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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Vamos a isto, a mais uma "Operação Stop", com o editor da seção Auto do Observador, Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo novamente.
Olá, Ana e olá, João.
Olá, viva Alfredo.
Alfredo, eu devo confessar que fiquei surpreendida pelo tema de hoje. Os automóveis emitem poluentes para além dos que saem pelo tubo de escape. É sobre isto que queres falar?
Exatamente. Sabemos que o resultado da queima de combustíveis fósseis por motor de combustão, seja ele a gasolina ou a gasóleo, sempre teve a maior fatia nas emissões nefastas para o ambiente e para a saúde pública, o que inclui o dióxido de carbono, os óxidos de azoto e as partículas de fumo. Mas agora que os automóveis estão cada vez menos poluentes, já à custa de um pouco da eletrificação, começam a dar nas vistas outro tipo de emissões que até aqui nunca nos preocuparam, como, por exemplo, as partículas produzidas pelo desgaste dos pneus e das pastilhas de travões.
Alfredo, mas estamos aqui a falar de valores mais reduzidos de partículas do que aqueles que são provocados também pelos motores de combustão?
Não, tens toda a razão, João. São efetivamente valores menos importantes, mas que dão cada vez mais nas vistas, à medida que os automóveis 100% elétricos e a tecnologia ao serviço dos motores de combustão têm vindo a reduzir as emissões produzidas pelos motores térmicos. Basta, por exemplo, ver que há uns anos, a média de emissões de CO₂ do parque circulante de automóveis na Europa rondaria as 150 gramas por quilômetro, valor que em 2020 cai para 95 gramas e em 2025 deverá atingir pouco mais de 70. Como vês, é uma quebra para metade em apenas 10 anos. Daí que, percentualmente, as emissões provocadas pelo desgaste dos pneus e das pastilhas de travão, que se têm mantido inalterada, tenha vindo a aumentar de importância.
E Alfredo, estas partículas dos pneus e dos travões são mais nefastas para o ambiente ou para as pessoas?
Estas são, curiosamente, essencialmente más para as pessoas. As provocadas pelo desgaste dos pneus são, sobretudo, microplásticos, que são depositados nas estradas e nas ruas, que depois acabam nos esgotos e vão parar aos rios e ao mar. Aí são comidos pelos peixes, exatamente os mesmos peixes que nós depois acabamos por ingerir.
É um ciclo.
Ou seja, os microplásticos regressam ao dono do carro, basicamente, porque lhe ficam no estômago. O desgaste das pastilhas de travão é uma situação diferente, uma vez que são compostas por finos pós metálicos prensados, unidos por uma resina, e provocam efetivamente uma poeira muito fina, que é sobretudo má para os pulmões.
Alfredo, e o que é que podemos fazer para controlar esse problema, uma vez que os automóveis precisam de pneus e os condutores têm volta e meia de travar?
Convém.
Convém de vez em quando, para não termos um acidente.
Convém, para não criar outro tipo de problemas. Exatamente. Eu acredito que à semelhança do que se fez com os motores dos automóveis, em que se criou uma legislação para limitar a produção de matéria nociva, os tais NOx e dióxido de carbono, etc, também aqui vai ter que ser criada uma legislação para limitar a produção de partículas nos pneus e nos travões. Isto era um problema com que nunca ninguém se preocupou. Já se sabia que existia, mas só agora verdadeiramente começou a ser um problema. Simultaneamente, o espírito inventivo do ser humano é espetacular, como todos nós sabemos, e apesar de serem poucos os que já se dedicam a resolver este problema, a verdade é que um grupo de estudantes de uma universidade já encontrou uma forma de recolher até 60% dos microplásticos deixados para trás pelos pneus. Ou seja, é efetivamente um problema, mas há esperança para encontrar rapidamente uma solução.
Exatamente. Portanto, é uma boa notícia. Tudo isso vai ser tema também na newsletter.
Vai, porque é uma meia novidade e convém que as pessoas fiquem alertadas para o problema logo de início.
Se nos está a ouvir, pode sempre subscrever a newsletter no site do Observador. O Alfredo Lavrador é o editor da seção Auto e junta-se a nós todas as semanas na "Operação Stop". Alfredo, muito obrigada. Até para a semana.
Tchau, até para a semana.
Obrigado, Alfredo.