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"Lado Bom da Vida" às sextas-feiras com música ao vivo e hoje tenho o grande prazer de ter no nosso estúdio a Aline Frazão. Aline, muito obrigado por teres vindo.
É um prazer, obrigada.
Um prazer também estares conosco aqui numa altura em que acabas de lançar hoje um novo single, chama-se "Luísa". Já nos vais tocar essa nova canção aqui também neste exclusivo da Rádio Observador, mas "Luísa" é a primeira amostra para um novo álbum da Aline Frazão. Podemos dizer que é o quinto, o sexto, se contarmos com a banda sonora de "O Ar Condicionado", o filme angolano que fizeste em 2020. Como este disco, que tem o nome "Uma Música Angolana", se relaciona com os anteriores? Quais são as principais diferenças destas tuas novas canções para as anteriores?
Em relação ao disco anterior, chama-se "Dentro da Chuva" e é um disco a solo, só voz e violão, foi gravado no Rio de Janeiro. Este é um disco de regresso ao som de banda, a um som muito ligado às minhas primeiras influências, os primeiros discos. Talvez seja um disco que soma um bocadinho de todos os discos, mas mais os dois primeiros, onde exploro muito as questões rítmicas, a música de Angola, de Cabo Verde, do Brasil, e essas influências que moldam muito uma sonoridade pela qual sou apaixonada. E é um disco também que se marca porque eu escrevi vivendo em Angola. Acho que isso se nota muito, talvez, na escrita de alguns dos temas.
As colaborações são uma das tuas marcas. No próximo disco, tens várias: Nasty o Mosquito, o fadista Ricardo Ribeiro. No caso do Ricardo, é um dueto.
Não, do Ricardo Ribeiro é um tema de autoria do Ricardo, com um poema do Pedro Almendro Melo, musicado pelo Ricardo Ribeiro.
Que ele passou pra ti, pro teu novo disco.
Exato.
E a participação com o Nasty, é desse género?
Nasty é um convidado. Nasty entra num tema que se chama "Baúca", que está no disco. E o Nasty é da minha geração, artista angolano, músico, cantor. Na verdade, eu disse-lhe que ele inspira-me muito pra fazer este disco também.
Imagino que sim. E sobre este "Luísa", pelo que percebi, também é uma música de homenagem a Luisas, a Alines, a Judites e a muitas mulheres. É um hino de empoderamento feminino?
Sim, essas palavras são sempre poucas. É complicado falar de feminismo hoje em dia sem soar já repetido, mas a ideia é que seja uma música de incentivo, de homenagem e de-
E de força
...e de força, sim, e de otimismo e de nos ensinar a lidar melhor com aquilo que consideramos falhas. Acho que as mulheres muitas vezes são muito exigentes consigo próprias e às vezes é-nos difícil lidar com aquilo que supostamente é falho. Acho que a mensagem da música é que isso também é belo, porque é remendado. O que é remendado nasceu outra vez e nunca tem fim. Nossa história é assim.
É bonito.
Não é muito fácil classificar. Há pouco estavas a falar exatamente desta questão das tuas viagens lusófonas e das tuas diferentes geografias e de como elas influenciam também a tua criatividade. É uma música angolana, assim se chama o disco, é iminentemente angolana ou tu misturas aí tudo o que há pra misturar?
Eu gosto de pensar que eu misturo, mas ao mesmo tempo, a minha ideia também com esse título é provocar um pouco uma discussão forte à volta do que é isso de música angolana, porque eu acho que a música angolana é uma música muito permeável. Sempre foi. Outras influências, a música que veio da América Central, a música do Congo, a música do Brasil também, os movimentos da música pop no mundo. Angola é um país muito aberto, muito ligado a Cabo Verde também. Todas essas influências que eu costumo contar que o meu trabalho tem, nada mais são do que a música que se ouvia na rádio quando eu era pequena. E na verdade, são influências que eu partilho com outros artistas da minha geração. E eu acho que a música angolana é múltipla. Por isso, uma música angolana. É só uma delas.
Uma de várias. Olha, entretanto anunciaste também os concertos. Dia 26 de março há concerto no Auditório de Espinho, 20 de abril, Maria Matos em Lisboa, para apresentar este novo disco, "Uma Música Angolana". Já tens ideia de como vão ser estes concertos e quem é que vai estar contigo em palco?
Vão ser lindos.
Disso eu tenho a certeza. Aline, mesmo que estivesses sozinha, seria sempre.
Vão ser lindos, porque tenho muita vontade de os fazer e a banda está em pulgas também pra ir pro palco, porque é um disco de palco, é um disco de ao vivo, é um disco de ter público, é um disco de partilha e de reencontro. E acho que essa energia vai se sentir ainda mais quando estivermos em palco apresentando com a presença do público, com a vossa presença, porque acredito muito neste álbum e acredito muito também no espetáculo que vai sair dele.
Olha, já estamos a gostar deste álbum, só por esta primeira amostra, a Luísa. Aguardamos novas canções. De resto, trouxeste também a Luísa para uma interpretação aqui no nosso estúdio, no fecho deste "Lado Bom da Vida". Ficava mais meia hora ou duas a falar contigo.
E ficou muito por dizer. Eu acho que as pessoas não têm noção, tendo em conta a tua carreira, que tu só tens 33 anos, não é?
Sim, já tenho 33.
Ainda!
Sabes que ainda na semana passada, temos um programa aqui, tenho com o Tiago Pereira, o "Isto Não Passa na Rádio", e fizemos um olhar aos discos que queríamos em 2022 e ele referiu que o novo disco de Aline Frazão era um dos seus favoritos, por isso aqui está ela na Rádio Observador com Luísa, tocada ao vivo no nosso estúdio. Aline, muito obrigado por teres vindo. E muitos parabéns.
Obrigada, é um prazer.
Leva flores doambo na camisa. Que lapanga na mão não improvisa. Sincroniza o seu peito com a batida. Sem marcas ela dança sozinha. Quando escolhe as ala fica indecisa. Faz sentido com a história que pisa. Não precisa de coro nem avisar. Quando vem, se ela dança sozinha. Tem nome de canção. Luísa. Voz de voo, de pensamento quando pousa no chão. Essa voz que utilizas para inventar. Nem te ocorra mudar. O que em ti é inquieto. O que em ti é falho e é belo porque é remendado e o que é remendado nasceu outra vez e nunca tem fim. Nossa história é assim. Voar que eu vou. Já contei que ela dança sozinha. Amiga das plantas e da cozinha. Não vacila, não poupa nastiga. Sem marcas, mas não curte uma briga. Inventora de haikus e teorias. Coleciona frascos de maresia. Semeia uma pergunta por dia, colhe meia resposta vazia. Tem nome de canção. Luísa. Voz de voo, de pensamento quando pousa no chão. Essa voz que utilizas para inventar. Nem te ocorra mudar. O que em ti é inquieto. O que em ti é falho e é belo porque é remendado e o que é remendado nasceu outra vez e nunca tem fim. Nossa história é assim. Nem te ocorra mudar. O que em ti é inquieto. O que em ti é falho e é belo porque é remendado e o que é remendado nasceu outra vez e nunca tem fim. Nossa história é assim. Porque quando tu voas, Luísa, meu abismo se suaviza. Quando tu falas, Luísa, meu corpo cicatriza. Quando tu falas, Luísa, meu segredo se banaliza. É da tua palavra que este mundo precisa.
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