, há uns intrusos que visitam esta sociedade pagã e encontram essas regras que são completamente diferentes e que as aceitam, é isso? É por aí?
Eles não as aceitam. Mas há um grupo externo, sim. E é a partir deles que nós vemos isto tudo, que são um grupo de antropólogos norte-americanos. E o realizador, que também é norte-americano, acaba por fazer algum humor com o turista norte-americano, da forma como olha para as coisas e assume sempre que tudo fora dos Estados Unidos é um parque de diversões. Mas neste grupo há uma personagem, que não é antropóloga, que é Dani, que é interpretada por Florence Pugh, que é uma atriz fabulosa e que tem um papel maravilhoso e que acho que vamos ouvir falar dela muito nos próximos anos.
Eu estou aqui a ver, ela é a rapariga do poster do filme, não é? Que aparece com uma coroa de flores.
Exato, ia chorar. Ela é a protagonista do filme e ela vai para lá, para esta comunidade na Suécia com o namorado, para tentar esquecer um acontecimento trágico que lhe aconteceu, que acontece no início do filme. E ela é também a razão porque eu hoje resolvi falar de Midsommar, porque apesar de toda esta lógica pagã, das sociedades fechadas, com hábitos estranhos, o filme torna-se numa incrível obra catártica sobre como lidar com a tragédia e aceitar como a vida continua. Já o filme anterior de Ari Aster tocava neste ponto, mas Midsommar, acho que concretiza a ideia com muita força e, claro, com menos elementos de género de terror. É o tal filme de terror que não é de terror.
Exatamente. O jornalista André Santos. Amanhã temos propostas para ver, comer e ficar no lado bom da vida. Daqui a pouco as notícias na sua rádio, mas antes a elástica para ouvir, agora com esta connection.
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