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Está na hora da Operação Stop. Junta-se a nós o Alfredo Lavrador e hoje já estás melhor, Alfredo. Bem-vindo, boa tarde.

Olá, Ana e olá, João.

Olá, Alfredo. Viva!

Na semana passada não conversamos porque estavas doente, não é?

Pois é, estava com a garganta feita uma lástima, mas daí que seja muito bom estar aqui de regresso à antena. Isso significa que não só a minha voz voltou, como eu também, porque acabei de chegar de Barcelona, onde estive a ver mais um SUV.

Temos hoje este direto do Alfredo, que está sonorizado.

Está, com o patrocínio aqui de um táxi, acho eu.

E, portanto, o que é que estiveste a fazer em Barcelona? Foste ver mais um SUV?

Estive a ver um SUV eletrificado e é justamente de SUVs que vamos falar hoje.

Então, mas com tantos SUVs que nós vemos por aí, qual é a novidade neste caso?

Não há uma novidade, há mesmo duas. Mas vamos por partes. A primeira nota é que começa a haver uma perseguição política a este tipo de veículos. E digo isto por causa de uma das notícias mais vistas no decorrer desta semana na seção Auto do Observador, que para vos dar uma ideia, teve cerca de 50 mil sessions. Para contextualizar, refiro-me à notícia de um acidente que envolveu um Porsche Macan, que acabou por tirar a vida a quatro pessoas, incluindo uma criança de três anos. Uma situação lamentável.

Mas neste caso, qual é a polêmica exatamente? Portanto, claro, morreu uma criança de três anos, é preocupante, mas para além disso, por que está a dar tanto que falar?

O acidente é triste, o resultado do acidente também, mas a polêmica surge porque os políticos decidiram intervir, apesar de não perceberem muito do assunto, e ainda antes de as causas do acidente estarem apuradas. Já começam a misturar alhos com bugalhos, se me perdoas a expressão, e ameaçando proibir a circulação deste tipo de veículos no centro das cidades, neste caso, na cidade de Berlim, na Alemanha. É verdade que os SUVs, por serem mais altos e mais volumosos, tendem a fazer mais estragos em caso de acidente, mas também é verdade que por serem mais altos e mais volumosos, são igualmente mais poluentes, porque gastam mais. E isto teve o condão de conciliar não só a vontade dos políticos, como a vontade dos ambientalistas a atacar esta classe de veículos.

E é ridículo por quê, Alfredo?

É ridículo porque na Europa, até para que as marcas consigam cumprir o limite de 95 gramas estabelecido para 2020, os híbridos plugins são altamente favorecidos. Para te dar uma ideia, não faz qualquer sentido que politicamente se penalize este Porsche Macan, quando se favorece, e só para dar um exemplo dentro da mesma marca, o Porsche Cayenne Turbo, que é muito maior, muito mais pesado, muito mais caro, muito mais potente do que o Macan e não seria castigado. Não faz sentido.

Então, mas Alfredo, falaste em duas novidades. Qual é a segunda novidade aqui?

A segunda novidade é que, em simultâneo com este problema na cidade de Berlim, a venda de SUVs, que tem sido o grande motor da indústria automóvel nestes últimos anos, caíram pela primeira vez ao nível global. Já são conhecidos os dados referentes ao primeiro semestre do ano e todos os segmentos caem, à exceção das picapes. Quer isto dizer que os SUVs figuram entre o tipo de carroceria que cai, sofrendo uma desaceleração forte, mais uma vez em termos globais.

E o que isso significa exatamente? Na tua perspetiva.

Significa que os SUVs têm os seus defeitos. Eu, pessoalmente, não sou nada fã dos SUVs. Por isso mesmo, são altos, não curvam bem, são pesadões, gastam muito, não têm piada de conduzir, etc. Mas a questão é que, isto é minha opinião, haverá outros que pensam como eu, mas o grosso da população mundial não pensa assim. E daí que eles continuam a ser responsáveis por cerca de 40% das vendas em 19 dos países europeus. A queda que se verificou teve sobretudo a ver com a China, mas na Europa os SUVs continuam a funcionar muito bem. O que eu não acredito é com a implementação do RDE, que basicamente significa Real Driving Emissions, que é basicamente a determinação das emissões dos veículos em condições reais de utilização, esta tendência se mantenha.

Mas explica-me isso. Como assim?

Não, é simples. Eu não acredito sinceramente que os SUVs estejam condenados a desaparecer. Basicamente, porque os clientes os querem. E neste mundo, os fornecedores, seja de automóveis, seja do que for, fazem sempre o produto que as pessoas querem comprar. Agora, a verdade é que há limites para as emissões de CO2 muito apertados para o ano e é natural que os carros mais poluentes venham a ver as suas vendas congeladas na segunda metade de 2020. E daí que, devido ao tal Real Driving Emissions, acredito que os SUVs sejam dos modelos mais penalizados.

Alfredo, vais sair daí de onde estás, porque tens muito que fazer. É dia de newsletter também, não é? Vais preparar a newsletter.

Exatamente, é dia de newsletter. E há aí uma guerra giríssima entre duas marcas com veículos elétricos e é sobre isso que vamos viver na newsletter de hoje.

Estamos à espera.

O Alfredo Lavrador está connosco sempre neste dia da semana na Operação Stop falamos de mobilidade. Alfredo, até para a semana. Obrigada.

Até para a semana. Tchau.

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