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Apresentado como poeta, militante e resistente, Manuel Alegre não deixa recados por dar.

Não é uma época de euforia democrática. Este é o tempo da desconstrução da democracia dentro da própria democracia. Extrema-direita, populismo, xenofobia, o esquecimento a vencer a memória.

Na apresentação do livro de memórias, o poeta e histórico socialista reconhece que há uma atividade que beneficiou mais com o estilo de vida que levou.

Por isso, não me precavi. Cometi erros, quis andar depressa demais, acabei preso pela PIDE e mais tarde tive de passar clandestinamente a fronteira a caminho do exílio. Vivi com um sentido agudo da urgência. Foi bom para a poesia, mas teve, por vezes, consequências negativas na intervenção política.

Numa tarde de reconhecimentos, Marcelo Rebelo de Sousa também apareceu e com uma surpresa guardada.

Ao ser arauto daquilo que era uma épica contra a épica oficial da ditadura, era uma maneira de ser um poeta épico. E porque eu não o esqueço, vou condecorá-lo hoje com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

E com isso, o protagonista confessou surpresa.

O senhor Presidente da República é sempre capaz de gestos inesperados. Eu, pelo menos, não estava à espera. Quero agradecer-lhe muito este gesto que acaba de ter ao condecorar-me com a Ordem de Camões, que é para mim de um especialíssimo significado e de todas as outras condecorações que tenho, talvez aquela que mais fundo me toca, dada a minha veneração por Camões.

Com Ramalho Eanes e Francisco Pinto Balsemão a assistir, a tarde proporcionou ainda um outro reencontro.

Sabe que eu fui a este comício, apesar de ser um CPS, foi na altura do sindicato. Do sindicato? Não, fui como cidadão. Houve um do PSD e um do PS.

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa tiveram tempo para trocar memórias num fim de tarde dedicado a Manuel Alegre.