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Está na hora de falarmos de desporto e conhecermos outras histórias hoje com o jornalista João Gama. Olá, João, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Vamos começar a falar de futebol e do jogo entre o Mali e a Tunísia no CAN, que teve um final caricato. Conta lá mais detalhes. Eu já sei parte desta história. Conta lá.

Foi um jogo que aconteceu ontem à tarde nos Camarões, uma partida a contar para a primeira jornada do grupo F da Taça das Nações Africanas. E se este jogo foi o pontapé de partida da competição da CAN, não sei bem o que havemos de esperar para o resto. Temos que avançar mesmo para o final. Aos 85 minutos de jogo, o Mali estava a vencer por 1 x 0 e o árbitro decidiu terminar a partida.

Como assim?

Tinha coisas para fazer?

Não, como assim?

Tinha roupa para apanhar.

Estava a chover. Mas tens que explicar isto um pouco melhor, João. Na Taça das Nações Africanas, os jogos têm menos de 90 minutos, é isso? É tudo mais rápido?

Não, Carla, são os mesmos 90 minutos que de um jogo de futebol qualquer, mas isto não fica por aqui. O árbitro do Zâmbia, que não vou arriscar dizer o nome.

Não sei porquê.

Acabou por retomar a partida aos 87 minutos e voltou a terminá-la de forma definitiva aos 89.

Às vezes, por cá queixamo-nos que os jogos acabam por demorar muito tempo.

Sim, às vezes têm um pouco mais de 90 minutos.

Mas parece que por ali a história é o contrário, não é?

E nem foi um jogo pouco atribulado. Apenas na segunda parte houve nove substituições, duas grandes penalidades e ainda uma pausa para os jogadores beberem água. O momento até causou confusão aos comentadores que estavam a fazer o relato do jogo.

"Brought the match to the end and there's still not 90 minutes on the clock. Jani Sikazwe signals that Mali have won this game one nil, and it's only now that we're gonna tick out round to 90 minutes on the clock. It's finishing in confusion here in Limbe."

O tom confuso do relato no final do jogo da Tunísia e do Mali, sem perceberem bem se o jogo tinha acabado ou não, ia dar conta que havia uma grande confusão nos relevados. O melhor que o relato são mesmo as imagens que mostram o selecionador da Tunísia a correr atrás do árbitro, completamente desesperado, a apontar para o relógio para mostrar que ainda não tinham passado os 90 minutos.

Mas João, estou mesmo a ver que a história não fica por aqui.

Deu para correr muita tinta este Mali e Tunísia. Depois do jogo e antes das conferências de imprensa dos treinadores, as equipes voltaram a ser chamadas para retomar o encontro. Só que os tunisinos recusaram-se a subir ao relvado em protesto. O selecionador jura nunca ter visto nada assim em 30 anos.

Mas João, este não foi o único tema que chamou a atenção no arranque da Taça das Nações Africanas. A Mauritânia perdeu com a Gâmbia, mas os problemas começaram mesmo antes do apito inicial.

Este jogo não foi preciso esperarmos até aos 85 minutos. O problema aconteceu bem antes, no sistema de som. Os técnicos enganaram-se no hino da Mauritânia três vezes.

"Ladies and gentlemen, please stand for the national anthem of Mauritania."

Cá para dizer que é um silêncio verdadeiramente constrangedor.

E disseste que foram três vezes.

Exatamente, isto aconteceu três vezes e foi como se alguém tivesse decidido ir cortar os cabos à pressa. Tinham reparado que a música não era a mesma. À terceira foi de vez, depois de três tentativas falhadas, desistiram, o jogo arrancou e mesmo sem hino, a Mauritânia acabou por perder.

Olha, se calhar foi por causa disto.

É o poder do hino nacional.

João, e para fechar, vamos até ao Brasil para uma história que juntou futebol e uma missa, mas também muitos assobios.

É verdade. É a missa que celebrava os 101 anos da equipe do Cruzeiro. O presidente Sérgio Santos subiu ao palco e discursou, um discurso que durou menos de cinco minutos. O resultado foi este.

Tanto assobio.

Assobios numa igreja é uma coisa que não se costuma ouvir. O padre ainda pediu que qualquer manifestação, mesmo que fosse de apoio ao clube, fosse feita fora da igreja, o que não aconteceu. O Cruzeiro não vive os melhores tempos, está atualmente a jogar na série B do Brasil. Trocou de donos há pouco tempo e isto terá sido uma das respostas dos adeptos quando tiveram a oportunidade de ver o presidente.

As polêmicas do futebol brasileiro. A fechar as outras histórias do desporto desta quinta-feira com o jornalista João Gama. Obrigada, João. Até amanhã.

Até amanhã.

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