Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E continuamos a falar da guerra na Ucrânia nas manhãs 360. É para lá que vamos agora em direto ao encontro do enviado especial d'O Observador, o fotojornalista João Porfírio, que está em Kiev. João, bom dia.

Olá, bom dia.

Olá, João. Bom dia. É sempre bom ouvir-te, João. António Costa está hoje na Polónia, quase a terminar a visita oficial ao país. Já se sabe alguma coisa mais em concreto sobre a visita do primeiro-ministro aí a Kiev?

Oficialmente, não. O que é facto é que o primeiro-ministro termina a visita na Polónia hoje ao início da tarde, por volta de 12h30 acabam as cerimónias oficiais, a agenda oficial termina por volta dessa hora, e é expectável, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, feliz ou infelizmente, veio a público dizer isso mesmo, que nos próximos dias António Costa viria até Kiev. Pois é expectável que com esta agenda pública que nos é permitido saber, e com a possibilidade de António Costa vir a Kiev, que de facto essa possibilidade se concretize nos próximos dias. Há algumas informações que nos levam a pensar isso e cá ficaremos à espera.

Então ficarão à espera. João, temos podemos já dizer uma alta experiência de acompanhar visitas aí a Kiev de líderes estrangeiros, de Pedro Sánchez a Charles Michel ou António Guterres. Quanto a estas visitas, de alguma forma, se consegue antecipar pelo movimento na cidade que alguma coisa de diferente vai acontecer?

Sim, é verdade que Kiev transforma-se. Ou pelo menos as zonas onde estes líderes políticos passam, transformam-se e passam a ser um local com uma segurança extrema. É importante também dizer que nenhum líder político avisou antes de vir a Kiev. Portanto, não podemos nem devemos estranhar o facto de António Costa não confirmar taxativamente quando é que vem a Kiev. Confirma, sim, que vem a Kiev, quando é normal que não o faça por razões de segurança, obviamente. Nenhum líder político, nenhum chefe de governo o fez até este momento. A única pessoa que de facto furou este protocolo, foi António Guterres, mas António Guterres tinha que o fazer porque avisou que foi a Moscovo nessa mesma semana e avisou também dois dias depois eu irei a Kiev encontrar-me com o presidente da Ucrânia. Portanto, esta foi a única exceção. É importante também dizer isto. Foi a única exceção que sabíamos antecipadamente que este líder político viria até Kiev. Como dizia há pouco, estas estradas e estes sítios por onde os políticos passam aqui em visitas a Kiev transformam-se de facto. Muitos militares na rua, muitos militares descaracterizados, muitos carros descaracterizados também, muitas armas. É também uma forma de o governo ucraniano mostrar aos líderes internacionais que tem esta zona controlada. Vêm os militares mais bem armados, mais bem equipados, são esses militares que fazem a segurança destes líderes políticos. Para já, ainda não se vê, naturalmente, por essas razões todas de segurança que falámos, nenhuma movimentação estranha com uma eventual vinda do primeiro-ministro António Costa. Mas acreditamos que se essa visita acontecer de facto nos próximos dias, essa presença se vai sentir, não só no centro da cidade, que é onde nós achamos que se vai centrar também grande parte dessa visita, mas também na região de Kiev, que também é uma possibilidade de António Costa visitar uma destas zonas mais afetadas, como Irpin, Borodyanka ou mesmo Bucha.

E era isso que te ia perguntar, João. Há uma espécie de padrão nas visitas, ou seja, fazem sempre o mesmo percurso, visitam os mesmos locais?

Não, o que é facto é que não. Muitos políticos preferem visitar as zonas mais afetadas em termos de infraestrutura e outros preferem ir aos locais onde infelizmente mais pessoas perderam a vida. Pedro Sánchez visitou Bucha, por exemplo, Charles Michel visitou Borodyanka. Borodyanka que foi uma cidade que está completamente destruída na região de Kiev, a norte de Kiev, e Bucha, como sabemos, aquele massacre em toda aquela pequena cidade que é Bucha. Portanto, não existe um padrão, digamos assim. Estas são as três zonas mais perto da capital de Kiev, onde os líderes políticos escolhem visitar, também por isso, porque são três locais relativamente perto do centro e faz com que em meia hora os líderes políticos vão a esse local, passem poucos minutos, porque estes locais são sempre visitados pouquíssimos minutos, até por razões de segurança. António Guterres teve três minutos em Borodyanka, teve sete minutos em Bucha, na igreja de Bucha, e teve sensivelmente seis minutos em Irpin. Portanto, conseguimos perceber que estas visitas têm que ser muito rápidas em termos de segurança, obviamente. E depois, como há um longo programa ao longo do dia para cumprir e horários muito restritos, essas visitas têm que ser rápidas também por isso, para se conseguirem pôr no centro da cidade onde fica, por exemplo, o Palácio Bankova, o palácio onde Volodymyr Zelensky está desde o início da guerra e onde é também expectável que António Costa, quando chegar a Kiev, também irá terminar essa visita no Palácio Bankova com uma conferência de imprensa conjunta.

Ora, e sabes bem como é que isso funciona. Estamos ainda, João Porfírio, a tentar perceber ou tentar adivinhar como vai decorrer esta visita de António Costa. És muito conhecedor da região nesta altura. Como é que é a viagem de Varsóvia a Kiev? Que transportes existem? Conseguimos perceber como é que António Costa chegará à capital da Ucrânia?

Sim, António Costa pode chegar de duas maneiras diferentes, ambas por terra, porque obviamente o espaço aéreo ucraniano continua fechado e grande parte dos aeroportos completamente destruídos. Existem duas maneiras: há um comboio direto de Varsóvia para Kiev, que demora sensivelmente 20 horas. E existe também outra maneira, que é ir de carro até à fronteira ucraniana, atravessar a pé ou atravessar de carro essa fronteira e chegar até Lviv. Em Lviv, apanhar então um comboio noturno, que demora nove horas, de Lviv para Kiev, e esse comboio é direto. Acreditamos nós que essa será a melhor opção pra António Costa, porque foi a opção de todos os líderes políticos até hoje, excetuando, novamente, António Guterres, que veio de carro. Todos os outros líderes políticos e líderes europeus vieram nesta segunda opção que disse, vieram de carro até Lviv, e em Lviv apanharam um comboio noturno e que ao início da manhã do dia seguinte já estão em Kiev e já estão a começar o seu programa para esse dia. No fim do dia, se António Costa fizer exatamente aquilo que os outros líderes políticos que cá vieram fizeram, António Costa, no fim do dia, irá apanhar outra vez o comboio para Lviv e depois, sim, de carro até à fronteira e sairá do país no próprio dia.

Vamos então ficar à espera da tua reportagem sobre a visita de António Costa a Kiev. João Porfírio, fotojornalista do Observador, um dos nossos enviados especiais à Ucrânia, que está em Kiev com o jornalista Pedro Jorge Castro. João, fiquem bem, continuação de bom trabalho. Um bom dia pra vocês.

Obrigado