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Olá, Eduardo. Estamos em direto do RAIZ, o Instituto de Investigação da Floresta e do Papel. Hoje é Dia Mundial da Árvore e Dia Mundial das Florestas e ao longo das últimas horas temos falado disso mesmo, florestas e de todo o seu potencial. Eduardo, com tantas coisas boas que a floresta tem, e ao longo das últimas horas falámos sobre isso, por que é que nas histórias infantis as florestas são sempre sítios maus, com bruxas más, cavaleiros das trevas e coisas assustadoras?
Olá, Paulo. Boa tarde. Não têm que ser obrigatoriamente sítios assim. Às vezes são, até porque as florestas têm uma dimensão misteriosa, têm um silêncio com um ruído muito particular que favorece a imaginação e, portanto, obviamente, favorece a maneira como nós configuramos alguns medos para que aprendamos a contorná-los melhor. Mas também é às vezes nas florestas que aparecem aquelas histórias das princesas que andam distraídas e dão de caras num sapo e de repente, surpresa das surpresas-
O sapo é um príncipe.
O amor da sua vida. Significa que, no final de contas, o impacto fantástico, estético, que as florestas acabam por ter, trazemos também ao diálogo com o medo, com a morte, mas também com as coisas maravilhosas que o mundo tem para nos dar. Só por isso, as florestas são um sítio onde nós nos podemos ver e expressar com outra intensidade.
E são também um sítio bom para contribuir para a educação das crianças. Nós passamos a vida a dizer aos miúdos: "Larga o ecrã e sai de casa", mas se calhar às vezes faria sentido sairmos nós também de casa com os miúdos e levá-los, por exemplo, até à floresta e assim contribuirmos para a educação delas com esse toque, com esse contacto com a natureza, não é?
Paulo, eu tenho a ideia de que nós passamos a vida a protestar com os ecrãs, mas em muitos momentos não temos toda a honestidade do mundo para reconhecer que os ecrãs acabam por nos trazer algum sossego, por mais que esse sossego, feitas as contas, nem sempre seja tão vantajoso assim para o desenvolvimento dos nossos filhos. Nós queixamo-nos que eles são muito sedentários e são assustadoramente sedentários, tomando em consideração as crianças de toda a comunidade europeia. Mas, enfim, como em tudo na vida, se calhar eles vão à boleia das constantes de comportamento que também nós acabamos por ter. Às vezes nós não namoramos com o ar puro e não namoramos, sobretudo, com o espaço exterior onde se pode descobrir um conjunto de realidades que num universo de betão, e sobretudo quando as crianças saem tão pouco de casa para brincar, até para tratar por tu a cidade e conviver com ela. Claro que elas vão atrás dos nossos exemplos e depois nós desculpamo-nos com a verdade, mas estamos a desculpar até por causa das omissões dos nossos comportamentos.
Eduardo, esta questão que lhe vou colocar daria pano para mangas para todo um programa ou até toda uma tarde. Mas já que falamos de florestas, alguns projetos educativos que existem, e alguns deles até vão buscar o próprio nome da floresta, que passam justamente por um contacto maior das crianças com o mundo natural e com a ideia de irem para o mato, sujarem-se, andarem na lama, saírem da sala de aula e irem mais para o exterior. São boas ideias, são ideias para usar com alguma parcimônia?
Não são boas. Não são boas, são verdadeiramente magníficas. E o que eu acho que é muito importante, que não percamos de vista, é que nomeadamente nos jardins de infância, esse movimento já se faz, no primeiro ciclo, esse movimento faz-se com intensidade. Depois do salto do primeiro para o segundo ciclo, há ali já uma quebra. Todavia, quando lançámos há uns anos um projeto chamado Escola Amiga da Criança, não imaginávamos que de uma forma silenciosa, se calhar um bocadinho discreta em excesso, as escolas têm projetos que têm à sua frente professores que são professores especialíssimos, porque em horário pós-laboral, de uma forma verdadeiramente apaixonada com a escola e na relação com as crianças, as trazem para o meio envolvente, as trazem para a floresta, as trazem para uma consciência ambiental absolutamente fora do vulgar. E a mim só me preocupa, para dizer a verdade, Paulo, a forma como provavelmente o Ministério da Educação acaba por estar ainda um bocadinho distraído em relação a estas iniciativas soltas, mas que são de norte a sul do país e que fazem com que a escola seja cada vez um sítio mais mágico, muito mais clarividente e que abre os nossos filhos para uma realidade fora destes pontos apertados onde eles estão, onde se podem sujar, onde podem tratar por tu o ambiente, mas onde podem colaborar para que o ambiente seja uma autoestrada viável para o seu desenvolvimento, ao contrário daquilo que muitos de nós, os pais, fazemos.
É uma boa forma de terminarmos o "Porque Sim, Não é Resposta" de hoje. Obrigado, Eduardo. Entre as muitas opções que os pais têm à escolha e as escolas têm para todas essas atividades, enfim, e com isto passo a bola para o Nelson, um passeio até aqui ao RAIZ, o Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, pode ser uma boa forma de terem mais esse contacto com a natureza. Obrigado, Eduardo.
Eu é que agradeço. Um abraço para si.