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Rotatório de Jogo na Rádio Observador, análise do Augusto Inácio ao jogo entre Futebol Clube do Porto e Alverca. Vitória dos Dragões por 1 x 0, no Estádio do Dragão, vitória que acabou por dar a conquista do 31º título de campeão nacional ao Futebol Clube do Porto. Não vamos fazer a análise do campeonato, vamos sim, nos próximos minutos, fazer a análise deste jogo. Augusto Inácio, o que dizer desta partida em que o Futebol Clube do Porto entrou em campo sabendo que um empate era suficiente para ser campeão?
Exatamente isso. O Porto, sabendo do resultado do Benfica e Famalicão, 2 x 2, precisava só do empate para ser campeão. Mais motivado entrou para esta partida, com o estádio completamente cheio, um apoio muito grande à equipe do Porto. Toda a gente à espera que o Porto hoje fosse campeão, mas o que é certo é que o jogo ditou muitas dificuldades que o Porto encontrou ao longo dos 90 minutos. Um início de jogo em que o Porto realmente quis mandar no jogo, quis ter oportunidades, uma dinâmica muito boa, um Alverca com dificuldades em acompanhar todos esses movimentos ofensivos da equipe do Porto. E o que é certo é que passado 15 minutos, o Alverca começa a equilibrar e começa a trocar a bola, começa a ter bola também e começa também a ter olhos na baliza de Diogo Costa, principalmente através de Chiquinho, o jogador mais irreverente da equipe do Alverca, e um Porto com algumas dificuldades em encontrar espaço para poder penetrar na boa organização defensiva deste Alverca.
Mas nervosismo, sentiste isso? Ansiedade?
Pode ser ansiedade, o ambiente também estava para isso. Acredito mais na ansiedade do que nervosismo, de querer marcar um gol cedo, de ver aquela gente saltar das bancadas. Talvez tivesse, aqui ou acolá, não dado o devido esclarecimento que a equipe precisava. Penso que Pepê não esteve brilhante, Piotrowski também não, Zaidu também não. Ou seja, as alas do Futebol Clube do Porto estavam bloqueadas de uma maneira que não havia imaginação por ali, tinha que atacar muito pro meio.
Sim, até porque o Alverca tem a linha de cinco, fecha muito atrás.
Exatamente. E aí o Alverca estava bem no jogo, ao ponto de eu dizer, praticamente, em termos de jogo jogado, o Porto não criou grande oportunidade de gol. Foi um canto, realmente, em que a bola bateu no poste do Gabi Veiga, foi o Fra hold que rematou à trave, mas que a bola depois foi à mão do Kivior e o gol foi anulado, e foi o gol através de um pontapé de canto pelo Uroš Radak. Até lá, o Alverca tinha tido mais situações perigosas. Não estou a dizer que o Alverca tivesse grandes oportunidades de gol, mas teve situações mais perigosas junto à área do Porto e que também não soube aproveitar. Na segunda parte, as coisas foram mais do mesmo, o Porto também a querer entrar e a querer mandar mais, mas já se viu aí um Alverca com alguma dificuldade em estender o seu jogo, a não ser quando faltava 10, 15 minutos pra acabar o jogo, em que o Custódio faz as substituições, principalmente naquele que eu acho que é um belíssimo jogador e não joga no Alverca titular, mas não deixo de dizer que ele é um belíssimo jogador pra mim, que é o Maresi, que eu gosto muito desse jogador.
Curiosamente, Maresi era suplente do Luís Soares, que agora é jogador do Sporting, na época passada eram colegas de equipe.
No Almeria. Exatamente. Mas dizer que não sei se porque o Porto não conseguiu marcar o segundo gol, se alguma coisa fez com que o Porto recuasse no terreno, ao ponto de o Alverca ter ali várias situações, várias oportunidades de poder igualar. Eu acho que os adeptos do Porto não estavam muito ansiosos com o jogo que o Porto estava a fazer, porque sabiam perfeitamente bem que o empate ou a vitória dava o campeonato. Mas eu senti realmente o Porto com pressa de que o jogo acabasse, porque estavam sujeitos realmente a sofrer o gol do empate, que o Alverca estava muito por cima do jogo. Mas o Porto jogou para o resultado, acabou por ganhar, acabou por ser feliz. É um justo campeão, é um justo vencedor, mas pelo jogo de hoje, que é isso que estamos a analisar, o Porto hoje não fez um jogo brilhante.
Olhando aqui para este encontro, nós temos sempre que falar daquilo que é o resultado deste jogo, e o resultado é o Futebol Clube do Porto campeão. Esta equipe, ao longo desta temporada, teve muitos jogos destes, em que há dificuldades, mas depois consegue uma vitória por 1 x 0, algumas já em períodos finais, mas em que, apesar de ter jogos difíceis, conseguiu sempre vencer, nem que fosse por margem mínima. E hoje foi mais uma vez isso. Percebe-se aqui uma imagem de marca deste Porto de Farioli, que apesar de ser nem sempre bonito, mas é sempre difícil enfrentar uma equipe dessas e o resultado acaba por ser sempre o mais importante.
O que acabamos de perceber, não só hoje, como noutros jogos também, é que há vários caminhos para chegares ao sucesso. Há vários caminhos para chegares à vitória, há vários caminhos para seres campeão. Olhando para a estética do jogo, que é aquilo que muitos gostam, que é o jogo interligado, criatividade, cruzamentos, boas entradas, o Porto é na base da garra, determinação, da vontade. Tem pouca criatividade, é verdade. Gabi Veiga e Rodrigo Mora são os pontos máximos da criatividade do Futebol do Porto, mas há uma coisa que o Porto tem que os outros não têm. E quando eu digo os outros não têm, não tem Benfica, não tem Sporting, mas o Porto tem. É que cada vez que perde a bola, tem uma reação à perda da bola, que faz com que os jogadores estejam quase todos atrás da linha da bola, ou seja, estão de frente para a bola, o que dificulta e tumultua aquilo que é as ações ofensivas do adversário. E o Porto tem esse espírito. Eu não tenho dúvidas nenhumas, mas mesmo dúvidas nenhumas, se o Porto perdesseUm pouco desse espírito, o Porto nunca chegava lá para ser campeão, mas esse espírito deu para ultrapassar momentos difíceis, momentos em que a equipa não jogou bem, momentos em que o adversário foi superior. Estão a me lembrar, por exemplo, do Estoril no Dragão, estão a me lembrar, por exemplo, do Braga no Dragão, em que realmente essas equipas estiveram muito por cima do Porto, mas esse espírito deu mesmo assim para ganhar. Agora, se me perguntares: mas isto para o ano vai dar assim para ganhar também? Eu penso que deixa muitas dúvidas, porque os adversários também já começam a perceber o que é o Porto.
Claro.
E só isto não chega para depois ter sucesso.
Vamos a este jogo. Elegemos sempre no final do relatório de jogo o melhor e o pior. Comecemos pelo melhor. O que é o melhor deste encontro?
Olha, tem três coisas que eu acho que é o melhor. Para já, é o golo de Narec, que dá a vitória do Porto, é o melhor, em termos daquilo que se jogou dentro do campo. Depois, é a moldura humana que estava à volta deste encontro, num ambiente fantástico.
Dentro e fora.
Eu conheço aquele ambiente, porque estive lá há pouco tempo também ver um jogo. Eu diria que dentro do campo, fora do campo, o que as pessoas estavam ansiosas para realmente ver o seu Porto campeão, que já não era campeão há quatro anos. Terceira questão. André Villas-Boas é o segundo ano que é presidente do foco do Porto. Foi para o lugar de um mítico e saudoso, Jorge Nuno Pinto da Costa, fez uma obra brilhante, presidente mais titulado do mundo. E ao segundo ano, é campeão, o que faz com que realmente as pessoas agora olhem para ele de uma outra forma. Terceira questão. Eu diria que aquele mito que os adversários se agarram a pequenas coisas para tentar desmoralizar ou tentar entrar a desconfiança no adversário, o mito do farejola do tempo do Ajax acabou. Acabou com esta vitória do Porto, já ninguém vai falar do mito do Ajax, de certeza absoluta.
Sim.
E a quinta questão, que eu acho que é a mais profunda, aquela que mexeu comigo, aquela que me pôs arrepiado, aquela que me pôs uma lágrima quanto o olho, sinceramente, foi a homenagem que quiseram fazer ao Jorge Costa. E o momento mais sublime é quando a bandeira desce junto ao relvado, está o presidente do foco do Porto e está a viúva de Jorge Costa junto a Mateus, que abanara a bandeira. Foi um momento tocante, um momento emocionante e um momento justo também para a pessoa e a figura que é o Jorge Costa.
Alguma coisa que seja o pior neste jogo?
Não, hoje não se pode falar nada de pior, porque foi um ambiente tão bonito, tão espetacular, que não vejo aqui nenhumas razões negativas para aquilo que se passou hoje no jogo.
Augusto Inácio e o relatório de jogo do Futebol Clube do Porto, um. Futebol Clube de Alverca, zero.