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Moscovo e Kiev trocaram ataques durante a última noite, registando-se pelo menos sete mortos na Ucrânia, poucas horas depois da visita à Rússia do emissário do presidente norte-americano, Donald Trump.

Depois das negociações, e de o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarar que o fim da guerra nunca esteve “tão próximo”, um ataque com mísseis contra Kiev deixou seis feridos, segundo o presidente da Câmara da capital ucraniana, Vitali Klitschko.

Steve Witkoff, enviado de Trump, reuniu-se com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo, na sequência de uma reunião, na véspera, em Oslo com líderes europeus e o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, que apelou a uma cessação dos combates nas posições atuais como primeiro passo para as negociações.

O conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, indicou, no final de uma reunião “detalhada e franca” ao longo de três horas, que Moscovo está na disposição de retomar as negociações a três com Kiev e Washington, mas não de imediato, “por volta de 10 de novembro”.

Ou seja, após as eleições intercalares nos Estados Unidos, que poderão alterar o panorama político norte-americano, e sem que aconteça, até lá, uma pausa nos combates, que prosseguem sem avanços significativos de nenhum dos lados.

No nordeste da Ucrânia, os ataques russos mataram um homem em Sumi e uma mulher em Kharkiv, enquanto três pessoas morreram na região de Zaporijia, no sudeste do país, segundo as administrações militares regionais e a polícia.

Em Kiev, duas pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas, incluindo quatro menores, na sequência de uma série de ataques com mísseis balísticos levados a cabo pelas Forças Armadas da Rússia, contra seis distritos da capital.

Segundo informou o Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia, os bombardeamentos provocaram vários incêndios e graves danos materiais em infraestruturas residenciais e civis por toda a cidade.

Na manhã desta quinta-feira, a Força Aérea ucraniana alertou para novos disparos de mísseis balísticos russos contra Kiev tendo pedido aos residentes que permanecessem nos abrigos.

Por outro lado, durante a noite passada, os sistemas de defesa aérea russos destruíram 808 drones ucranianos sobre 20 regiões russas e a Crimeia anexada, indicou esta quinta-feira o Ministério da Defesa da Rússia.

O presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, disse que 630 drones foram lançados durante a última noite em direção à região da capital russa, fazendo dois feridos.

O autarca salientou que a maior parte dos aparelhos aéreos não tripulados foi destruída pelos sistemas de defesa, mas realçou que 163 drones chegaram a aproximar-se da cidade de Moscovo.

Anteriormente, e referindo-se à deslocação do emissário dos Estados Unidos a Moscovo, Steve Witkoff, a Presidência russa afirmou estar “em princípio” disposta a retomar as negociações trilaterais: Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

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As negociações entre russos, ucranianos e norte-americanos já tinham ocorrido em 2025, sem avanços concretos.

Os contactos foram suspensos após o início da guerra no Médio Oriente, desencadeada por Washington e Israel contra o Irão.

Entretanto, o diplomata russo Yuri Ushakov referiu-se, na última noite, a um possível encontro sobre a situação na Ucrânia, que estaria a ser preparado, entre os chefes de Estado Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping na República Popular da China, à margem da cimeira da APEC (Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico) em novembro, na cidade de Shenzhen.

Em entrevista à estação norte-americana Fox News, Volodymyr Zelensky defendeu, na quarta-feira, um “congelamento” da linha da frente como primeiro passo para as discussões, uma proposta até agora afastada por Moscovo, que exigiu um acordo antes de qualquer interrupção dos combates.

A Rússia exigiu, em concreto, que o Exército ucraniano se retire dos territórios que ainda controla na região de Donetsk (leste), situação que Kiev considera inaceitável.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, anexando a Península da Crimeia e lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano em 2022.