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Relatório de jogo na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar do Sporting Braga-Friburgo, hoje com a análise do Augusto Inácio. Encontro da primeira mão da meia-final da Liga Europa, no Estádio Municipal de Braga. A equipa bracarense venceu por 2 x 1 este encontro. Tiknas marcou para o Sporting Braga bem cedo, ainda antes dos 10 minutos, e a equipa minhota colocava-se em vantagem. O Friburgo restabeleceu a igualdade com o gol de Grifo, após um lance em que a defesa do Sporting Braga acaba por não ficar bem na fotografia. O Sporting Braga que manteve sempre algum controle e em cima do intervalo desperdiçou uma grande penalidade. Zalazar permitiu a defesa do guarda-redes, que esteve em boa figura, mas bem perto do final acabou por cometer um erro e permitiu, com uma defesa incompleta, a Dorgeles marcar para o Sporting Braga. Ao cair do pano, o jogador bracarense fez o 2 x 1, um resultado que coloca o Sporting Braga em vantagem antes da segunda mão, que se joga a 7 de maio e a apenas 90 minutos de voltar a uma final europeia, um cenário que não acontece na equipa bracarense desde 2011. Augusto Inácio, feito o resumo do encontro, no teu entender, pontos-chaves que nos ajudam a explicar esta vitória do Sporting Braga.
Foi um jogo que durante os 90 minutos que houve alternâncias de comando, tanto da parte do Braga como da parte dos alemães, o Friburgo. Um Braga que entrou muito bem, a pressionar muito alto, não deixando o Friburgo poder sequer ligar o seu jogo de trás. E o Braga com essa pressão acabou por fazer um bom gol, um excelente passe do Vitor Gomes para o espaço vazio, onde o Tiknas apareceu no espaço e com um pequeno toque fez 1 x 0. Estava-se à espera que o Braga ficasse ainda mais motivado para o jogo e pudesse marcar mais gols, já que estava muito por cima do jogo, mas depois os alemães equilibraram a partida, ao ponto depois do Sporting Braga, num lance inflígio dos dois centrais do Sporting Braga, a bola sobrar para um jogador alemão, neste caso para o Bast, e depois com o pé direito faz um passe, que estava sozinho em frente ao guarda-redes, para o Grifo. Não é Grifo?
Exatamente, Grifo.
Fez o gol e aquele gol caiu do céu para os alemães, que não tinham feito nada para chegar a esse mesmo gol. O Braga abanou um bocadinho, os alemães ficaram por cima, mas depois o Braga voltou outra vez a equilibrar as coisas, ao ponto de o jogo estar tão dividido, mas bem competitivo, bem estruturado no nível daquilo que era a tática e a estratégia de um treinador e do outro, mas sem grandes oportunidades de gols, já que os guarda-redes também não tiveram assim muito trabalho. Até que na parte final da primeira parte, há uma grande penalidade a favor do Sporting Braga e era um momento bom para o Braga fazer o 2 x 1, porque ia para o intervalo com as retificações do Vincent.
É que muda muito chegares ao intervalo em vantagem.
Muda completamente. A estratégia pode ser diferente, embora eu acredite que aquilo que era as dinâmicas do Sporting Braga fossem as mesmas, a intensidade também fosse a mesma, mas claramente que entravas com outra confiança, com aquela que tu entraste na segunda parte. Mas curiosamente o Braga, mesmo falhando a grande penalidade ou defendendo o guarda-redes do Friburgo, uma excelente defesa também, é verdade, que o Braga entrou muito bem também na segunda parte. E o Braga quis e deu o sinal de que queria ganhar o jogo. O que é certo é que o Braga não conseguiu marcar e depois, na minha opinião, o momento-chave do jogo, nesta vitória do Braga, é o Carlos Vinicius fez a substituição de entrada do Franco Navarro para a ponta de lança, o que obrigou um estilo de jogo defensivo da parte do adversário, completamente diferente do que aquele que estava a ter.
Estava a precisar dessa vitamina, o Braga.
Estava a precisar, porque o Vitor Pó, o avançado espanhol, é um avançado solto, é um avançado que não te dá marcação, é quase que é um avançado de construção do que de finalização. E o que é certo é que jogando costas para a baliza do adversário, o Franco Navarro deu a oportunidade de soltar outro tipo de jogadores, outro tipo de colegas, para poder ganhar mais espaços para chegar à frente. Só que o Braga estava num momento de desgaste físico. E esse momento de desgaste físico fez com que às vezes as jogadas não fossem tão aceleradas quanto se exigia. Por sua vez, os alemães também, embora chegassem à frente, tiveram ali um momento de grande pressão sobre o Sporting Braga. Eu até disse que me parecia que o Friburgo estava melhor fisicamente do que o Sporting Braga, mas lá está a tal coisa. É que aquele tipo de futebol que o Carlos Vinicius tem na equipa, faz com que também tire o entusiasmo do adversário, porque ficas tu com a bola. O que é certo é que o Braga, na parte final, teve aquela pontinha de sorte no sentido de ser no final do jogo e ser também um aproveitamento de uma defesa incompleta do guarda-redes do Friburgo, que permitiu ao Sporting Braga fazer o 2 x 1, depois de ter perdido Ricardo Horta, que era um elemento preponderante. O Braga não teve banco para dar mais frescura à equipa. Acredito que alguns jogadores somam um grande cansaço na parte final da partida, mas o que é certo é que o Braga acabou por ganhar o jogo, e bem, merecido, justo.
É um dos momentos, quando Paulo Vitor, que era o nome do jogador há pouco, sai e aquilo mexe ali muito. É a partir daí que podemos falar num Braga que começou a construir o triunfo?
Foi a partir daí que o Braga teve uma outra cara, uma outra cara ofensiva, que antes parecia que estava incapaz de chegar lá e poder incomodar a defesa do Friburgo. Eu acho que esse foi o mote para que também os colegas percebessem que não era para ficar mais atrás, era para chegar mais à frente. E obrigou os alemães também a recuarem mais no terreno, porque aí, nessa altura, já os alemães não queriam perder o jogo. Já só queriam que o tempo passasse. No caso de haver um contra-ataque, sim, senhor, podiam aproveitar, mas o que eles não queriam era sofrer. E o Braga foi à procura e acabou por marcar o gol.
Tendo em conta as opções que tinhas, Carlos Vinicius agiu bem, podia fazer mais alguma coisa diferente?
A gente tem uma postura e uma observação de fora que a gente não sabe como é que os jogadores estão, como é que eles treinaram, como é que podia ser a variabilidade do sistema até do jogo. Eu disse aqui que
É que ele acaba por surpreender com a questão dos centrais.
Dos centrais, porque praticamente o Braga, na primeira parte, não jogou com defesa esquerdo. O Braga estava com o Vitor Carvalho a fazer quase, entre aspas, de defesa esquerdo, mas com a entrada do Dodet. Dodets? Dodjet?
Doriceles.
Doriceles. Isto é muito complicado, eu tenho que dizer só Dor, que é melhor, que é para não me enganar muito e não me enrasgar aqui. Mas trouxe uma outra variabilidade também ao sistema tático do Braga. Ele fazia o corredor esquerdo, o Vitor Carvalho colocava-se por dentro e o Braga ficava a defender com cinco, já que o Vitor Gomes também descia e ficava uma defesa com cinco. Mas no ataque, o Vitor Carvalho ficava juntamente com os outros dois centrais, o Vitor Gomes soltava-se, o Dorgeles soltava-se também e o Braga ficava a jogar só com três defesas. Essa variabilidade e essa dinâmica pode ser uma coisa muito boa ou não, dependendo do adversário. O que é certo é que os alemães também não aproveitaram bem, cada vez que ganhavam uma bola no meio-campo, de poder penetrar tanto na direita como na esquerda. E deu uma sensação que foi ou ineficácia dos alemães, ou foi uma eficácia completa do sistema tático do Braga. O que é certo é que as coisas acabaram por correr dentro da anormalidade do gol sofrido, dentro da anormalidade de perder a grande penalidade porque falhou, ainda conseguir ganhar o jogo com os jogadores que tinha, sem Ricardo Horta e ainda por cima com a saída do Zalazar, eu diria que é uma grande vitória do Braga.
E tem este meio-campo do Sporting Braga, um senhor chamado João Moutinho, que aos 39 anos continua a fazer 90 minutos aqui na alta roda do futebol europeu. É um jogador que faz a diferença pelo que acrescenta, pela calma e também pela experiência que tem neste plantel bracarense, até porque João Moutinho já ganhou a Liga Europa.
Queres que eu diga já o positivo? Vou já incluir isso.
Vamos então.
Vou já incluir isso, que eu não falei nele durante este período todo. Estava a guardar pro positivo.
Era o Astolfo.
Mas tu como te antecipaste, eu vou já ter que ir ao positivo.
Vamos fazer isto da forma formal. Augusto Inácio, vamos ao melhor deste encontro.
Claro. Claramente, a vitória do Braga e a postura do Braga, mas na pessoa e na figura de um menino que só tem 39 anos e que enche o campo todo com 1 metro e não sei se chega a 1,70 metro, mas tudo bem, é capaz de ter 1,72 metro. Que encheu o campo aos 39 anos, tinha pilhas pra dar e durar e claramente foi, na minha opinião, o grande exemplo daquilo que o Braga queria pra este jogo. Ele foi o mote, foi realmente o grande jogador que levou esta equipe, não digo às costas, mas que foi um jogador muito importante naquilo que era a crença daquilo que o Braga queria, que era ganhar. E João Moutinho está no top dessa situação, mas também queria dar aqui a nota positiva ao apoio dos adeptos do Braga, foram fantásticos. À presença do presidente da República e do ex-presidente da República, à presença também do primeiro-ministro, estarem presentes neste jogo. Não era o Sporting que estava a jogar, não era o Benfica que estava a jogar, não era o Porto que estava a jogar, era o Sporting Braga e todas as equipes portuguesas que estão nas competições europeias merecem a atenção e o apoio, mesmo dos nossos governantes, e eles estavam lá presentes, por isso é uma nota bastante positiva.
João Moutinho, 1,70 metro, 39 anos, na alta roda ainda do futebol europeu, um dos melhores neste encontro entre o Sporting Braga e o Friburgo.
Mas como ele joga de pitons, é capaz de ter 1,72 metro, porque os pitons dão mais 2 centímetros.
Augusto Inácio, e o pior deste encontro?
O pior tem que ser, porque não se pode fugir disso. Na alta competição com o Mexe, que estás a jogar numa meia-final, o Braga não pode sofrer aquele gol, não pode falhar aquele pênalti. E embora possam dizer: "Isto é humano, isto é futebol". Pois, mas há momentos em que não pode acontecer, e aconteceu, e o Braga poderia pagar caro essa situação, e claramente que essa foi a nota mais negativa do jogo.
E é com esta nota que fechamos o relatório de jogo hoje entregue pelo Augusto Inácio, neste triunfo do Sporting Braga por 2 x 1 frente ao Friburgo. Os arsenalistas estão na frente a 90 minutos de voltar a uma final europeia. Augusto Inácio, é sempre um gosto. Até uma próxima oportunidade. Um grande abraço.
Um abraço. Até a próxima.