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Ideias da presidente do Banco Central Europeu esta manhã em Sintra. Um discurso acompanhado pelo jornalista do Observador, Edgar Caetano, que está agora em direto. Bom dia, Edgar.
Bom dia.
Que pistas, depois disto, deixou Lagarde quanto ao futuro da política monetária, Edgar?
Ela tentou sublinhar que não quis vir a Sintra para deixar pistas para quaisquer decisões futuras, além daquelas que já foram pré-anunciadas, mas quem a ouviu com atenção ficou claramente com a impressão que o BCE não vai desarmar tão cedo, mesmo depois do último ano ter sido feito o mais rápido aumento de taxa de juro da história da zona euro, de longe. Lagarde repetiu que a intenção do BCE é voltar a subir as taxas de juro em julho, na reunião que acontece no final do próximo mês, e comentou que a natureza da inflação está a alterar-se e que se está a tornar mais persistente. Ora, falar-se em inflação mais elevada e persistente é um sinal claro por parte do BCE que o mais provável é que as taxas de juro não só possam subir mais algumas vezes, pelo menos uma, mas sobretudo manter-se nestes níveis elevados por mais tempo do que se previa.
Edgar, sabemos que Marcelo Rebelo de Sousa disse que ia estar muito atento a este e a outros discursos deste encontro em Sintra. Seria a intervenção que o presidente da República estaria à espera de ouvir?
Sim, ele disse que ia estar atento e basicamente o presidente da República tem defendido nas últimas semanas e meses que as taxas de juro se calhar não deviam ter subido tanto como já subiram. Mas para perceber se isso seria a decisão mais correta, é preciso olhar para os argumentos do BCE para fazer aquilo que está a fazer e ter em consideração que se as taxas de juro mais elevadas são más para alguns, a inflação elevada é má para todos, sobretudo para os cidadãos com menos recursos. A presidente do BCE deixou claro, numa tentativa de enquadrar as decisões que estão a ser tomadas, que numa primeira fase a inflação foi muito causada pelas empresas, que conseguiram na altura segurar ou mesmo aumentar as margens de lucro, sobretudo em 2022, e agora estamos numa fase em que são mais as negociações salariais que arriscam tornar a inflação mais persistente. Basicamente, o BCE quer subir a taxa de juro para deprimir a procura, para conter a procura, e assim obrigar as empresas a baixarem os seus preços, que é aquilo que fariam normalmente em qualquer cenário de desaceleração económica. Essa é a intenção do BCE, que está neste momento confrontado com uma inflação que, vale a pena recordar, é o triplo do objetivo. Agora, se vai resultar ou não, é algo que veremos nos próximos meses, nós e o presidente Marcelo também.