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Vamos ao relatório de jogo hoje com o Augusto Inácio. Encontro do campeonato, jornada 24 da Primeira Liga. Vamos falar do Sporting-Estoril. Entrada forte dos leões com dois gols de Luís Suárez. Daniel Bragança fechou o resultado final em 3 x 0. É a partida que vamos analisar. Augusto Inácio, seja muito bem-vindo. Antes de mais, que notas você retira deste encontro do Sporting?
Uma entrada forte, diria feliz também, do Sporting, que queria resolver o jogo o mais rapidamente possível. Marcou os gols nuns espaços que eu diria que foram fantásticos. A defesa do Estoril nunca se soube encontrar naquilo que era o jogo da profundidade do Sporting e o Suárez aproveitou, e bem, para fazer os dois gols e o Sporting praticamente nos primeiros 20 minutos já tinha o resultado feito. Perante um Estoril que estava equivocado no seu lado esquerdo defensivo, o Sporting arranjou muito jogo pelo Geny Catamo, porque o Estoril não tinha um defensor fixo naquela posição e o Sporting foi realmente avassalador no ataque à baliza do adversário. Não marcou mais gols porque não aconteceu marcá-los, mas o que é certo é que depois houve um momento, principalmente a partir dos 30 minutos, ou seja, o último quarto hora da primeira parte, em que o Sporting dominou o jogo, dominou o adversário, mas já não foi com tanta qualidade para marcar gols como tinha acontecido nos primeiros 20 minutos. Por isso o Sporting alcançou aquilo que queria na primeira parte, que era estar em vantagem, mais do que um gol. Na segunda parte, tal e qual como disse o treinador do Sporting, Rui Borges, foi mais um jogo de contenção, mais um jogo de controle. Muitas vezes o Sporting ia jogar com toda a gente atrás da linha da bola, a jogar em 5-4-1, para não permitir que o Estoril pudesse desenvolver o seu jogo. E diria que o Sporting foi arrastando a segunda parte, o tempo, gerindo depois o esforço de alguns jogadores com a entrada de outros, para dar não só minutos, como também dar outra energia ao jogo. E foi o caso de Daniel Bragança, que aproveitou bem essa oportunidade. Faia também teve as suas oportunidades de poder jogar e Nuno Santos também para criar ritmo competitivo, mas fiquei sinceramente admirado porque é que o Pote não tinha também entrado. Soube-se agora com as declarações do Rui Borges que ele não estava 100% fisicamente. Ou seja, se ele estivesse 100% fisicamente, ele teria entrado rigorosamente. Agora, claramente que o Sporting, quando estava em vantagem, não valia a pena estar a arriscar um jogador que não estava fisicamente a 100%, e daí ele não ter entrado. Agora, se o Sporting estivesse 0 x 0, vamos imaginar, estou convicto que o Pote, mesmo não estando bem fisicamente a 100%, que iria ao jogo. De qualquer maneira, o João Castro fala que o Estoril não foi uma boa noite, e não foi, na primeira parte não foi. Na segunda parte, quando tentou, já estava a perder 2 x 0 e o Sporting não o permitiu. Em relação à arbitragem, vou deixar isso pro Pedro Henriques, mas vou já adiantar também, se o Pedro não se importar, que realmente não foi pelo árbitro que o Estoril teve uma má noite e que ele também teve uma má noite. Não foi por isso. Foi porque realmente o Sporting foi melhor, mereceu ganhar. Depois da vitória do Porto sobre o Arouca, o Sporting também fez o seu papel e agora a responsabilidade vai ser toda para segunda-feira pro Benfica.
E acreditas que o Rui Borges conseguiu fazer a gestão que certamente gostaria de ter feito a pensar no jogo da Taça de Portugal?
Eu acho que ele não podia ter melhor mote e motivos para realmente fazer essa gestão. A ganhar 2 x 0, com o jogo controlado, com o Sporting a gerir na segunda parte, acho que o Rui Borges fez aquilo que ele entendia que devia ter sido feito em relação à oportunidade de outros jogarem e de outros descansarem, com a salvaguarda, como eu já disse e repito, se o Pote não entrou então no final, foi porque não estava fisicamente a 100%.
Tivemos um encontro em que Luís Suárez acaba por ser a grande figura, marca dois gols, mas há também, sobretudo pelo corredor direito, um Geny Catamo em muito boa forma no Sporting.
Sim, e soube aproveitar bem os terrenos que tinha à sua frente. Praticamente não tinha adversário, praticamente teve o corredor todo e eu acho que é um erro crasso, sinceramente, tendo aquele flanco tão mal protegido, dar essas liberdades todas ao Geny Catamo, que como toda gente sabe, está a passar pelo melhor momento de forma e, na minha opinião, da sua carreira, deixando aquele leão à solta, é sinal de que o perigo estava ali. E o Sporting e o Geny Catamo soube aproveitar isso. Enfim, mais uma outra definição, se fosse mais bem feita, provavelmente ainda ia fazer mais trajos.
E ainda sobre este encontro, também sobretudo na segunda parte, como é que explicas, Augusto, esse decréscimo de intensidade do Sporting ou foi apenas a questão física a entrar em ação?
Eu acho que foi também a questão física, porque já não é a primeira vez que isto acontece ao Sporting. Ou às vezes faz não tão boas primeiras partes e boas segundas partes, ou ao contrário. Neste caso, eu acho que foram as duas coisas. Foi a questão física que o Sporting baixou os ritmos e nós, durante os comentários do jogo, fomos dizendo que o jogo estava menos intenso. Foi isso. Também pode ter sido estratégia de que realmente o Sporting já não precisava de tanto desgaste físico pra ir à procura do gol, porque estava a ganhar por 2 x 0. Há uma mistura das duas coisas, mas o Rui Borges disse uma coisa que eu aqui também já disse: que o Sporting, na segunda parte, caiu também fisicamente. Foi o próprio treinador do Sporting que o disse. E por isso mesmo, eu coloco aqui as duas coisas: gestão e fisicamente o Sporting caiu um bocadinho.
Augusto Inácio, em relação a este Sporting-Estoril, vitória alvinegra por 3 x 0, qual é, no teu entender, o melhor a retirar deste encontro?
A primeira parte do Sporting, claramente. A entrada, como costuma dizer, de leão, a entrada de realmente uma equipe que queria ganhar o jogo, uma dinâmica muito grande, realmente não deixando o adversário respirar, uma pressão e uma intensidade muito alta também. O Estoril praticamente na primeira parte não fez uma tabeliza, sinal de que o Sporting queria resolver o jogo e resolveu.
E o pior, Augusto Inácio?
O pior, duas coisas pro Estoril. Nunca soube lidar com a profundidade dos passos do Sporting atrás das costas da sua defesa. Foi assim que o Sporting fez os dois gols e nunca, durante a primeira parte, conseguiu contrariar o grande buraco que era o lado esquerdo da defesa do Estoril.
E agora, consegue já tirar algum tipo de indício pro jogo da Taça de Portugal?
É um jogo dividido. Digo-te uma coisa, vai ser um jogo em que não vai se resolver as coisas naquele jogo em Alvalade, vai se resolver depois no Dragão. Mas diria que são duas equipes, diria que um Porto mais atlético, mais defensivo nesse sentido, e um Sporting mais criativo. Vamos ver se a técnica vai ganhar a força.
Ora bem, está feito o relatório de jogo hoje com o Augusto Inácio a analisar este duelo entre o Sporting e o Estoril, que terminou com um triunfo por 3 x 0 da equipe verde e branca. Luís Suárez bisou, Daniel Bragança fechou as contas para selar a conquista do Sporting.