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É isso que vamos perceber com Leonor Valim, a responsável de operações do grupo Tecfil. Muito obrigado por nos receber aqui na Tecfil, Leonor. Queria perguntar-lhe como é que foi este mês, desde a passagem da tempestade, se já estão a trabalhar a 100%?

Bom dia, obrigada pela oportunidade de dar o meu testemunho e explicar aquilo que estamos a passar. Nós somos um grupo de seis empresas, cinco delas foram afetadas pela tempestade. Sofremos danos em todas elas. Temos 450 postos de trabalho que tentamos garantir. No caso da Tecfil, tivemos uma ausência prolongada de energia elétrica, na Plasgal também.

Esse foi o principal problema, a falta de energia elétrica.

Sim, para além dos estragos causados na estrutura das empresas, também foi a energia elétrica. Estamos a ser muito penalizados por isso. Só ontem é que foi restabelecida a energia na Tecfil.

Isso acaba por ser um fator relevante naquele que foi o vosso prejuízo. Já conseguiram perceber qual é o valor dos estragos provocados por esta tempestade?

Não, os estragos ainda estão a ser apurados, mas nós tivemos duas opções: ou parávamos completamente ou reagíamos. Nós escolhemos reagir, temos compromissos com os nossos clientes, temos que garantir as nossas encomendas e, portanto, passados poucos dias da tempestade, decidimos adquirir geradores de grande porte para garantir alguma da nossa produção. É importante referir que temos um custo diário de €30 mil em gasóleo só para trabalhar com um terço da nossa capacidade produtiva.

Portanto, é um impacto muito grande e que acaba por ter também impacto ao nível daquilo que é a vossa produção diária, presumo, não é?

Sim, estamos a ser muito penalizados. Eu acho que uma medida que devia ser adotada era a isenção do ISP sobre o gasóleo que é utilizado para os geradores.

Precisamente sobre isso, já houve alguns apoios do governo, já chegaram, como é que tem sido essa situação e o que é que pensa daquilo que têm sido as propostas e os apoios que têm sido anunciados pelo governo?

Ainda não recebemos apoios nenhuns, por enquanto. Há apoios muito interessantes, nomeadamente o apoio do IFP, mas também há muitos apoios que simplesmente estão a adiar os prejuízos ou estão a intensificar os prejuízos que as empresas estão a ter, assentam no crédito. Temos a linha de investimento, temos a linha da tesouraria. A linha da tesouraria nem sequer se adequa a empresas que investiram muito nos últimos anos, portanto, estão a ser penalizadas nesse sentido.

Leonor, só mais uma pergunta. Conseguiram pagar os salários este mês? Têm funcionários em lay-off? Como é que está essa situação?

Conseguimos pagar os salários este mês. Não estamos em lay-off, mas esperamos ter o tal apoio do IFP.

E no próximo mês conseguirão pagar os salários?

Sim, conseguimos, esforçamo-nos por isso e temos também de garantir essa situação. Eu só gostava de dizer que muitos dos apoios já estão esgotados e é importante perceber para onde é que estão a ser canalizados. Há zonas que não tiveram o mesmo nível de destruição e que estão a ser as mesmas condições das regiões que foram mais afetadas. Quando os recursos são limitados, é essencial que exista prioridade para quem sofreu danos mais graves. Trata-se de assegurar uma distribuição justa e ajustada à realidade do terreno.

Leonor Valim, muito obrigado por nos ter recebido aqui na Tecfil. Ainda é possível e é visível a destruição um pouco aqui nesta empresa, que, como de resto tínhamos numa reportagem do Observador há um mês, ainda não tem o Tec visível, só se vê mesmo o Fil. O Tec caiu.