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Junta-se sempre a nós neste dia da semana o Alfredo Lavrador, o jornalista Alfredo Lavrador. Olá, Alfredo, bem-disposto.
Olá, Ana.
Boa tarde, Alfredo.
Olá, João.
Então conta-nos tudo, o que nos vais falar hoje?
O João é uma estreia.
É verdade.
Sim, ainda não se conheciam, não é? Oficialmente.
Pois é.
Pronto, cá está. E hoje, Alfredo, conta-nos tudo.
Olha, hoje, porque estamos em agosto, vamos falar de férias.
Não me digas, Alfredo, que vais de férias.
Agora já não.
Vens para aqui e deixas quem ainda continua aqui a trabalhar.
Eu gosto demasiado de vocês para vos fazer uma deselegância desse tipo. Mas vamos falar de férias, mas de uma coisa muito específica. Vamos falar de férias em autocaravana. É uma coisa que nem todos os portugueses pensaram fazer ou ousaram fazer, mas a verdade é que cada vez há mais oferta, mais empresas a propor o aluguer de autocaravanas. E se há pouco tempo eram poucos os portugueses que optavam por esta situação de um carro e casa num só, e sobre rodas, cada vez há mais portugueses a considerar este tipo de veículo para passar férias.
Mas qual será esse motivo dessa popularidade toda, de repente? O preço se calhar não, não é?
Não, porque não é uma coisa barata, sobretudo face aos Airbnb e até uma série de outras soluções, não é de ser barata. Também não é propriamente muito cómoda, a menos que vás para aqueles veículos mais luxuosos, e há hotéis muito mais baratos, incluindo aqueles hotéis de quatro estrelas ou cinco estrelas. Não é pelo preço. Creio que aquele conceito apela a indivíduos, a famílias e a grupos que são fãs do surf, gostam de visitar a costa alentejana toda numa semana.
Já percebi que não aprecias, Alfredo, este tipo de conceito, mas além disso, qual é o motivo que te leva a falar aqui hoje das autocaravanas?
Eu efetivamente não sou fã da solução, mas o que se passa aqui não é aquilo que eu gosto, ou deixo de gostar, é o grau de risco associado à utilização de uma autocaravana. Ao contrário dos automóveis, e quando falo de automóveis, estou inclusivamente a falar daqueles furgões, os veículos comerciais grandes, grande parte deles são utilizados para fazer estas autocaravanas. Todos esses veículos são testados. Fazem crash tests e é analisada a sua resistência ao embate e a forma como protegem os ocupantes. No caso das autocaravanas, nada disso acontece. Cada carroçador faz a autocaravana que quer, mais luxuosa, mais simples, mais barata, mais cara, mas a verdade é que nunca é testada, nunca tem um crash test, nunca é atirada contra uma parede para se ver os danos que provoca. E os suecos, um país onde há uma autêntica praga deste tipo de veículos, posso dizer que duplicaram as vendas do ano anterior para este, são extremamente preocupados com o número de acidentes e o número de vítimas mortais e feridos muito graves que têm acontecido.
Mas, Alfredo, falas em segurança, concretamente isso significa o quê?
Não estou a falar da forma como o veículo curva ou trava, mas estou a falar da forma como protege os ocupantes em caso de embate. Ou seja, se baterem numa árvore, numa parede ou se algum outro veículo, sobretudo se for mais pesado do que deles, lhes acertar, a forma como protegem os ocupantes.
E então, neste momento, o que aconselhas para quem vai de férias e para quem procura uma solução para passar as férias?
Não estou a dizer, de forma nenhuma, para não utilizarem.
É preciso é ter certos cuidados, não é?
É preciso saber lidar com aquilo que se tem nas mãos.
Todos nós temos que ter algum cuidado quando conduzimos, e quando é o nosso carro, nós sabemos com o que contamos. Este tipo de veículos, tendencialmente, não é robusto em caso de acidente. Acho que as pessoas devem ter cuidado e, de possível, devem privilegiar os modelos que são tão de série quanto possível. Ou seja, podem ser rearranjados por dentro, metem lá as camas, os frigoríficos, os sofás e aquelas coisas todas, mas a estrutura, aquilo que é importante, ou seja, aquilo que é o banco, as fixações do assento, os cintos de segurança.
Tudo isso influencia, por exemplo, com o peso, etc., e com as travagens e com a performance.
Mais do que isso, há uma série de dispositivos destinados a manter os ocupantes no sítio, afastando-os das zonas duras que lhes podem causar danos na cabeça, no tronco, etc. E é preciso garantir que a estrutura onde está fixo o banco, por exemplo, foi calculada de forma criteriosa para que não haja danos do corpo andar a passear pelo habitáculo, e normalmente os resultados nunca são muito bons.
E Alfredo, nós falamos aqui de férias, de tempo de descanso, de paragem, mas a tua newsletter sai hoje. Portanto, hoje não há descanso para ninguém.
Aquilo é como uma maldição, acontece todas as quartas-feiras. E quarta-feira à noite, lá está ela.
Muito bem. Por aqui, a quarta-feira é dia de operação stop com o Alfredo Lavrador. Pode voltar a ouvir esta e outras edições que estão disponíveis em observador.pt. Até para a semana, Alfredo. Obrigada.
Rádio Observador.
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