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Neste dia em que se registam mais 10 vítimas mortais e 377 novos casos. Temos, como é habitual, a diretora adjunta do Observador, Filomena Martins. Filomena, mais uma vez Lisboa com 336 dos 377 novos casos e pegando aqui também na questão colocada pela Sara Antunes de Oliveira, este apelo da diretora-geral para que as pessoas cumpram o isolamento é uma tentativa de pôr o pé no travão.

Sim, eu acho que a preocupação é evidente, aliás, porque os números estão a piorar e não há outra forma de o dizer. Os números estão a piorar. Estamos no terceiro dia consecutivo em que há uma subida de casos e estes são os piores números desde o dia 8 de maio. Perante isto, acho que os factos são factos. Não há uma forma boa de o dizer, uma forma tranquila de o dizer, nem uma forma de amenizar. Estamos perante algo que está, de alguma forma, por mais que o digam controlado, eu diria que não pode estar controlado e não terá sido de forma ingênua ou de forma descontrolada que ontem não foi tomada nenhuma decisão em relação a Lisboa e que essa decisão foi adiada para dia 15, nem sequer para a próxima semana, mas só para o próximo dia 15. O levantamento de restrições em Lisboa, até porque Lisboa continua a contribuir praticamente com 90% dos casos. Hoje baixou um pouquinho, está com 89%. Ontem estava com 90 e quase 4, se eu não estou em erro, e hoje está com 92%. Estamos sempre aqui em média nos 90% dos casos na região de Lisboa. E a verdade é que há aqui um surto que, por mais que nos tentem tranquilizar, a diretora-geral de Saúde hoje foi tudo menos tranquilizadora ao dizer: "Preferência nos sítios onde há mais casos, não saiam de casa." Ou seja, vamos para uma semana com muitos feriados, uma semana em que a maior parte das pessoas aproveita esta semana de feriados, sobretudo a quarta e a quinta-feira, que depois têm ali uma ponte que é a sexta pelo meio para fazer umas férias, em que teoricamente as pessoas aproveitam ou para visitar as suas famílias noutras terras, ou para fazer praia, ou para desconfinar, finalmente, ao fim deste tempo todo. E por isso, há aqui uma preocupação grande que leve o vírus consigo, sobretudo se essas pessoas forem da zona de Lisboa, ainda que, felizmente ou por alguma razão, este ano o feriado do 13 de junho, o feriado de Santo António, não coincida. Portanto, o feriado regional de Lisboa não coincida e seja um sábado, que não se junte ainda mais a esta semana de feriados. Mesmo assim, não há forma de enganar. Estão aqui 377 novos casos, o pior número desde 8 de maio. Estamos quase nos 34 mil casos no país. E há aqui um outro dado acrescido, dos quais hoje nem o secretário de Estado, nem a diretora-geral de Saúde falaram, mas que para mim é quase tão relevante como os novos casos e como este número ser o pior desde o dia 8 de maio, que é o número de internamentos que nós temos vindo a assistir a um número de decréscimo de casos de pessoas internadas, o que é bom. É sempre perceber que não existe pressão hospitalar. Em Portugal, isso foi uma forma de conter a epidemia muito bem gerida. Conseguiu fazer-se o tal planalto e não o pico do surto e de forma que nunca houvesse pressão hospitalar. Mas, de verdade, neste momento estamos com o maior número, uma subida tão grande de casos. Internamento não era tão grande desde o dia 7 de maio e nos últimos dois dias, esta subida foi de 47 casos que houve em internamento. Hoje estão mais 30 em enfermaria, mais seis em cuidados intensivos. Ontem já tinha havido uma subida. Hoje o secretário de Estado tentou falar no geral, no país inteiro, dizendo que havia camas vagas no país inteiro. Eu gostaria que ele tivesse falado e que me tivesse explicado como é que estão os hospitais na região de Lisboa, porque é na região de Lisboa, e ontem havia notícias sobre esse assunto, que estão as preocupações. E havia notícias de que os hospitais em Lisboa, não estando ainda no seu limite máximo, estão preocupados com esta subida de casos. Ou seja, é aqui que está o foco da preocupação, é na zona da região de Lisboa. E se é na zona da região de Lisboa que está a preocupação, é preciso perceber por que desde o dia 3 de maio a região de Lisboa está a subir desta forma. Que a faz aproximar-se. Lembra-se que havia uma fossa muito grande, um grande gap entre a região de Lisboa e Vale do Tejo e a região Norte e que de repente, a partir do início de maio, essa diferença, que era substancial entre as duas regiões, cada vez é menor e cada vez Lisboa se aproxima mais. Lisboa e Vale do Tejo se aproximam mais da região Norte. E por isso houve aqui alguma coisa que fez com que isso mudasse, e eu não sei o que levou a isso, mas sei que foi muito importante e é muito importante perceber e tentar conter esse foco. E não sei se é apenas, como nos dizem, uma questão de alguns bairros sociais, de algumas obras públicas ou obras de construção civil e de algumas zonas muito focadas, porque não sei se se explica que em alguns sítios, como está aqui a acontecer, isto contribua para uma subida tão grande nestes dias para que isso aconteça. Hoje, aliás, e isto pode ser importante, já começam a aparecer mais casos do que era normal aqui no Algarve. Até nos Açores apareceram mais casos, apareceu mais um caso no Alentejo. Isto significa que também a mobilidade das pessoas que vai aumentar nesta semana possa fazer com que o vírus se espalhe pelo país e que possam aparecer novos focos da doença. Daí a preocupação que a Diretora-Geral de Saúde mostrou com o que pode acontecer na semana que aí vem.

Obrigado a Filomena Martins, ajudar-nos a olhar para o boletim diário da Direção-Geral de Saúde, aqui com esta nota também de que hoje só uma região não regista novos casos, é a Madeira. Todas as outras regiões do país registam aqui novos casos de infecção por Covid-19. E estes dois dados: mais 10 vítimas mortais, 377 novos casos e ainda este aumento, também aqui destacado pela diretora adjunta do Observador, de mais 30 pacientes internados em unidades hospitalares. É um aumento face aos últimos dias e em cuidados intensivos também esse número a subir. São agora 64 os pacientes que estão internados em unidades de cuidados intensivos. São mais seis doentes que estão internados e que merecem mais cuidados de saúde. Portugal que regista ao dia de hoje 1465 vítimas mortais e 33.969 pessoas infetadas pela Covid-19.

Rádio Observador, 98.7 Lisboa.