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Rotatório de jogo do encontro entre Sporting e Arouca, um jogo que terminou empatado a dois gols e que teve de tudo. Teve autogolos, teve lesões, teve gols, claro, teve cartões e teve expulsões. Um jogo que deu para tudo, mas que, no final, deu para o Sporting perder dois pontos na corrida à liderança, dois pontos perdidos em casa. Foi apenas a segunda vez na história que o Arouca conseguiu tirar pontos ao Sporting em Alvalade e, portanto, é um jogo também importante para a equipa do Arouca. Marcha do marcador, ao minuto oito, Rui Silva comete autogol, lance muito caricato num atraso que veio de Santos Juste. Depois, Santos Juste saiu lesionado aos 11 minutos, aos 14 foi Bragança que saiu lesionado, entraram Debast e Harder. Harder que marcou ao minuto 17, fez o um a um. Em cima do intervalo, Hjulmand comete grande penalidade sobre Henrique Araújo. Henrique Araújo é chamado a bater e marca, faz o dois a um em cima do intervalo e já no segundo tempo, Trincão faz o dois a dois, depois de Hjulmand ter sido expulso ao minuto 62, o dois a dois de Trincão resistiu até ao final, com lances importantes das duas equipas, podiam facilmente ter feito o gol que daria a vantagem para qualquer uma das equipas. Filipe Coelho, nosso comentador para este encontro. Filipe, o que dizer deste jogo que, podemos utilizar a expressão, foi essencialmente caricato e podia a vitória ter caído para qualquer uma das equipas, acabou por ser um empate.

Sim, completamente. É um dois a dois que poderia ser perfeitamente um quatro a quatro, tendo em conta o contexto caótico, o jogo, sobretudo na segunda parte, com muita presença da bola próximo das balizas, com condições para ambas as equipas marcarem mais gols e um jogo em que o Sporting foi sempre atrás do prejuízo. Isso foi a nota dominante desta partida, desde logo por ter sofrido muito cedo e ter ficado sem dois jogadores, Debast e Santos Juste, melhor dizendo, e Bragança, logo antes do quarto de hora inicial. E, portanto, foi um Sporting que até se poderia imaginar que pudesse melhorar em termos de primeira fase de construção com a entrada de Gonzalo Inácio, mas Inácio esteve longe dos melhores dias. E aqui entramos no primeiro fator que explica este empate, que são os erros próprios que o Sporting foi cometendo. Esses erros terminaram, desde logo, em dois gols do Arouca, o primeiro absolutamente surreal, como apelidou Rui Borges, com aquele atraso de Santos Juste para Rui Silva. O atraso de Santos Juste não é fácil para o guarda-redes, mas ali Rui Silva não tem de tentar dominar de calcanhar, porque fica numa posição muito frágil e a bola acabou mesmo por entrar na baliza do Sporting. E depois, também através de um erro próprio, no caso de Hjulmand, que acaba por fazer um penalti completamente escusado sobre Henrique Araújo e criou a hipótese ao Arouca de voltar novamente à frente do marcador. Portanto, é um Sporting que, para além de todas as dificuldades que tem do ponto de vista das opções para o ataque, e hoje foi mais uma vez visível, porque Rui Borges não tinha grandes jogadores do ponto de vista ofensivo para lançar na partida, quer do ponto de vista físico, muita gente esgotada, Trincão, por exemplo, é um jogador que está a sentir muito, e Ocrás também longe da melhor condição. Juntando estes dois fatores, tendo uma equipa que também a cometer erros tão importantes, diria, o Sporting mete-se num buraco muito complicado de cavar. Ainda assim, mostrou capacidade de reação na segunda parte, com alguma inconsciência tática pelo meio, mas foi uma equipa que foi sempre à procura do terceiro gol, embora me pareça que seja resultado completamente justo.

E mais notícias para Rui Borges. Perde Santos Juste, perde Bragança, não sabemos ao certo por quanto tempo.

Hjulmand também já agora.

Hjulmand, que recebe o cartão vermelho. O próximo jogo será com o Aves fora, depois a eliminatória com o Dortmund e antes de um jogo para a Taça de Portugal. Como é que fica esta equipa do Sporting, que a tudo isto ainda somam os outros lesionados que já tinha? E basta olhar para esta lista. Nuno Santos, Morita, Katombe, Pote, Diomande vai estar suspenso mais um jogo, Matheus Reis regressa no próximo.

Sim, é uma perda importante para o centro do terreno, para o lado do Sporting, porque não tendo Morita por um período considerável, perder agora Daniel Bragança, e de facto a lesão não aparentava sinais muito animadores, com a interminável lesão de Pedro Gonçalves, que poderia ser uma solução também para o meio-campo. Portanto, na Vila das Aves, não é de excluir o miolo do Sporting com Alexandre Brito e João Simões. E isso, para uma equipa que quer lutar pelo título, que está a defender o título nacional, é de facto bastante curto. Portanto, eu diria que já há uma questão de plantel desde o início com Rúben Amorim, em que se percebia que se houvesse mais um médio, seria interessante para o Sporting gerir. Mas depois da equipa mudar taticamente com os ajustes que Rui Borges fez, desde que veio de Guimarães, de facto, há um plantel que não está a acompanhar e com muitas lesões que o treinador não pode esconder. E creio que esse é um fator que acaba também por limitá-lo muito na sua direção desde o banco, porque creio que Rui Borges só mexe tão tarde na partida, porque percebe perfeitamente que, por um lado, não sabia se Ocrésia ia aguentar o jogo todo e, portanto, tinha de retardar ao máximo alterações e também porque de facto não tem grandes opções, grandes alternativas ou soluções que deem garantias no banco de suplentes. Tinha Afonso Moreira, tinha Biel, que acabou por entrar e tem uma oportunidade importante, mas é um plantel muito curto. Agora, creio que há uma crítica que se pode também fazer ao técnico do Sporting, porque os leões passaram na segunda parte Por momentos de grande inconsciência tática, com o Sporting reduzido a 10 elementos, ainda assim a querer pressionar alto o Arouca, com Trincão a juntar-se a Kenda, Harder e Ócreas, o meio-campo ficou por conta de João Simões e de Alexandre Brito. Era muito espaço para um único médio e foi isso que permitiu ao Arouca ter tantas saídas para o ataque, seja em ataques rápidos, seja também em transições ofensivas transformadas em contra-ataques. A equipa de Vasco Seabra acabou por ter aproximações muito perigosas à baliza do Sporting. E vale a verdade, se Rui Silva falhou no primeiro gol, é certo que sai daqui de Alvalade com quatro, cinco defesas de enormíssima categoria e que acabam por justificar também este ponto para o Sporting.

Vamos então ao melhor e ao pior. O melhor deste encontro.

O melhor é Konrad Harder, porque entra à passagem dos 15 minutos para substituir Daniel Bragança, com um ligeiro ajuste tático do lado do Sporting. Aproximou-se mais de um 442 com Harder e Ócreas no ataque. E a verdade é que o avançado dinamarquês trouxe muita energia à linha ofensiva do Sporting, desde logo fazendo o primeiro gol dos Leões, atuando sobre a direita, tendo capacidade para rematar com o pé menos forte, um remate cruzado, sem hipótese para o Mäntylä, e também porque é ele que acaba por fazer a assistência para o Trincão, novamente jogando da direita, mas rompendo todo o campo, fazendo uma diagonal para aparecer à esquerda e depois com um cruzamento muito inteligente para uma zona entre o limite da área e a zona de pênalti, onde Trincão aparece a finalizar. Portanto, Harder acaba por ser talvez o jogador mais corajoso ou mais demonstrativo da coragem que o Sporting teve, sobretudo na segunda parte.

Ainda com vários lances, podia ter chegado ao terceiro, esteve em vários lances Konrad Harder. Vamos ao pior.

O pior, terei que apontar Hjulmand. Se é um jogador que muitas vezes funciona como a base competitiva do Sporting, fundamental a ocupar o centro do terreno, acaba por ter dois erros que prejudicam enormemente os Leões. O primeiro erro, pênalti cometido sobre Henrique Araújo, num lance em que acaba por deitar abaixo o avançado do Arouca, no momento em que a bola nem estava propriamente nessa zona, portanto, expôs-se a uma decisão do árbitro, que acabou por dar o pênalti, e depois o lance que terminou no segundo de Manel, que acaba por ser também uma ação ostensiva sobre o jogador do Arouca. Hjulmand ali podia ter feito um pouco mais de contenção. Aliás, é um jogador extremamente inteligente, nem se percebeu bem aquele timing de entrada sobre o adversário, acaba por prejudicar o Sporting, porque de facto os Leões iam atrás de tentar a vitória e ficaram limitados e condicionados por terminarem a partida com 10 elementos.

Rotatório de jogo deste encontro, 22ª jornada do campeonato, Sporting 2, Arouca também 2.