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As ruas da parede estão desertas. Passa das 10 da noite, quando um carro para à porta do Rádio Clube Português e deixa sair três dos ocupantes.
Era um grupo de gente completamente à margem e todos cheios de raiva.
Sem trocar uma palavra, o trio de poetas entra no edifício de pistola em punho. Os corredores estão vazios. Não está ninguém nos estúdios, tirando o contínuo de serviço. Os operacionais não quebram o silêncio. Com gestos de mão e de cabeça, e sob a ameaça de armas, dão de entender que o melhor é que também fique calado. O caminho para o estúdio está livre. A Operação Papagaio está no ar.
Uma emissão pirata declarando o fim do fascismo, esperando uma revolução.
A versão dos acontecimentos que chegou até hoje diz que este foi apenas um delírio de surrealistas. Na verdade, foi muito mais do que isso. Esta é a história nunca contada da operação secreta que juntou artistas boêmios e revolucionários profissionais. Vão desenhar o plano mais louco de sempre para derrubar Salazar.
Irmãos vampiros, vem aí o sol, vamos nos esconder nas nossas grutas.
Tinham armas, um operacional infiltrado e um plano que incluía um sequestro. Mas tudo acabou com um deles a ser assassinado pelos companheiros. O crime que inspirou o livro "A Balada da Praia dos Cães". Na sala estão três homens. O capitão é o único sentado. É do lado esquerdo que sai o primeiro tiro de pistola à queima-roupa. Encara o segundo homem, que está de pé e de revólver em punho. Vê-o premir o gatilho uma, duas, três vezes. Reconhece os estalidos metálicos. Percebe que a arma encravou. Até que, de repente, houve um novo estouro. Esta é a "Operação Papagaio", uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Miguel Guilherme, com banda sonora original de Rita Rat Shoes. Pode acompanhar todas as semanas no site do Observador e nas plataformas de podcast. Estreia a 27 de fevereiro.
Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Honda Automóveis.
