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É isso mesmo. Sugestões para mais uma semana com a rapaziada do PopUp. Vamos começar pela Susana Romana, que nos fez aqui uma visita e que nós prezamos sempre muito. Susana, como sempre, traz uma mochila cheia de doces.
De tralhas, sim.
Olha, eu não tinha pensado nisto. Eu disse doces e tens uma série chamada "Sweet Pea".
"Sweet Pea", exatamente.
O que é isto?
Que em português quer dizer qualquer coisa como fofinha. É uma série do ano passado que eu descobri há pouco tempo. Andava a vasculhar o catálogo da Sky Showtime.
Qualquer coisa que tu fazes dois, três por semana.
Mais ou menos. Eu gosto particularmente de séries britânicas, por isso a probabilidade de haver uma série britânica em detrimento de outra é muito alta. Então andava à procura e encontrei esta "Sweet Pea". São seis episódios, mais ou menos 45 minutos cada um, e já foi renovado para a segunda temporada. E é a história de uma rapariga que é basicamente invisível aos olhos de toda a gente, foi vítima de bullying na escola, é maltratada no emprego, a irmã também não a trata muito bem, a mãe também não. Ela é invisível para toda a gente. A série chama-se "Sweet Pea", porque ela trabalha num jornal, na recepção, e o patrão chama-lhe Sweet Pea, que é fofinha, com alguma contundência e porque nem sequer sabe o nome dela. É uma espécie de rapariga invisível.
É uma personagem do Popeye, acho eu. A hera do Popeye chama-se Sweet Pea.
A Sweet Pea? Ok. E há um dia que ela se passa da cabeça e mata uma pessoa. E daí percebe que já que eu sou invisível, já que ninguém olha para mim, se calhar posso aqui ter um certo plano de vingança com algumas pessoas que me fizeram mal na vida, porque nunca ninguém vai achar que foi a Sweet Pea quem ninguém liga nenhuma. A série é protagonizada pela Ella Purnell, que algumas pessoas podem reconhecer da primeira temporada do "Yellowjackets" e por ser a protagonista de uma série que eu quero muito ver, que ainda não vi, que é o "Fallout", baseada no jogo de vídeo. E gostei muito. E já foi renovada para a segunda temporada, está toda na Sky Showtime.
Muito bem. Da televisão, vamos para uma exposição em Serralves.
Que já está há bastante tempo, mas fica até janeiro e eu só vi há pouco tempo. É a exposição do Maurizio Cattelan, chama-se "Susurro".
Também conhecida como a exposição da banana.
Da banana, exatamente. Do tipo que em 2019 colou uma banana com fita-cola a uma parede e chamou-lhe "The Comedian".
Sem graça.
Aquilo é basicamente um gozo ao mercado da arte e na exposição em Serralves pode-se ver não só a descrição da peça, como é que aquilo funciona, de quanto em quanto tempo é que eles têm que substituir a banana, como é que se cola a fita-cola. Aquilo tem regras.
Não é sempre a mesma banana.
Não é sempre a mesma banana, para continuar a ser uma obra de arte. E eu acho muita graça a estas provocações ao que é a arte. Acho que ele tem um sentido de humor ardido.
Já várias pessoas comeram a banana em diferentes sítios.
Sim, porque não vai para o lixo também.
Quando digo em diferentes sítios, é geografias do mundo.
Exatamente. Nós percebemos, calma.
Ora bem.
E eu não conhecia muito o trabalho dele. Estão 26 obras dele expostas em vários pontos diferentes de Serralves. Uma delas é uma que na altura também foi muito polêmica, em 99, chama-se "La Nona Ora" e é uma espécie de uma estátua em resina, tipo uma Damme Toucso muito realista de um papa esmagado por um meteoro.
Muito bem. E falando em fofinhos e quiduchos, também queres sugerir Snoopy?
Sim, vai sair esta segunda-feira, dia 6, "O Indispensável do Snoopy", que é uma antologia de 75 anos de tiras do Snoopy, organizadas por décadas. E eu acho que é importante um bocadinho revitalizar o Snoopy como uma personagem do Charles Schultz, muito importante na banda desenhada, porque eu penso que ele está a ser relegado nos últimos anos para pijama da Woman Secret. E não é um lugar justo para o Snoopy, e acho que temos que nos lembrar do Snoopy enquanto aquilo que é de fato, e esta antologia dá para perceber o detalhe e a filosofia que aquilo tinha.
Muito bem. Pedro Boucherie Mendes, vamos começar com literatura. Claire Messud. Vai em frente.
Vamos.
Vamos embora.
Saiu recentemente em Portugal e até foi bastante propalado.
Opa!
Porque a autora veio cá. Adorei ter falado, tive pena de não ter sabido, teria ido.
Quando for assim, pergunta-me.
É uma das minhas escritoras favoritas. Eu acho que já disse aqui isto, mas vou repetir. Eu, nos últimos 15, 20 anos, prefiro muito mais escritoras do que escritores. Acho que as mulheres têm várias qualidades, evidentemente, mas o romance contemporâneo, as mulheres atingem coisas que os homens não conseguem atingir, uma certa complexidade. E a Claire Messud, que está traduzida em Portugal já com vários livros, é uma das minhas favoritas, de longe. E tem agora um livro que se chama "Esta Estranha e Acidentada História", que é um título que não é grande coisa, acho eu. Uma capa que também não é grande coisa, acho eu.
Eu gosto de capas com letras, confesso.
Mas esta tem aqui um...
Mas esta tem uma foto a meia, o preso de Auschwitz. O pianista de Auschwitz.
É editado Plaza, isso não importa, o que importa é o que está lá dentro. É um livro meio autobiográfico, ou meio, ou talvez dois terços. Uma saga familiar e bastante bem urdida sobre o impacto que a guerra teve na família, depois uma parte da família foi para a América. Tem a ver com o facto da autora ter descoberto ou ter tido acesso a umas cartas do pai, a umas memórias. O livro é escrito a partir daí, está traduzido em Portugal, e ainda bem. "Esta Estranha e Acidentada História", de Claire Messud.
E podem ler uma entrevista com a autora em observador.pt, fica a dica.
Sim, entrevista como sendo uma escritora internacional, todos os jornais portugueses a entrevistaram.
Não sei.
Não têm tempo para entrevistar escritores portugueses, mas os internacionais têm. O que eu acho bem.
Depois trago-te uma lista de autores que te interessam.
Eu sei que o Observador é uma exceção, mas concordas que há lado provinciano.
Claro, em tudo, não é só com autores.
Mas neste caso a Claire Messud merece, porque é uma escritora maravilhosa. Ainda não ouvi uma entrevista com este David Moreira, que é o próximo livro.
Esta é que é a grande questão.
Que eu não conheço, que se chama "A Mais Breve História do Ultramar", que saiu há muito pouco tempo pela Ideias de Ler É um daqueles livros que eu estava há muito tempo à espera que aparecesse, porque nós sabemos muito pouco dos países que foram antigas colónias portuguesas. Sabemos que aquele veio de Angola, aquele veio de Moçambique e que houve uma guerra civil e que não sei o quê, e depois houve um tio que foi pra lá trabalhar. Mas não sabemos, por exemplo, quando é que os portugueses começaram a ir pra Angola no sentido de colonizarem. Não no tempo da outra senhora, mas aqui no século XX. Como é que aconteceu cidades como Luanda ou Lourenço Marques se terem transformado em, vou usar a palavra metrópoles, enquanto que a alguma distância havia guerras no mato. E este livro responde essa questão, indo um pouco atrás. Ou seja, é também uma digressão sobre a história portuguesa, a história de Portugal e a sua ligação ao império colonial. Por exemplo, eu não fazia ideia que tinha havido combates aquando da Primeira Guerra Mundial em territórios africanos. Havia lá um general alemão, pelos vistos era um ninja, e que arrumou com os ingleses e com os portugueses. Eu não fazia a menor ideia que a Primeira Guerra Mundial tinha decorrido também naquela zona. É altamente recomendável do ponto de vista histórico ou do ponto de vista técnico. Eu não sou especialista em história, portanto, não sei se é o melhor livro do mundo ou o pior livro do mundo, ou se é biased, como se diz agora. Agora na história essa discussão parece colocar-se cada vez mais, mas o livro do David Moreira permite-nos aquelas coisas: "Ah, não sabia", que estamos constantemente a dizer a nós mesmos. "Ah, não sabia, não fazia ideia". "A Mais Breve História do Ultramar", de David Moreira.
E ainda.
Uma história mais conhecida, curiosamente, creio eu, é o fato de as marcas Adidas e Puma terem origem na mesma vilarejo alemã.
Eram manos, não é?
Sim, onde ainda estão. Portanto, os headquarters ainda são nessa cidade cujo nome é impronunciável, por isso é que eu não tento. "Sneaker Wars: As Guerras dos Ténis", das sapatilhas.
Das sapatilhas, sim.
"Sneaker Wars" chegou agora à Disney Plus, são três episódios. Fala muito sobre a dinâmica contemporânea das marcas, tecnologia, os sapatos melhores pra correr, o Usain Bolt é da Puma, o Noah não sei quantos é da Adidas. Fala da importância da invenção da Adidas Predator, que é uma bota de futebol que o David Beckham usava e conseguia marcar gol livre, etc. Fala sobre o Kanye West, aquela polêmica da Adidas, que levou à demissão do CEO da Adidas. E eu estou naquela fase em que a Adidas foi buscar o CEO à Puma. Portanto, no fundo, o tipo da Puma atravessou a estrada e no último episódio, que é o melhor até agora, eles no fundo estão a perguntar à malta da Puma: "Então estavas à espera que o teu chefe fosse pra Adidas?" Parece que a rivalidade-
Isto é alemão.
É, isso é alemão.
Parece que a rivalidade é aquela coisa, não sei se é mitificada. Àquele pub só vai a malta da Adidas, àquele talho só vai a malta da Puma. E tem alguma graça. Enfim, quem gosta de história pop, como é o meu caso, acho que é o nosso caso.
E quem gosta de sapatilhas.
Eles não vão muito ainda por esse lado. Enfim, a série podia ser melhor, mas aprendem-se umas coisas. Por exemplo, que o original da Adidas conseguiu entrar na seleção alemã de futebol, porque lhes conseguiu vender o peixe de terem as botas com os pitons de rosca. E depois eles lá dizem: ganharam a Hungria na final, porque tinham umas botas XPTO. E desde aí, nunca mais a Adidas deixou de equipar a seleção alemã, até que a Nike conseguiu roubar o contrato. São coisas dessas.
Há muito pouco tempo. É deste ano?
Ainda nem começou a vestir Nike. Também é entrevistado o CEO da Adidas a esse respeito, se quiserem saber. Finalmente, o Cine Pop.
Epá, isto está extraordinário.
Vejam em cinepop.pt mais informação ou Cine Pop no Instagram. Tem um ciclo Hitchcock. No fundo, podemos ver os-
No cinema
...o cinema chamado grande ecrã.
É isso.
Os filmes do Alfred Hitchcock. E no dia 19 de outubro, ainda faltam uns dias, mas podem já tentar comprar bilhete, vai estar American Psycho ou American Psycho, como algumas pessoas dizem.
Depende da vossa preferência.
Que é um dos filmes mais conhecidos de Hitchcock, mais afamados, pessoalmente não é um dos meus favoritos, mas isso pouco importa. No antigo Cinema Roma, em Lisboa, mas mais detalhes em cinepop.pt.
Muito bem. Eu tenho três coisas pra dizer, todas relacionadas com música. Primeiro, os Magnetic Fields vão tocar em Guimarães, no centro comercial.
Isto era incrível.
O Centro Cultural Vila Flor. Eles vêm tocar só, como quem diz só, porque é um álbum triplo, o "69 Love Songs", que é um álbum de 99. É um álbum extraordinário. E vão tocar. São duas noites, 8 e 9 de outubro, e metade do álbum no dia 8 e a outra metade no dia 9. Portanto, aquilo é uma carrada de cantigas 69, todas do Stephin Merritt, em que ele fala de tudo o que pode ter a ver com amor, das coisas mais incríveis às piores tragédias, com muita ironia e muito sentimento. Fica a dica, não estou certo se há bilhetes ou não. Se há, é porque o mundo anda a dormir e isto é triste. No dia 11, que é sábado, dia de reflexão, nada como ir refletir para o Coliseu dos Recreios. Samuel Úria toca ao vivo no Coliseu. Não tenho muito mais a dizer. Eu aprecio muito as cantigas do Samuel Úria e ele é um rockstar em palco. Se não viram, também andam a perder um bom pedaço de vida. Por último Devem conseguir comprar online ou se forem passear para fora. Saiu uma autobiografia de Cat Stevens, também conhecido como Yusuf Islam, que se chama "Cat on the Road to Find Out". É muito interessante porque o Cat Stevens tem aquele ar muito porreiro, pacato, calmo, que bebe imenso chá e reza imenso. Mas, ao mesmo tempo, ele tem uma história rara e cheia de peripécias e coisas muito interessantes para saber, além de ter escrito e gravado uma carrada de ótimas canções e, portanto, fica a sugestão. E Maria Ramos Silva: cerveja.
Sim. Não é só cerveja, eu estava a pensar que estava a ver o "House of Guinness" ou a "Casa Guinness", não sei bem como é que isto está traduzido na Netflix, e lembrei-me do Pedro, que faz aquela compilação de aparições de momentos portugueses, referências a Portugal nas séries.
Há um vinho da Madeira, não é?
Há um vinho da Madeira e é isso que é extraordinário. Esta gente é dona de uma cervejeira e brinda com vinho da Madeira, é extraordinário. E depois ainda há um deles que vai passar a lua de mel a Portugal, também é extraordinário.
Porque ele está em todo lado.
Claro.
Mas esta série foi feita agora.
E pintava, não era?
A declaração de independência dos Estados Unidos foi celebrada com Madeira.
Pedro, eu adoro. Só tenho pena que os portugueses não bebam mais. Andam aí a beber a Perol, mas depois não bebem vinho da Madeira.
Não bebam mais Madeira.
Não bebam mais Madeira.
É isso que queres dizer. Não é não bebam mais.
Mas é uma série que também se bebe muito bem, muito divertida e, portanto, vale a pena. Acho que é, de facto, interessante. Parte ali de muita coisa que é verídica.
Gostas de Guinness?
Gosto. Por acaso não bebo Guinness há muito tempo, mas gosto. Não é uma coisa para todos os dias. E é extraordinário como é que estes tipos no final do século XIX criaram um império global muito antes.
Deixa-me só dizer uma coisa. Desculpa. A este propósito, é muito interessante como nós não sabemos se a própria Guinness ajudou a pagar este projeto. É muito interessante.
Se me perguntassem à primeira vista diria que sim, mas não faço ideia.
Sim, mas o espectador não sabe.
Nem vai estar interessado em saber.
Não sei se não está interessado em saber, porque a Guinness lançou há muito pouco tempo a Guinness Zero.
Sim.
E aparentemente é uma cerveja que tem o mesmo sabor da Guinness com álcool.
Se calhar muitos miúdos.
Talvez muitos miúdos de 15, 16, 14, 13 que vejam esta série, se calhar vão se tornar clientes da Guinness por verem a série.
Talvez.
E eu acho mesmo que nós deveríamos ter acesso a esse tipo de informação. Depois decidimos se bebemos ou não, claro.
Claro, fica a dica.
À parte isso é uma bela saga familiar, portanto, acho que vale a pena ver.
E é uma cerveja que é quase uma refeição.
Verdade, é um almoço. Bem visto. E depois trago música também de um senhor chamado Jeff Tweedy, porque eu não trazia Choninhas há 15 dias.
Cá estão eles.
E cá estão eles de novo. Parece que ele se meteu num carro e nisto escreveu 30 canções.
Estava aborrecido.
Estava aborrecido. E portanto, em vez de trazer um álbum, traz três. Acho que se chama "Twilight Override". E portanto, também quando não estiverem a ouvir a Rádio Observador no carro, podem ouvir o Jeff Tweedy, porque vale muito a pena, é um belíssimo conjunto de canções. Ele também tem dificuldade em fazer más canções.
Verdade. Muito bem. Sugestões em Três então, estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.