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Diogo, não sei quanto a ti, mas no jogo da seleção frente à Suíça, eu fiquei impressionadíssima quando vi o Pepe a marcar o gol.

Ficámos todos. Na verdade, o Pepe é o jogador mais velho da história a marcar na fase a eliminar de um mundial, com um salto à Ronaldo. Tem 39 anos. A Marta Leite Ferreira é jornalista do "Observador" e foi desafiada a responder à pergunta: como é que Pepe se consegue manter jovem aos 39 anos? Marta, bom dia. Também ficaste impressionada com a performance do Pepe?

Eu acho que não há como não estar impressionado com a performance do Pepe, e não só pelo impacto de ver uma pessoa, qualquer pessoa, a marcar aquele gol no jogo de Portugal com a Suíça. Mas se olharmos para as estatísticas do Pepe, confirma-se que é, de facto, excecional. Por exemplo, Pepe é o defesa mais velho da seleção e, na verdade, de todo o mundial, mas no desempenho que teve na Liga dos Campeões esta época, correu em média apenas menos 1 km/h que o defesa mais jovem da nossa seleção, que é o António Silva, e só tem 19 anos.

É impressionante, é tão rápido como António Silva.

Exato. E há aqui uma curiosidade interessante, porque na pontuação atribuída ao Pepe no FIFA 2022, no jogo, que é baseado na avaliação de olheiros da EA Sports, mas o jogo também é feito em colaboração com a própria FIFA, ele é considerado mais dinâmico que o Van Dijk, o defesa holandês, que é quase 10 anos mais novo.

Mais novo. Portanto, só isso impressiona. Mas a questão aqui é: Pepe está mesmo fora do que é normal?

Sim, está. Nós falámos com um especialista em medicina desportiva, o João Becker, que é fisiatra na Unidade de Medicina Desportiva e Performance da CUF. E ele disse isso mesmo ao Observador: "Pepe é uma exceção". De tal modo que quase que não serve de exemplo para ninguém, porque nenhum atleta se dever sentir pressionado a chegar àquela performance com aquela idade, porque é realmente raro. E há algumas possíveis respostas para isto acontecer. A alimentação, que é provavelmente muito rica em proteínas, e isso ajuda na regeneração muscular, que com a idade vai degradando. Ter muita atenção aos eletrólitos, que são os sais que entram e saem das células e que regulam as funções mais básicas do sistema nervoso. Ser muito coerente nos treinos e na recuperação nos pós-jogos.

Disciplinado, não é?

Sim, e não significa treinar mais do que um futebolista jovem. Basta respeitar mais as necessidades do próprio corpo e estar atento aos sinais de onde é que há mais falhas ou menos falhas. E depois os genes, e essa parte não sabemos realmente se se aplica ao Pepe, mas a verdade é que há determinadas características genéticas que tornam uma pessoa muito mais resistente ou mais forte e durante mais tempo.

Ou seja, até aqui qualquer jogador ou qualquer pessoa com 39 anos pode seguir, a partir daqui já depende muito da genética.

Sim, exatamente. Há uma parte que, de facto, pode nascer com o jogador e com qualquer um de nós, mas também é preciso muito trabalho.

Muito trabalho. Obrigado, Marta.

Obrigada, Diogo.