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Portugal 1, República Democrática do Congo também 1. Jogo de estreia da Seleção Nacional frente a uma equipa que apenas pela segunda vez chegou ao Mundial, uma equipa que conseguiu empatar com Portugal a um golo e que conquistou assim o seu primeiro ponto e marcou também o seu primeiro golo. Muita festa em África, Gabriel Alves, muita desilusão aqui na Ibéria. Também já falámos disso ao longo da emissão dos "Desportos". Uma grande desilusão de Portugal nesta estreia, como de resto Espanha também já o tinha feito frente a Cabo Verde. África está a mandar na Península Ibérica.
De forma concreta e objetiva. Decepcionante a exibição de Portugal em todos os sentidos. Portanto, este resultado é reflexo exato daquilo, da forma como Portugal obviamente jogou e produziu o seu jogo e a sua estratégia face a uma equipa da República Democrática do Congo, que mostrou ter mais estratégia, ter mais plano para o jogo do que aquilo que mostrou a equipa de Roberto Martínez. Lentidão, falta de intensidade, circulação de bola, sim, mas sem dimensão. A equipa africana não teve necessidade de fazer pressing, antes pelo contrário, controlou em zona tudo aquilo que foram os atos de Portugal em termos de posse de bola e saiu em contra-ataque as vezes que acabou quase, e nisso é assim, o quase não é tudo, quando achou que devia de sair. Portugal há um fator que tem também, e é preciso, isso não é de hoje, de ontem, da semana passada, é de sempre. A Seleção Nacional não sabe jogar sem bola. Há um jogador que o faz bem, chama-se João Neves.
E é verdade, Augusto Inácio, que Portugal até começou bem, acabou por marcar esse golo, teve muita posse de bola. Achámos todos nos primeiros minutos que estávamos perante um Portugal maduro, com paciência, mas rapidamente se percebeu que tanta bola era sobretudo falta de ideias.
E não só falta de ideias, acho que faltou mentalidade ganhadora à equipa portuguesa, porque olhando para este jogo que Portugal estava a fazer com a República Democrática do Congo, fez-me lembrar o tipo de jogo que Portugal fez com o Chile no particular e com a Nigéria no particular. Parecia que isto era um particular e este era um jogo a sério. Era um jogo a sério, um jogo para ganhar, um jogo para ganhar três pontos. Começámos bem, é verdade, com um golo muito cedo, mas depois deixámos rolar o tempo de uma forma em que praticamente não tivemos nenhum remate à baliza, não tivemos uma ocasião de golo, não tivemos nenhum frisson, nenhum perigo na área do adversário e a República Democrática do Congo foi-se sentindo confortável, não fez grandes marcações, jogou sempre na zona, tentou chegar lá à frente e mesmo assim fez mais remates na primeira parte do que Portugal. E sinceramente, ficou a impressão de que se Portugal deixar andar as coisas, as coisas podem se complicar. E complicou-se no final da primeira parte, com um golo que é trabalhado tudo muito bem, mas notou-se que não havia ali um plano de marcação. Havia um plano de jogar à zona em que os jogadores praticamente ficaram a olhar para a bola e esqueceram-se de realmente marcar o adversário. E quando é assim, sofres o golo e depois já sabe como é que é. E depois as coisas alteram-se e parece que dá-lhes aquele toque de: "Ei, temos que acordar, porque da maneira como estamos, estamos muito sonolentos." E daí eu dizer que o Gonçalo Ramos deu uma lição de falar à imprensa, deu uma lição como é que se fala e como é que se vê um jogo, mesmo sendo um jogador que participou, daquilo que foi a verdade do jogo e não aquela verdade que querem nos entrar pelos olhos adentro, que não foi assim que aconteceu. Gonçalo Ramos está de parabéns por isso também. E Portugal, na minha opinião, se queria mais alguma coisa do jogo, com a entrada do Chico Conceição, é verdade, mexeu um bocado no jogo, a entrada de Rafael Leão foi zero. Portugal parecia que estava a jogar com 10, sem vontade, sem crença, sem determinação. Eu sei que isto pode tocar a hombridade, pode tocar a personalidade do atleta, mas foi isto que eu vi. Não vi um jogador empenhado, não vi um jogador que queria, não vi um jogador que morderse. E quando a bola estava do lado direito, do lado de Chico Conceição, ele estava sempre alongado junto à linha, praticamente a dizer: "O que esta bola vai dar?" Praticamente estava fora do contexto. E quando é assim, depois é preciso mais alguma coisa na frente. E o Gonçalo Ramos, quando entra, na minha opinião, entra e entra tarde, devia ter entrado mais cedo se Portugal queria ganhar o jogo. Só que o Gonçalo Ramos tocou aqui no ponto que eu também queria falar agora e que vou segmentar isto também. É que Portugal não gosta de jogo partido, e é verdade, num jogo que pode cair para um lado ou pode cair para o outro. Mas também é verdade que Portugal quando tem o jogo controlado, também não fez nada para o ganhar. E nesse sentido, as coisas partiram-se de uma tal maneira que eu vi mais perto o golo do Congo do que vi o golo da Seleção Nacional. É verdade que Cristiano Ronaldo teve duas oportunidades que podia ter marcado.
E houve também aquele segundo golo anulado a Cancelo de bela escrita, mas estava fora de jogo.
Mas eu senti que cada vez que havia qualquer coisa na frente, eu tremia todo. Eu digo assim: "Queres ver que eles ainda vão ganhar o jogo desta forma?" O que é certo é que acaba o jogo e tens que pensar e rebobinar o jogo e tens que ver o que é preciso fazer. Aquilo que dizem, Portugal vai ter que fazer aquilo que não foi feito. Pois, Roberto Martínez, tens que fazer aquilo que ainda não fizeste.
Aquilo que já foi feito por Stolarci, de alguma forma.
Não, que ainda não fizeste, que é fazer, se calhar, rupturas naquilo que são as suas ideias, no sentido do nome dos jogadores que entram em campo, tem que fazer, se calhar, aquilo que ele não queria fazer.
E a verdade é que, Gabriel Alves, 70% de posse de bola, Portugal termina o jogo com 70% de posse de bola e apenas um remate enquadrado de cabeça de João Neves, um dos jogadores mais baixos da Seleção Nacional, que ainda assim teve estatura.
Que jogou no PSG também.
Por que é um jogador de estatura?
É um jogador de estatuto, mas estatuto no campo, na relva.
Grande jogador de equipa.
Exatamente. E sabe jogar sem bola. Repara bem, aquele golo aparece dele porque sabe ir ocupar o espaço. Esta é que é a grande verdade. E Portugal não sabe jogar sem bola ou não quer, dá trabalho. São artistas. Eu não estou a pôr em causa-
O valor deles. Claro
...o valor deles, longe de mim. Mas eles nas equipas onde atuam-
É ver a participação deles
...sim, eles nas equipas onde atuam, jogam sem bola? Jogam. Jogam? Jogam. Basta ver os jogos Do PSG, do Manchester City, etc. Para não ficarmos aqui a fazer nomes.
É outra participação.
É outra situação. Portanto, aquilo que me parece é que esta equipa portuguesa hoje mostrou, eu vou dar aqui uma nota. Quando foi do jogo com a Nigéria, quando começa a segunda parte, Roberto Martínez fez algumas substituições, duas ou três, e a verdade é que os jogadores que entraram trouxeram uma chicotada no jogo.
Dinâmica.
Dinâmica. Hoje, isso não aconteceu. Portanto, aquilo que eu estou a dizer e continuo a manter, e o Augusto já o disse, as roturas, há que fazer. Próximo jogo, Roberto Martínez, doa a quem doer, custe a quem custar, haja o problema que houver, terá que incidir, dado o número de jogadores que tem ao seu dispor, há que fazer outra equipa, noutra dimensão, noutra capacidade, noutra qualidade e, obviamente, não partindo rotinas, nem partindo dinâmicas, nada disso, mas tendo no projeto colocar outro tipo de jogadores que tem ao seu dispor. E isso é necessário fazer, para que haja uma equipa que não entre ali, marque um golinho, estamos aqui a 10 à hora a passear. Olha, quando isto acabar, acabou, já ganhámos. Não, não ganharam nada.
Augusto Inácio, para fecharmos aqui e antes de havermos também a decisão do Gabriel, o melhor e o pior. Esta noite, na verdade, final de tarde, hora de almoço nos Estados Unidos, em que Portugal acabou por empatar com o Congo. Poderá ter sido a hora de almoço aqui a pior coisa? Porque os jogadores estavam com fome.
Olha, para mim o pior, vou começar pelo pior, foi realmente o jogo que Portugal fez. Sem ideias, sem intensidade, sem fome de querer ganhar. Eu diria que o expoente máximo disso tudo que eu estou a dizer, peço imensa desculpa de dizer o nome, mas vou ter que o dizer, Rafael Leão é o exemplo máximo de que Portugal não queria ganhar o jogo ou não fez nada para ganhar o jogo. O positivo, João Neves. João Neves, o jogador mais competitivo da seleção nacional, o jogador daqueles que todos os treinadores gostam de ter, porque ele é dinâmico, ele é lutador, ele é tecnicista, ele marca gols, ele constrói jogadas, ele rouba bolas aos adversários. É aquele jogador todo o terreno.
Menos a vontade.
Não, tem tudo isso e também tem a altura certa para fazer isso.
Estávamos a falar agora de João Neves. Eu lembrei-me agora que pensei que estávamos a falar de Rafael Leão.
Não.
A vontade. Se há coisa que não falta a João Neves é vontade.
Se o Rafael Leão tivesse um bocadinho da vontade de João Neves, que jogador que seria.
Não só o Rafael Leão, acho que todos nós, de alguma forma. Gabriel Alves, o melhor e o pior, para fecharmos este relatório.
Eu estou de acordo em relação ao melhor João Neves, de facto, mas eu não posso deixar, e quando esteve em campo, muito bem, foi o jogador que quis virar os acontecimentos. O Nuno Mendes. Nuno Mendes muito bem na sua profundidade, na sua verticalidade, na sua qualidade.
Os dois. Foram os dois.
Sim, porque o Nuno Mendes trabalhou bem. E tenho que dar uma nota também ao Vitinho. O Vitinho quis pautar o jogo, mas faltou-lhe conteúdo, isto é, faltou-lhe apoio. Não teve, faltou todo.
Acompanhamento.
Acompanhamento. E depois, dar a vontade do Chico Conceição, que entrou ali perdido. Mas olha, estou perdido, mas vou fazer o que posso.
Isso.
E fez o que posso.
E pode sempre qualquer coisa.
Exato. Não, ele entrou perdido. Vou fazer o que posso.
E foi o melhor jogador a entrar.
Exatamente. Quanto ao pior, Roberto Martínez. Tu tens o João Félix que trabalha com o Cristiano Ronaldo, é preciso marcar um golinho, então não articula as plataformas usadas pelos jogadores de Jesus.
Aquilo que já está em pré-definição.
Aquilo que já está trabalhado e diz a ele: "Vai lá para dentro e faça um."
Se calhar é para não perder o lugar para Jesus, será?
Não acredito, porque as coisas hoje já não são assim. As coisas hoje têm outro tipo de tratamentos, naturalmente. Quero deixar para o melhor, sem margem para dúvidas, África. Vamos dizer aquela canção, conhece? África.
Relatório de jogo está assinado e entregue a duas vozes com Augusto Inácio, com Gabriel Alves, a nossa dupla para este Mundial 2026. Não percam, já a seguir temos também: "E o Campeão É".